Estou consciente
de que muitas pessoas que mantém aves exóticas
tentam tudo para criar o melhor ambiente possível
para as suas aves, e muitas vezes não percebem porque
razão elas não se reproduzem.
Na Austrália
os periquitos da erva (Neophema sp.) encontram-se distribuidos
por qause todo o país. Como devem saber, a Austrália
varia desde as florestas tropicais a norte às terras áridas
e secas do "outback", com todas as variações
possíveis pelo caminho. A maior parte do continente é seca
e quente: Várias espécies destes periquitos
encontra ambientes propícios para que se localizem
em determinados locais. Portanto, embora estas aves em
particular se encontrem por toda a Austrália isso
nem sempre acontece com outras espécies. Criadores
de Neophemas nos EUA e Europa encontraram diferenças
significantes no sucesso reprodutivo de algumas destas
espécies de acordo com o clima. Por exemplo, os
Splendids criam melhor aqui, na seca e árida zona
Sudoeste, do que na costa. Com outras espécies verifica-se
o oposto. E, claro, existem sempre as notáveis excepções
que deitam por terras toda esta teoria, mas, na generalidade,
esta parece ser verdadeira.
Assim, isto
leva-me ao comentário do Dr. Martin. Terry cria
e expõe aves há diversos anos. Ele é um
dos raros veterinários de aves que tem conhecimentos
sobre exóticos. De qualquer modo, o que ele disse
que me fez pensar foi: "Lembrem-se que a Austrália é um
país seco e quente - portanto, se mentivermos as
nosas aves num deserto eles estão normalmente sãos. É por
isto que as aves australianas são tão populares,
os donos mantém-nas sempre num deserto!" Kaboom!
Acabei por perceber. As nossas casas são quentes
e secas. Muitas pessoas mantém as aves dentro de
casa - em virtuais desertos.
Fui até ao
meu viveiro interior e olhei para os meus bengalins tricolor
e outros munias - notoriamente dificeis de criar aqui (
EUA). Pensei no seu local de origem no sudeste asiático,
nos campos de arroz e pântanos. Em Java quando nos
levantamos de manhã o ar é tão húmido
que se consegue cortar. Quando o sol aparece torna-se bastante
quente.As roupas colam-se ao corpo em minutos. São
estas as condições necessárias para
criar arroz, pântanos e, obviamente, Munias. E estas
são aqui, no meu quente e, comparativamente, seco
viveiro (deserto interior).
Toxinas
Tom: As toxinas
estão na natureza e podem ser verdadeiramente desastrosas.
O que eu evito, como se a peste fosse, são os pesticidas
de qualquer tipo. Conseguem aparecer nos locais mais estranhos.
Recordo-me
de uma situação com as aves do paraíso
num dos maiores Zoológicos. Surgiu um problema com
formigas e o tratador pediu ao controlo de insectos para
fazer alguma coisa. 5 dias mais tarde as aves do paraiso
mostravam sintomas de envenenamento e, eventualmente, morreram.
Aparantemente tinham comido as formigas ou alguem veneno
atingira a água - algo assim. Este processo deveria
ser completamente seguro e foi aplicado por profissionais.
Tenho tido
sorte em nunca ter tido uma infestação de ácaros
ou algo do género. Julgo que isso se deve ao facto
de manter uma boa sanidade no aviário. Já aconteceu
uma infestação de piolhos por duas vezes.
Não os enveneno, apanho-os vivos em armadilhas.
Tudo o que é preciso é um unico grão
de veneno entrar no viveiro e temos uma ave morta.
Ross: O risco
dos pesticidas surge em diversas fromas. A mais potente
e grave é normalmente ao tentar controlar uma infestação
de qualquer tipo de animais (insectos ou roedores). O cuidado
a ter é ser muito meticulodo não só com
onde colocamos os venenos, mas também como e para
onde podem ser levados. Alguns espalham-se no ar, podemos
transportar residuos no corpo e roupas, os proprios insectos
podem transportar algumas particulas de veneno - temos
de ter grande atenção pois o que não é previsto
ocorre quase sempre com consequências desastrosas.
Este tipo de substâncias são quase impossíveis
de seguir. Mesmo que a ave não morra imediatamente,
o seu sistema imunitário pode ser comprometido, é infectada
por uma qualquer infecção respiratória
e morra ou pára de criar sem que nunca saibamos
a causa.
Juntamente
com estes venenos, alguns alimentos são perigosos
para as aves. Entre estes encontramos o chocolate, abacate,
cafeína, álcool, sementes de maçã,
caroços de cereja, ameixas e alperces e, possivelmente,
cebola (embora a discussão neste último ainda
decorra). Os amendoins, embora não sendo eles mesmos
perigosos, são muitas vezes veiculo transportador
de fungos mortais para as aves. Embora não seja
um risco directo, algo que não é bem compreendido é que
as aves não dispôem de enzimas para digerir
a lactose e os açucares do leite. Estes açucares,
na sua quase totalidade não digestíveis pelas
aves, vão criar problemas intestinais, o que se
manifesta normalmente por uma diarreia. Eu sei que os "velhos" criadores
costumavam usar pão molhado em leite para alimentar
as aves, e julgo que alguem desse hábito ainda persiste
hoje em dia.
A Dra. Alicia
McWatters aponta que o açúcar do leite no
queijo é decomposto por bactérias usadas
no fabrico do queijo, mas mesmo assim o queijo ainda contém
20 a 50% de gordura do leite, e deve ser dado com moderação.
Iogurtes e "Kefir" (NT: um tipo de queijo) são
melhores uma vez que são produtos em que o açúcar é decomposto
previamente, além de que também fornecem
bactérias vivas, que são benéficas
aos sistemas digestivo e imunitário das aves. A
razão porque refiro estes factores é que
estes dois alimentos são excelentes fontes de cálcio:
para melhores benefícios usa-se iogurtes e "kefir" vivos,
pasteurizados antes de serem processados, simples e sem
açucar adicionado.
Um outro ponto
onde temos de dar atenção ao químicos é no
fornecimento das nossos alimentoas para aves. Hoje em dia,
as frutas e vegetais são tratados com diversos pesticidas,
fungicidas, herbicidas e depois de apanhados miutas vezes
com ceras, corantes e quem sabe o quê mais. Simplesmente
não quero que a minhas aves ingiram estes produtos.
Acho espantoso que, apesar de já terem sido proibidos,
alguns químicos continuem a aparecer na cadeia alimentar.
Julgo que as pessoas ficariam inseguras se se apercebessem
como as inspecções e testes aos nossos alimentos
são na verdade poucos.
Estudos de
consumidores sobre os níveis de pesticidas em frutas
e hortícolas ao longo dos últimos 7 anos
produziram resultados preoupantes. (Consumers Reports,
Março, 1999). A Consumers Report focou os efeitos
destes agentes em crianças devido ao seu pequeno
peso corporal, desenvolvendo problemas do sistema nervoso
e, porque o cancro mata mais crianças com menos
de14 anos que qualquer outra doença, tornaram-se
o "canário da mina de carvão" para
todos nós. Os invertigadores da Consumers Report
escreveram :"…È surpreendentemente fácil
para uma criança consumir frutos e vegetais frescos
com um nivel inaceitável de alguns pesticidas especialmente
tóxicos."
Ainda de acordo
com a Consumers Report os alimentos com que devemos ter
especial cuidados são: maçãs, uvas,
feijão verde, pêssegos, pêras, espinfare
e agrião. Isto acontece em grande parte porque as
actuais técnicas de produção destes
produtos "exigem" um grande uso de pesticidas.
Mais, devido a "cortes orçamentais" (leia-se:
pressão politica das grandes empresas e agricultores)
as inspecções governamentais destes produtos
foram reduzidas. Decorre actualmente um debate acerca de
saber se os actuais limites da EPA/FDA (NT: agências
equivalentes aos ministérios do ambiente e agricultura
na Europa) permitem a passagem de quantidades demasiado
elevadas de pesticidas para os consumidores (recordo que
os efeitos desses agetens são normalmente cumulativos).
A Consumers Report encontrou um grande número de
químicos proibidos ainda em uso, especialmente nos
espinafres.
Numa reviravolta
interessante, frutas importadas mostraram-se muito melhores
que as cultivadas nos EUA. Os produtos nacionais apresentam
muitas vezes 10 vezes o residuo quimico de produtos importados.
Karen e eu comemos em grande parte produtos orgânicos,
e é assim que alimentamos as nossas aves. A investigação
mostra que não existem praticamente residuos de
quimicos em produtos orgânicos. Também descascamos
tudo o que podemos. Faço isto em especial para as
aves porque sendo pequenas são muito mais sensíveis
e baixas doses de quimicos. Durante o verão cultivamos
os nossos frutos e verduras. Também faço
questão de limpar e lavar todas as frutas ou vegetais
com um detergente orgânico - Oxyfresh's Cleansing
Gele'.
A Dr. Alicia
McWatters escreveu um bom artigo introdutório sobre
nutrição e alimentação orgânica
em: http://www.parrothouse.com/organic.html.
Tom: Eu concordo.
Uso alimentos orgânicos sempre que posasível.
Isso significa quando estão disponíveis e
não me levam à falência. Mas, sem olhar
a isso, todas as minhas frutas e vegetais são muito
bem lavados e limpos. Agora uso Oxyfresh, mas também
podemos deixar de molho numa solução de água
e vinagre por alguns minutos. Isto ajuda a reduzir o óleo
e que supostamente um quimico tóxico é transportado.
Depois passo por água corrente 3 vezes. Posso dizer
que nunca tive um problema que podesse relacionar com pesticidas
nos alimentos.
Ross: Os efeitos
dos pesticidas são mais profundos nas aves do que
em nós mesmos (em particular em aves novas). Os
limites da EPA para toxicidade são baseados em humanos,
não em aves. O pesticida residual na courgette que
compras on supermercado pode não ser conseiderado
perigoso para ti, mas não podemos dizer o mesmo
para as tuas aves.
Os sistemas
respiratório e circulatório de uma ave são
diferentes dos nossos. São muito mais eficientes.
Logo, se existem fumos no ar, uma ave vai abosrvê-los
mais rapidamente e acumular, proporcionalmente, mais fumo
do que nós. Uma ave troca ar mais frequente e eficientemente
do que nós o fazemos. A sua pequena massa corporal
significa uma maior sensibilidade a doses mesmo reduzidas
de quimicos. É por isso que se usavam canários
nas minas de carvão. O metabolismo das aves é consideravelmente
mais rápido que o nosso. Ainda por cima, o vôo é uma
actividade incrivelmente aeróbica por isso uma ave
tem de absorver maiores quantidades de ar, em proporção,
do que nós fazemos mesmo em exercício (e
claro que todos fazemos isso rgularmente). Tudo isto coloca
as aves num risco muito maior de envenenamento por toxinas.
Portanto, o
facto de que os vapores da lixivia ou qualuer desinfectante
não nos afectam não significa que sejam seguros
para as aves. E recordem-se que este efeitos são
cumulativos! Podemos entrar na cozinha e desligar uma frigideira
de Teflon ® a queimar sem sofrermos nada de mais. Esses
mesmos vapores tóxicos podem matar uma ave a 10metros
de distância.
Tom: Teflon® é uma
toxina com que nos deveoms preocupar. Um utensilio deste
tipo deixado sobre o lume sobrequece e produz um gás
que rapidamente mata qualquer ave que o inspire. Nunca
me aconteceu, mas tenho um amigo que tinha canários
na cozinha e um dia morream todos!
Ross: Alguém
disse que só existem dois tipos de cozinheiros.
Os que já queimaram uma frigideira de Teflon® e
os que o farão. Eu sempre ahei que era só o
queimar destes utensílios que era perigoso e não
o seu uso. A Dra. Margaret A. Wissman, DVM, DABP, aconselha: "Contudo,
mesmo com uso normal, alguns vapores podem ser libertados,
portanto os materias anti-aderentes, tábuas e ferros
de engomar e lâmpadas com coberturas de Teflon® não
devem ser usadas perto de aves." A Dra. Wissman prossegue
para falar de outros perigos tóxicos: "A inalação
passiva de fumo de cigarros, charutos e cachimbos pode
resultar em problemas crónicos de olhos, irritação
cutânea e doenças respiratórias. Aves
que coabitam com fumadores podem desenvolver tosse, espirros,
sinusite e conjuntivite, que pode resolver-se espontaneamente
se a ave for mudada para um local livre de fumos. Muitas
aves expostas a fumos podem desencolvar infecções
bacterianas secundárias que podem resultar fatais.
Muitos desinfectantes correntes libertam vapores que podem
ser tóxicos ou fatais para as aves. A lixívia,
fenóis e amónia podem todos produzir vapores
perigosos, que produzem irritações, toxicidade
e mesmo a morte. Os produtos vulgares em aerosol, tal como
perfumes, desodorizante e lacas, podem causar problemas
respiratórios em aves. Causam inflamações
graves e dificuldades a nivel do aparelho respiratório
e, após uma grande exposição, a morte.
As fugas de gás também podem causar a morte
das aves, assim como qualquer tipo de aquecedor usado com
ventilação inapropriada. O monóxido
de Carbono (CO), um gás incolor também pode
ser fatal para as aves. Qualquer sala de criação
deve ter uma monitorização do nivel de monóxido
de carbono…"