Apesar dos
problemas, 4 espécies adaptaram-se muito bem gozando
actualmente de grande popularidade na Europa, sendo uma
delas o 3º psitacideo mais criado na Grã-Bretanha
(o Neophema splendid), logo atrás do periquito comum
(Melopsittacus ondulatus) e da Caturra (Nymphicus hollandicus),
e a frente dos Agapornis, o Bourke não é tão
popular como o Splendid, mas a sua beleza peculiar tem
muitos admiradores, além disso o seu temperamento
calmo e pacífico torna-o útil em colecções
mistas com pequenos exóticos. No entanto, não
se deve misturar os Neophemas com outros psitacídeos
uma vez que não são capazes de se defender,
aliás para aqueles criadores habituados a pequenos
psitacídeos muito agressivos como os Agapornis ou
os Forpus, vão achar as brigas entre os neophemas
quase cómicas, alguma esgrima de bicos, algumas
perseguições e pouco mais.
Para além
do seu temperamento outra das vantagens dos neophemas é terem
diformismo sexual, o que facilita muito a vida ao criador,
no entanto, e no caso do Bourke, pode ser difícil
nalgumas linhas ou mutações distinguir o
sexo, uma vez que o diformismo sexual dos Bourkes é muito
subtil. Os machos têm penas azuis na área
acima do bico e as fêmeas não, além
de que os machos tem a cabeça mais chata e normalmente
são maiores do que as fêmeas. Os machos também "assobiam" e
um macho em "cio" tem um comportamento especifico,
assobiando e chamando a fêmea para o ninho. Nalgumas
linhas o azul na cabeça dos machos é quase
inexistente, noutras o macho tem muito azul, cobrindo uma área
que se estende por cima do bico até à linha
dos olhos, ora isto possibilita que os machos Opalinos
(rosa) possam ter azul na cabeça, portanto o meu
concelho é que procurem machos com o mais azul possível
e fêmeas filhas de casais em que o macho tem muito
azul na cabeça.
Criadores habituados
a espécies de psitacideos mais "normais" esperam
geralmente que os casais compatíveis tenham determinados
tipos de comportamento nomeadamente catarem-se mutuamente
(aloprening) e o macho alimentar frequentemente a fêmea,
no Bourke tal não acontece, de facto os membros
do casal ignoram-se mutuamente na maior parte das ocasiões,
e só quando começa a época de reprodução é que
o macho alimenta a fêmea, e inicia a corte assobiando
e inspeccionando o ninho tentando atrai-la para lá.
Em termos de
alojamento várias questões têm que
ser consideradas; a primeira é o espaço de
vôo, os Bourkes têm tendência para engordar
se mantidos numa dieta normal de sementes secas e, especialmente,
se lhes for fornecido muito girassol. Para além
dos problemas de saúde decorrentes a fertilidade
será menor, portanto, à que ver a quantidade
de exercício que a ave tem hipótese de efectuar.
Eu recomendo um espaço não inferior a 1 metro
de comprimento, mas havendo espaço o ideal seriam
gaiolas com mais de dois metros.
Depois à que
pensar, se vamos criá-los em colónia ou sozinhos,
a maioria dos criadores prefere criar com os casais separados,
mas se houver espaço (mais de quatro metros de comprimento)
pode-se tentar a criação em colónia
ou em sistemas de trios, ou seja um macho e duas fêmea,
eu pessoalmente já experimentei o sistema de trios
em Bourkes e em Esplendidos, com resultados diferentes,
os Bourkes fêmea disputaram constantemente os ninhos,
apesar de terem 4 ninhos a disposição, por
outro lado as duas fêmeas de Esplendido tinham tendência
para pôr no mesmo ninho, e só tinham problemas
quando as crias nasciam. Como já foi dito também é possível
usar os Bourkes num viveiro com pequenos exóticos,
ou mesmo com Esplendidos, ou Elegantes.
Mas, a questão
mais importante é sem duvida o tipo de fundo da
gaiola, esta situação tem que ser muito bem
analisada antes da compra das aves porque a alta mortalidade
dos neophemas em Portugal está directamente relacionada
com o tipo de alojamento.
Para além
de passarem muito tempo no solo estas aves passam muito
tempo a mexer no que encontram, o que incluí é claro
os excrementos deles ou de outras aves, e mais grave as
crias ao saírem do ninho e começarem a procurar
comida tentam também comer o que encontram o que
resulta numa elevada mortalidade juvenil por coccidiose,
entre outras patologias, devido á contaminação
fecal.
Para solucionar
este problema o ideal seria gaiolas com fundo em rede de
maneira a que as aves não tivessem contacto com
os excrementos, no entanto as aves adultas sentem-se aparentemente
desconfortáveis neste tipo de gaiola, porque não
podem correr pelo chão, o que pode ser negativo
no ritual de corte (isto é, teoricamente, mais grave
no caso do Esplendido), portanto ou se usa gaiolas com
fundo em rede ou se se usarem gaiolas com chão deve-se
mantê-las o mais limpas possível.
Ao contrário
de outros psitacideos, e como já foi referido anteriormente,
a compatibilidade entre os membros do casal não é um
problema sério, o macho e a fêmea não
interagem regularmente antes da época de criação
e não revelam comportamentos que posam indicar se
o casal é compatível, os membros do casal
não se catam mutuamente e o macho geralmente só alimenta
a fêmea na época de reprodução,
quando em Dezembro as aves começam a mostrar interesse
um pelo outro, coloca-se um ninho, este pode ser de vários
modelos desde um para Agapornis até um para caturras,
o importante é que tenha um pau para o macho poder
ficar a entrada do ninho e chamar a fêmea para entrar
, ao mesmo tempo o macho começa a alimentar a fêmea,
e assim que esta começa a entrar no ninho e a escavar
o material (como material eu costumo usar uma camada de
aparas de madeira) de modo a formar uma concavidade, é sinal
que está pronta a começar a postura.
A postura consiste
normalmente de 4-6 ovos brancos que são chocados
durante 18 a 20 dias, (a fêmea geralmente começa
a chocar a partir do segundo ovo). As crias nascem cobertas
por penugem branca, sendo alimentadas inicialmente pela
fêmea e posteriormente pelo macho, podem surgir problemas
nesta fase com as crias a morrerem entre os 6-12 dias muitas
das vezes com o papo cheio, se isso acontecer eu adiciono
Mycosan® à agua ou à papa, o problema
fica geralmente resolvido, se não dispuserem de
Mycosan® podem experimentar um antibiótico de
cria, ou mesmo um antibiótico de largo espectro.
As crias crescem
depressa e saiem do ninho muito cedo, às vezes ainda
não são capazes de voar quando saiem do ninho
o que, no inverno, é complicado, o melhor é pegar
na cria e pô-la em cima do ninho, no dia seguinte
ela já deve voar, a independência é rápida
mas é também o período mais critico,
e onde pode haver mais mortalidade das crias, deve-se ter
especial cuidado com a higiene nesta fase, a fêmea
entretanto começa com a segunda postura, o que não é aconselhável
porque as crias podem atrapalhar os pais e impedir a cópula.
O melhor sistema é retirar o ninho assim que as
crias saiem e voltar a colocá-lo quando as crias
forem separadas dos pais.
Existem várias
mutações sendo as mais conhecidas o "Fallow" (amarelo)
e o "Opalino" (rosa) estas podem ser combinadas
no "Opalino Fallow" que geralmente é conhecido
como "Pink" nos países de língua
inglesa por oposição ao Opalino que nos chamamos "Rosa" e
eles "Rose".
Opalino: Normalmente
conhecido como rosa, esta mutação provoca
perda de melaninas ao mesmo tempo que aumenta os lipocromos,
a mutação provoca um efeito variável
de indivíduo para indivíduo, sendo alguns
de um rosa muito forte enquanto outros são mais
pálidos de um rosa muito claro, isto é típico
das mutações opalinas, e verifica-se o mesmo
nos Periquitos ondulados opalinos e nas Roselas Omnicolor
opalinas. Nalgumas linhas os machos podem apresentar azul
na cabeça e noutras não, uma vez que se torna
difícil distinguir o sexo nas linhas em que o macho
não apresenta azul, é aconselhável
tentar arranjar aves das linhas "azuis", estas
variações não são causadas
por mutações propriamente ditas mas por variações
da expressão de uma mutação principal
(neste caso a opalina), causadas por genes secundários
que influenciam o funcionamento da principal. Esta mutação é recessiva
ligada ao sexo, o que quer dizer que a mutação
se encontra num gene do cromossoma X (ou Z).
Fallow: Mutação
recessiva caracterizada por uma diluição
das melaninas, alelo do ino não ligado ao sexo,
existe portanto uma forma intermédia muito clara.
Lutino: Ino
ligado ao sexo, a ave não apresenta melaninas, ficando
portanto amarela e rosa, combinado com o Opalino dá o
Opalino Ino, mais conhecido por Rubino, este é uma
ave espectacular com um rosa mais forte e um amarelo intenso.
Existem várias
outras mutações que ainda não estão
disponíveis em Portugal ou que não são
facilmente distinguíveis das outras, e que à medida
que forem sendo conhecidos mais pormenores serão
adicionadas ao artigo.