As principais
formas de alimento vivo são o "asticot" (larvas
de mosca), as trelas (larvas de um coleóptero),
minhocas, vermes brancos e moscas da fruta (drosophilas).
Não é necessário ter todas estas variedades,
mas se possível isso seria o ideal. Acima de tudo
vai depender das espécies com que trabalhamos. Os
exóticos mais pequenos como o peito-de-fogo precisam
de insectos também pequenos e o melhor são
as moscas da fruta e os vermes brancos, aves maiores como
o peito-celeste podem criar os filhos com trelas pequenas
e asticot (embora adorem os afídios), os insectívoros
puros preferem larvas grandes e minhocas, e até mesmo
alguns pedaços de carne.
A principal
função do alimento vivo é fornecer
proteína. Não é que esta não
exista nas papas com que suplementamos os granívoros
em criação, trata-se mais de um problema
comportamental e instintivo em algumas espécies.Os
estrildídeos pequenos, alguns fringilídeos
e obviamente os insectívoros, quando têm crias
procuram instintivamente alimento vivo para elas, mesmo
tendo as papas ali à frente e mesmo que as consumam!
Os peitos de fogo por exemplo consomem facilmente papa
de insectívoros, mas não a dão às
crias porque nos primeiros dias tentam encontrar alimento
que lhes entreguem no bico e não seja regurgitado
(papas e sementes). O mesmo se passa com os insectívoros,
quem alguma vez vir uma casal de insectívoros alimentar
as crias repara que o modo como o fazem não é igual
ao dos granívoros puros que enfiam a comida dentro
do bico das crias, nos insectívoros a comida é geralmente
largada no interior do bico sendo depois engolida pela
cria.
Existem duas
hipóteses de se fornecer alimento vivo, ou criamos
nós mesmos esse alimento sob diversas formas, ou
então podemos recorrer a boas lojas ou empresas
que fornecem este tipo de alimentos e fazem a entrega por
correio.
"Asticot"
São
pequenas larvas brancas com cerca de 1-2cm de comprimento.
Não é dos melhores alimentos vivos mas ganha
vantagem por ser muito fácil de encontrar na maioria
das lojas de pesca, pois é usado como isco. Além
do mais são relativamente baratos, podendo comprar-se
em grande quantidade. Não devemos comprar muito
porque as larvas desenvolvem-se e transformam-se em moscas,
o que podemos atrasar se as deixarmos no frigorifico.
O problema
destas larvas é que são criadas em carcaças
de animais mortos e podem transmitir algumas doenças.
Já vi referências a botulismo, uma doença
causada pelas bactérias Clostridium botillium que
produzem um dos venenos mais poderosos que se conhece.
Uso asticot há vários anos, até como
pescador, e nunca tive nenhum problema com isso. Tenho
cuidado de manter as larvas numa mistura seca de farelo
e serradura no frigorífico e lavá-las muito
bem na torneira antes de dar aos pássaros, o que é muito
fácil de fazer com uma rede ou passador.
Já tentei
ferver as larvas depois de lavadas, mas como é lógico
isso causa a sua morte e as aves preferem receber o alimento
vivo.
Bichos da farinha
("Trelas")
As trelas são
a fase larvar de um escaravelho (Tenebria molinitor). São
um bom alimento, mas com muita gordura, pelo que temos
de ter atenção e não exagerar nas
quantidades oferecidas. Não são fáceis
de comprar e relativamente caras, pelo que a hipótese é formar
uma cultura e reproduzir estas larvas.
Não é difícil
de criar, mas requer cuidados e algum trabalho especialmente
até se encontrar o equilíbrio certo entre
a quantidade produzida e a consumida. Acontece muitas vezes
que não temos larvas disponíveis quando precisamos.
Eu mantenho
uma cultura em recipientes de plástico largos. Num
deles estão os escaravelhos adultos que põem
os ovos. Cada duas semanas tiro estes escaravelhos e coloco-os
num recipiente novo com uma mistura de farelo, serradura,
germen de trigo, flocos de aveia e uns pedaços de
maçã para manter a humidade, voltando a colocá-lo
no mesmo sítio.
A mistura onde
estavam os escaravelhos está cheia de ovos e passo-a
para o recipiente de baixo, onde as larvas se vão
desenvolver. Passadas mais duas a três semana vou
vendo como estão as larvas e separando estas para
um mistura limpa. Este sistema permite ter larvas de diferentes
tamanhos e ir gastando-as ao longo de duas semanas (dos
3 recipientes um tem ovos, outro larvas e outro escaravelhos).
O inconveniente é que esta cultura, além
de não ter grande produção de larvas,
caso começem a morrer, exala um cheiro pouco agradável!!
Vermes brancos
São
uns vermes cilíndricos muito pequenos que vivem
na matéria vegetal em decomposição.
São muito fáceis de manter a partir de uma
cultura inicial que podemos obter procurando alguns destes
vermes por baixo de uma árvore morta ou de um vaso.
Basta ter um
balde ou vaso com terra de flores, uma camada fina de farelo
e ir colocando semanalmente uma fatia de pão molhada
em leite. Reproduzem-se muito rapidamente e é fácil
retirar alguns com uma colher para dar às aves.
Podemos até fazer culturas mais pequenas que se
dão de uma só vez e depois reabastecemos
da cultura principal.
Moscas da fruta
São
fáceis de arranjar, mas temos de ser nós
mesmos a criá-las, para tal basta colocar ao sol
pedaços de fruta e cascas de banana dentro de um
frasco. Quando vemos as pequenas moscas lá dentro
tapamos o bocal do frasco com uma gaze e deixamos ficar
por uma semana. As larvas desenvolvem-se e tornam-se moscas
bastando abrir o frasco no viveiro. O problema é que
quando abrimos o frasco muitas fogem e poucas são
comidas. Em viveiros exteriores podemos fazer uma cultura
maior numa caixa de plástico tapada com uma rede
de dimensão que permita a saída das moscas
adultas, assim existe sempre um stock contínuo no
próprio viveiro. Se tivermos duas ou mais culturas
podem-se alternar deixando recuperar a população
de moscas e larvas.
É um
bom sistema para ter em aviários exteriores com
abrigo, frutas como pêra, banana e melão são óptimas
para criar moscas. Em algumas situações podemos
mesmo abrir as caixas e deixar que as aves procurem as
larvas e moscas lá dentro desde que não existam
fungos e bolores é claro.
Grilos, gafanhotos
e aranhas
São
um bom alimento para os verdadeiros insectívoros,
quem quiser e tiver o tempo necessário pode apanhar
estes insectos pelos jardins e campos e guardá-los. É uma
maneira boa para dar uma guloseima às aves, mas
dificilmente se consegue ter a quantidade suficiente para
manter um casal em criação.
Os gafanhotos
podem apanhar-se no verão e guardar em caixas de
madeira ou rede com alguma verdura e mistura de farelo,
o mesmo que os grilos. Se tivermos algum espaço
pode mesmo ser que se consiga reproduzir os grilos de um
modo semelhante ao usado para as trelas. Grilos pequenos
são na minha opinião um alimento óptimo
para quase todos os insectívoros até ao tamanho
dos melros.
Formigas de
asa
Conhecidas
entre os passarinheiros como isco para as ratoeiras na
altura do outono, são estas formigas aladas que
surgem para se dispersarem e formarem novas colónias.
Todas as aves adoram este alimento e vê-se facilmente
que as aves selvagens perseguem-nas em vôo e consomem
muitas quando disponíveis.
São
difíceis de criar, mas podemos apanhá-las
na altura certa e deixá-las numa caixa de madeira
ou plástico numa mistura de serradura e farelo com
alguns pedaços de cenoura e um prato com um pouco
de água no fundo. Consegue-se que durem vários
meses nestas condições e, acima de tudo,
que mantenham as asas que costumam cair. Todas as aves
africanas adoram estas formigas em especial as maiores.
Os tecelões chegam mesmo a coordenar o seu ciclo
reprodutivo com o aparecimento das formigas e costumam
construir inúmeros ninhos quando começam
a alimentar-se delas.