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Conversas Avícolas I - Toxinas

Fonte: Por Tom Riggs & Ross Bishop - (Tradução Ricardo Pereira)


O Deserto das aves

Ross: Por vezes uma determinada pessoa pode fazer um pequeno comentário que nos abre todas as avenidas de pensamento. Isso aconteceu-me com um comentário do Dr. Terry Martin, um veterinário australiano. O que ele disse fez-me realmente pensar.

Estou consciente de que muitas pessoas que mantém aves exóticas tentam tudo para criar o melhor ambiente possível para as suas aves, e muitas vezes não percebem porque razão elas não se reproduzem.

Na Austrália os periquitos da erva (Neophema sp.) encontram-se distribuidos por qause todo o país. Como devem saber, a Austrália varia desde as florestas tropicais a norte às terras áridas e secas do "outback", com todas as variações possíveis pelo caminho. A maior parte do continente é seca e quente: Várias espécies destes periquitos encontra ambientes propícios para que se localizem em determinados locais. Portanto, embora estas aves em particular se encontrem por toda a Austrália isso nem sempre acontece com outras espécies. Criadores de Neophemas nos EUA e Europa encontraram diferenças significantes no sucesso reprodutivo de algumas destas espécies de acordo com o clima. Por exemplo, os Splendids criam melhor aqui, na seca e árida zona Sudoeste, do que na costa. Com outras espécies verifica-se o oposto. E, claro, existem sempre as notáveis excepções que deitam por terras toda esta teoria, mas, na generalidade, esta parece ser verdadeira.

Assim, isto leva-me ao comentário do Dr. Martin. Terry cria e expõe aves há diversos anos. Ele é um dos raros veterinários de aves que tem conhecimentos sobre exóticos. De qualquer modo, o que ele disse que me fez pensar foi: "Lembrem-se que a Austrália é um país seco e quente - portanto, se mentivermos as nosas aves num deserto eles estão normalmente sãos. É por isto que as aves australianas são tão populares, os donos mantém-nas sempre num deserto!" Kaboom! Acabei por perceber. As nossas casas são quentes e secas. Muitas pessoas mantém as aves dentro de casa - em virtuais desertos.

Fui até ao meu viveiro interior e olhei para os meus bengalins tricolor e outros munias - notoriamente dificeis de criar aqui ( EUA). Pensei no seu local de origem no sudeste asiático, nos campos de arroz e pântanos. Em Java quando nos levantamos de manhã o ar é tão húmido que se consegue cortar. Quando o sol aparece torna-se bastante quente.As roupas colam-se ao corpo em minutos. São estas as condições necessárias para criar arroz, pântanos e, obviamente, Munias. E estas são aqui, no meu quente e, comparativamente, seco viveiro (deserto interior).

Toxinas

Tom: As toxinas estão na natureza e podem ser verdadeiramente desastrosas. O que eu evito, como se a peste fosse, são os pesticidas de qualquer tipo. Conseguem aparecer nos locais mais estranhos.

Recordo-me de uma situação com as aves do paraíso num dos maiores Zoológicos. Surgiu um problema com formigas e o tratador pediu ao controlo de insectos para fazer alguma coisa. 5 dias mais tarde as aves do paraiso mostravam sintomas de envenenamento e, eventualmente, morreram. Aparantemente tinham comido as formigas ou alguem veneno atingira a água - algo assim. Este processo deveria ser completamente seguro e foi aplicado por profissionais.

Tenho tido sorte em nunca ter tido uma infestação de ácaros ou algo do género. Julgo que isso se deve ao facto de manter uma boa sanidade no aviário. Já aconteceu uma infestação de piolhos por duas vezes. Não os enveneno, apanho-os vivos em armadilhas. Tudo o que é preciso é um unico grão de veneno entrar no viveiro e temos uma ave morta.

Ross: O risco dos pesticidas surge em diversas fromas. A mais potente e grave é normalmente ao tentar controlar uma infestação de qualquer tipo de animais (insectos ou roedores). O cuidado a ter é ser muito meticulodo não só com onde colocamos os venenos, mas também como e para onde podem ser levados. Alguns espalham-se no ar, podemos transportar residuos no corpo e roupas, os proprios insectos podem transportar algumas particulas de veneno - temos de ter grande atenção pois o que não é previsto ocorre quase sempre com consequências desastrosas. Este tipo de substâncias são quase impossíveis de seguir. Mesmo que a ave não morra imediatamente, o seu sistema imunitário pode ser comprometido, é infectada por uma qualquer infecção respiratória e morra ou pára de criar sem que nunca saibamos a causa.

Juntamente com estes venenos, alguns alimentos são perigosos para as aves. Entre estes encontramos o chocolate, abacate, cafeína, álcool, sementes de maçã, caroços de cereja, ameixas e alperces e, possivelmente, cebola (embora a discussão neste último ainda decorra). Os amendoins, embora não sendo eles mesmos perigosos, são muitas vezes veiculo transportador de fungos mortais para as aves. Embora não seja um risco directo, algo que não é bem compreendido é que as aves não dispôem de enzimas para digerir a lactose e os açucares do leite. Estes açucares, na sua quase totalidade não digestíveis pelas aves, vão criar problemas intestinais, o que se manifesta normalmente por uma diarreia. Eu sei que os "velhos" criadores costumavam usar pão molhado em leite para alimentar as aves, e julgo que alguem desse hábito ainda persiste hoje em dia.

A Dra. Alicia McWatters aponta que o açúcar do leite no queijo é decomposto por bactérias usadas no fabrico do queijo, mas mesmo assim o queijo ainda contém 20 a 50% de gordura do leite, e deve ser dado com moderação. Iogurtes e "Kefir" (NT: um tipo de queijo) são melhores uma vez que são produtos em que o açúcar é decomposto previamente, além de que também fornecem bactérias vivas, que são benéficas aos sistemas digestivo e imunitário das aves. A razão porque refiro estes factores é que estes dois alimentos são excelentes fontes de cálcio: para melhores benefícios usa-se iogurtes e "kefir" vivos, pasteurizados antes de serem processados, simples e sem açucar adicionado.

Um outro ponto onde temos de dar atenção ao químicos é no fornecimento das nossos alimentoas para aves. Hoje em dia, as frutas e vegetais são tratados com diversos pesticidas, fungicidas, herbicidas e depois de apanhados miutas vezes com ceras, corantes e quem sabe o quê mais. Simplesmente não quero que a minhas aves ingiram estes produtos. Acho espantoso que, apesar de já terem sido proibidos, alguns químicos continuem a aparecer na cadeia alimentar. Julgo que as pessoas ficariam inseguras se se apercebessem como as inspecções e testes aos nossos alimentos são na verdade poucos.

Estudos de consumidores sobre os níveis de pesticidas em frutas e hortícolas ao longo dos últimos 7 anos produziram resultados preoupantes. (Consumers Reports, Março, 1999). A Consumers Report focou os efeitos destes agentes em crianças devido ao seu pequeno peso corporal, desenvolvendo problemas do sistema nervoso e, porque o cancro mata mais crianças com menos de14 anos que qualquer outra doença, tornaram-se o "canário da mina de carvão" para todos nós. Os invertigadores da Consumers Report escreveram :"…È surpreendentemente fácil para uma criança consumir frutos e vegetais frescos com um nivel inaceitável de alguns pesticidas especialmente tóxicos."

Ainda de acordo com a Consumers Report os alimentos com que devemos ter especial cuidados são: maçãs, uvas, feijão verde, pêssegos, pêras, espinfare e agrião. Isto acontece em grande parte porque as actuais técnicas de produção destes produtos "exigem" um grande uso de pesticidas. Mais, devido a "cortes orçamentais" (leia-se: pressão politica das grandes empresas e agricultores) as inspecções governamentais destes produtos foram reduzidas. Decorre actualmente um debate acerca de saber se os actuais limites da EPA/FDA (NT: agências equivalentes aos ministérios do ambiente e agricultura na Europa) permitem a passagem de quantidades demasiado elevadas de pesticidas para os consumidores (recordo que os efeitos desses agetens são normalmente cumulativos). A Consumers Report encontrou um grande número de químicos proibidos ainda em uso, especialmente nos espinafres.

Numa reviravolta interessante, frutas importadas mostraram-se muito melhores que as cultivadas nos EUA. Os produtos nacionais apresentam muitas vezes 10 vezes o residuo quimico de produtos importados. Karen e eu comemos em grande parte produtos orgânicos, e é assim que alimentamos as nossas aves. A investigação mostra que não existem praticamente residuos de quimicos em produtos orgânicos. Também descascamos tudo o que podemos. Faço isto em especial para as aves porque sendo pequenas são muito mais sensíveis e baixas doses de quimicos. Durante o verão cultivamos os nossos frutos e verduras. Também faço questão de limpar e lavar todas as frutas ou vegetais com um detergente orgânico - Oxyfresh's Cleansing Gele'.

A Dr. Alicia McWatters escreveu um bom artigo introdutório sobre nutrição e alimentação orgânica em: http://www.parrothouse.com/organic.html.

Tom: Eu concordo. Uso alimentos orgânicos sempre que posasível. Isso significa quando estão disponíveis e não me levam à falência. Mas, sem olhar a isso, todas as minhas frutas e vegetais são muito bem lavados e limpos. Agora uso Oxyfresh, mas também podemos deixar de molho numa solução de água e vinagre por alguns minutos. Isto ajuda a reduzir o óleo e que supostamente um quimico tóxico é transportado. Depois passo por água corrente 3 vezes. Posso dizer que nunca tive um problema que podesse relacionar com pesticidas nos alimentos.

Ross: Os efeitos dos pesticidas são mais profundos nas aves do que em nós mesmos (em particular em aves novas). Os limites da EPA para toxicidade são baseados em humanos, não em aves. O pesticida residual na courgette que compras on supermercado pode não ser conseiderado perigoso para ti, mas não podemos dizer o mesmo para as tuas aves.

Os sistemas respiratório e circulatório de uma ave são diferentes dos nossos. São muito mais eficientes. Logo, se existem fumos no ar, uma ave vai abosrvê-los mais rapidamente e acumular, proporcionalmente, mais fumo do que nós. Uma ave troca ar mais frequente e eficientemente do que nós o fazemos. A sua pequena massa corporal significa uma maior sensibilidade a doses mesmo reduzidas de quimicos. É por isso que se usavam canários nas minas de carvão. O metabolismo das aves é consideravelmente mais rápido que o nosso. Ainda por cima, o vôo é uma actividade incrivelmente aeróbica por isso uma ave tem de absorver maiores quantidades de ar, em proporção, do que nós fazemos mesmo em exercício (e claro que todos fazemos isso rgularmente). Tudo isto coloca as aves num risco muito maior de envenenamento por toxinas.

Portanto, o facto de que os vapores da lixivia ou qualuer desinfectante não nos afectam não significa que sejam seguros para as aves. E recordem-se que este efeitos são cumulativos! Podemos entrar na cozinha e desligar uma frigideira de Teflon ® a queimar sem sofrermos nada de mais. Esses mesmos vapores tóxicos podem matar uma ave a 10metros de distância.

Tom: Teflon® é uma toxina com que nos deveoms preocupar. Um utensilio deste tipo deixado sobre o lume sobrequece e produz um gás que rapidamente mata qualquer ave que o inspire. Nunca me aconteceu, mas tenho um amigo que tinha canários na cozinha e um dia morream todos!

Ross: Alguém disse que só existem dois tipos de cozinheiros. Os que já queimaram uma frigideira de Teflon® e os que o farão. Eu sempre ahei que era só o queimar destes utensílios que era perigoso e não o seu uso. A Dra. Margaret A. Wissman, DVM, DABP, aconselha: "Contudo, mesmo com uso normal, alguns vapores podem ser libertados, portanto os materias anti-aderentes, tábuas e ferros de engomar e lâmpadas com coberturas de Teflon® não devem ser usadas perto de aves." A Dra. Wissman prossegue para falar de outros perigos tóxicos: "A inalação passiva de fumo de cigarros, charutos e cachimbos pode resultar em problemas crónicos de olhos, irritação cutânea e doenças respiratórias. Aves que coabitam com fumadores podem desenvolver tosse, espirros, sinusite e conjuntivite, que pode resolver-se espontaneamente se a ave for mudada para um local livre de fumos. Muitas aves expostas a fumos podem desencolvar infecções bacterianas secundárias que podem resultar fatais. Muitos desinfectantes correntes libertam vapores que podem ser tóxicos ou fatais para as aves. A lixívia, fenóis e amónia podem todos produzir vapores perigosos, que produzem irritações, toxicidade e mesmo a morte. Os produtos vulgares em aerosol, tal como perfumes, desodorizante e lacas, podem causar problemas respiratórios em aves. Causam inflamações graves e dificuldades a nivel do aparelho respiratório e, após uma grande exposição, a morte. As fugas de gás também podem causar a morte das aves, assim como qualquer tipo de aquecedor usado com ventilação inapropriada. O monóxido de Carbono (CO), um gás incolor também pode ser fatal para as aves. Qualquer sala de criação deve ter uma monitorização do nivel de monóxido de carbono…"


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