Da ordem dos Passeriformes e família dos estrildideos, os bavettes se colocam hoje ao lado do Diamenate de Gould, como os mais populares exóticos australianos criados entre nós.

Embora não tenham a variedade de cores do citado Diamante de Gould, chamam a atenção pela plumagem sempre muito lisa e sedosa, o desenho que parece feito a lápis, a docilidade, e levam a vantagem de serem um dos poucos estrildideos que podemos dizer que realmente cantam.

Em todas as suas espécies, os Bavettes são hoje pássaros totalmente adaptados ao cativeiro, e via de regra muito bons reprodutores.

Quando utilizamos os manons como amas, é comum de um único casal conseguirmos em uma estação de cria mais de vinte filhotes, muito embora os próprios Bavettes sejam geralmente bons criadores.

Como já citamos anteriormente, são muito dóceis e temos a possibilidade de cria-los em colônias, ou aos casais separadamente, em que tenhamos notado sensível diferença de produção.

Na realidade o grupo dos Bavettes é composto de 3 espécies e 7 subespécies, sendo que em muitos casos, já existem mutações fixadas e criadas em cativeiro.

Faremos a seguir, uma descrição das espécies, seu nome científico, como são conhecidas nos demais países e suas peculiaridades.
BAVETTE CAUDA CURTA –

Poephila cinta – Em inglês Parsonfinch, em francês Diamant a bavette e em alemão Gurteramadine.
São descritas 3 subespécies: P. c. atropygialis, P. c. cinctae P. c. nigrotecta.

Habitam o continente australiano, na região mais ao leste e nordeste. As diferenças entre as subespécies são muito pequenas e não merecem destaque.

São muito bons criadores, em casais separados ou em colônias, entretanto jamais devemos deixar 2 casais juntos, caso desejamos fazer uma colônia, esta deverá no mínimo 3 casais.

Existe, em geral um dimorfismo sexual bem visível, o babador do macho é mais largo e mais comprimido que o da fêmea, existindo porém alguns exemplares que podem confundir um iniciante. Neste caso, devemos aguardar que o macho cante, o que ocorre com muita facilidade, mesmo em pássaros jovens.

O ninho predileto é a caixa de madeira, que podemos forrar com fibras ou mesmo capim seco (o ideal é a “barba de bode”).

Uma vez acasalados, a postura é breve em geral de 4 a 8 ovos (média de 5), o tempo de incubação é de 14 dias, e caso retiremos os ovos, nova postura virá em cerca de 10 dias.

Os filhotes são muito bem criados pêlos manons, e devemos fornecer ovo através da farinhada, sementes (painço, alpiste e senha) e verdura (chicória, almeirão ou couve).

É interessante ministrar os pais algum coccidiostático do dia anterior ao nascimento até o 5° dia (Eu uso ESB 3) ou Vetococ com muito bom resultado).

Geralmente os filhotes deixam o ninho com 20 a 25 dias, porém só devemos separá-los dos pais com 50 dias.

É um pássaro hoje muito comum em nosso meio, porém devemos tomar cuidado para evitar os exemplares mestiços, e por isto sem valor para concursos.

Distinguimos com facilidade os exemplares puros por apresentarem o bico totalmente negro nos exemplares clássicos.
São conhecidos atualmente 2 mutações:

Isabel – de característica ligada ao sexo recessivo, sendo que os exemplares puros têm o bico castanho escuro (sem influência de vermelho).

Branco – também ligado ao sexo recessivo, sendo entre nós muito raros os exemplares puros (apresentam o bico castanho bem claro).
BAVETTE CAUDA LONGA –

Poephila acuticauda – Em inglês Long-tailed grassfinch, em francês Diamant a longue queue e em alemão Spitzschwanzamadine.

São descritas 2 subespécies: P. a. acuticauda, que apresenta o bico amarelo e P.a. hecki, que apresenta o bico vermelho.

Se distingue da espécie anterior pela colaboração do bico, e pelo comprimento da cauda, a custa das 2 retrizes centrais que são extremamente longas.

O dimorfismo sexual é como o da espécie anterior porém um pouco menos nítido.

Jamais devemos misturar as 2 subespécies (obtendo exemplares de bico laranja), pois estes produtos não servem para concurso, e também para tal são preferidos os de bico vermelho.

A criação é semelhante a espécie anterior.

Muito embora para concurso sejam reconhecidas 2 mutações (brancos e isabeis), na prática sabemos que existem 3 (que seria o canela, que fenotipicamente seria impossível distinguir do isabel, mas com comportamento genético diferente).

Podemos provar isto, pois ao acasalarmos em certa ocasião2 exemplares. “isabeis” (recessivos), obtivemos uma prole total de exemplares normais. Portanto sabemos que na verdade existe a variedade canela (autossômico recessivo) e a variedade isabel (ligado ao sexo).

Temos visto também alguns exemplares de um marrom muito tênue que na verdade são exemplares canelas-i sabeis (as 2 mutações no mesmo pássaro).

Quanto a variedade branca, esta é ligada ao sexo. Como já foi citado anteriormente, os exemplares preferidos para concurso, são os de bico vermelho-coral (mesmo para as mutações).

BAVETTE MASCARADO –

Poeplila personata – Em Inglês Masked graasfinch, em francês Diamant a masque e em alemão Maskenamadine.

São descritas 2 subespécies: P. p. personata que apresenta a máscara negra extensa até atrás dos olhos e P. p. leucotis, com a máscara negra menos extensa, não ultrapassando a linha dos olhos, A.primeira subespécie, habita o norte do continente australiano até o cabo York, e a segunda região mais a nordeste (bem após o cabo York).

É de todos os Bavettes o mais frágil e o que apresenta maior dificuldade na criação. Embora sejam também criados aos pares o resultado é muito melhor em colônias.

O dimorfismo sexual é menos acentuado, sendo descrito que a fêmea apresenta em geral a máscara negra um pouco menor, alguns criadores europeus dizem que o alto da cabeça da fêmea é de um marrom mais claro. Entretanto em meu ponto de vista a diferença só deve ser válida ao ouvirmos o macho cantar (o que faz com muita facilidade).

Em nossa experiência pessoal tivemos muitos problemas com a importação deste pássaro, pois apresenta uma facilidade maior para doenças que os demais Bavettes.

É interessante citar que vários autores referem uma predilação da espécie pelo carvão de madeira.

Atualmente não é conhecida nenhuma mutação desta espécie, e entre nós a criação do Bavette mascarado ainda é muito restrita, com grande dificuldade de matrizes.

Finalmente para encerrar, gostaríamos de citar que os Bavettes na atual nomenclatura oficial da FOB-OBJO, se enquadram no grupo AF, que compreendem 7 classes, onde os exemplares podem concorrer com anéis de até 3 anos, e machos e fêmeas concorrem juntos.

Também, é importante salientar que qualquer mestiçagem entre estas espécies é totalmente condenável tanto para concurso, como para criação, pois os exemplares são desclassificados, e perdem as características da espécie.

Paulo Fernando Pazzini Vianna
Revista UCPP 1995
Arquivo editado em 28/04/2005

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/bavete.html