Na grande maioria
dos casos, não se deve este facto a menor ou maior
pericia de uns e outros criadores, nem talvez a uma menor
qualidade das aves em si, mas a algumas falhas a nivel
de selecção que podem, em poucas gerações,
fazer baixar o nível do efectivo. Isso não é de
louvar nem defender, nem tão pouco beneficia a avicultura
nacional. É o velho perigo das médias quando
aplicadas a extremos muito afastados. Temos antes de tudo
o resto de perceber uma coisa, a selecção
leva tempo, gerações, anos, décadas,
até se notarem os seus verdadeiros efeitos no nível
das nossas aves. Isso é um grande problema para
o amador menos atento, que quase sempre não nota
os verdadeiros avanços que produz com as suas aves
e deixa-os perder, não os reproduzindo em gerações
futuras. E se alguém uma vez disse que "uma
mutação nova não tem de ser vistosa,
mas sim notada", o facto é que a selecção
em si não pode ser encarada como as mutações,
a selecção ocorre por e nas mutações!!
A selecção,
como meio de melhoramento, tem em vista a reprodução
das aves que apresentam algum factor de interesse mais
desenvolvido que outras, que as torna melhores nalguns
pontos. Torna-se necessário distinguir os efeitos
causados num indivíduo devido à sua base
genética e ao ambiente. São distintos e é assim
que os devemos encarar e trabalhar. As condições
ambientais são facilmente alteráveis e corrigidas
e devem, sempre, permitir (ou tentar) que as aves exprimam
todo o seu potencial genético. Como princípios
básicos para a evolução da qualidade
das aves devemos considerar:
- conhecimento
e aproximação das aves ao "standard";
- melhoria
das condições ambientais;
- Estabelecimento
de linhas estáveis de reprodutores de bom valor
genético;
- Conhecimentos
básicos de genética das aves com que trabalhamos;
- Noção
dos pontos a melhorar no efectivo.
Dito isto resta
adiantar uma única coisa. A ornitofilia basea-se
não só na amizades que se fazem, mas também
na competição saudável (porque também
há a outra…) que se cria ao expôr as
aves. É nas exposições que se mostra
o trabalho de uma época e se compara esse trabalho
com o de outros criadores e amigos. De nada serve escrever
e ler sobre genética, reprodução e
tudo mais para depois deixarmos as nossas aves em casa
enquanto nas exposições dizemos ter melhor,
mas que ficou em casa… È sobre a qualidade
genética das aves que nos devemos debruçar.
Mas porquê, afinal, todo este empenho na selecção?
O princípio é simples e todos o conhecem
decerto, escolhem-se as melhores aves para que as crias
sejam melhores. O problema reside em saber o que é "melhor",
como é que definimos uma ave como "melhor"?
Isso implica muita coisa pois podemos seleccionar em tamanho,
cor, marcações, postura, tipo, etc… No
fundo cada factor pode ser seleccionado por si só separadamente,
mas as aves demonstram todos eles. Infelimente que quando
seleccionamos num sentido os outros tendem a piorar. O
importante é seleccionar de um modo equilibrado
e racional, não procurar milagres com aves muito
boas que se compram e depois se desperdiçam em efectivos
medianos. Voltemos pois um pouco atrás para que
não se perca o correcto raciocinio.
Poucos são
aqueles que começam nesta actvidade com aves de
grande qualidade. A maioria começará com
aves encontradas nas lojas, com poucos ou nenhuns fundamentos
da sua genética e só mais tarde ganhará o
verdadeiro interesse de melhorar as suas aves. Todos os
seres exibem, naturalmente, uma diversidade genética
própria, ela é, aliás, a base da evolução
natural. Essas diferenças também surgem em
cativeiro. Enquanto a natureza selecciona aqueles indivíduos
mais aptos para sobreviverem e, depois, de reproduzirem,
nós seleccionaremos os mais "aptos" na
característica que pretendemos melhorar. Procuramos
obter a ave mais bela, mais composta em termos de postura,
enfim, satisfazer os requisitos que um juiz especializado
avalia na ave. Não me vou referir às situações
que por certo a grande maioria dos criadores encontrou
de inicio ao trabalhar com aves desconhecidas e, muitas
vezes, de menor qualidade. Vou saltar um pouco essa parte
e começar duma altura mais avançada quando
o iniciado terá já establecido um conjunto
de alguns casais e se dedica agora a criá-los.
A primeira
questão é qual o número de casais?
De um modo
muito geral não podemos apontar regras neste sentido,
para qualquer espécie, existem inúmeras mutações
e combinações para se poder aconselhar um
número. O que se deve fazer é começar
por linhas simples ou mutações simples, designa-se
isto por linha base. Uma linha é, por definição,
um conjunto de indivíduos com características
semelhantes que, reproduzidos entre sei, originam descendentes
semelhantes a eles. Não se aproxima isto da definição
de liha pura, pois essas exigem uma maior estabilidade
e regularidade dos indivíduos produzidos. Devemos
procurar nesta fase que as nossas aves reprodutoras produzam
descendentes minimamente previsíveis. Casais que
produzam resultados pouco estáveis não devem
ser incluidos em linhas base. Em relação à quantidade
o principal factor a evitar é a consanguinidade.
3 casais será o mínimo aceitável para
formar uma linha inical, 5 o recomendável 8-10 o
ideal.
A selecção
apenas faz sentido quando nos referimos a linhas de aves,
não a indivíduos singulares. O individuo é uma
parte da linha e a sua qualidade a demonstração
da qualidade da linha. Não é importante ter
uma ave muito boa, produzida uma vez cujo nível
depois não podemos manter. Por isto quando se adquirem
aves novas para melhorar eles deverão ser sempre
muito melhores, mesmo que isso custe dinheiro. Uma boa
ave não faz milagres. Desiludam-se os que acreditam
que comprando as melhores aves de uma época e cruzando-as
entre si ou com as suas melhoram muito o seu nível.
Talzez numa primeira geração, mas dificilmente
isso perdurará em gerações futuras
simplesmente porque as bases genéticas são
demasiado distintas. Passado algum tempo começa
a haver de novo demasiada irregularidade nos denscendentes
dessas aves. Deve-se manter uma linha base sólida,
estável, sobre a qual se melhoram as outras aves.
As alterações e melhorias de uma linha medem-se
em grande parte, pela estabilidade dos resultados obtidos,
pela manutenção de um nível de qualidade
acima da média dos progenitores. É regra
básica da selecção que apenas se deve
reproduzir como superior o que realmente for superior ao
nivel médio da ascendência, ou seja, só nos
interessam aves que sejam melhores que os pais. Tudo o
resto será pouco provável que traga melhorias.
As aves compradas
para melhorar o efectivo devem SEMPRE ser usadas em aves
novas (embora com certeza da sua fertilidade) porque essas
crias deverão ser no mínimo tão boas
como os seus progenitores. As melhores aves nem sempre
devem ser acasaladas às melhores, isto provocaria
uma diferença entre os resultados de alguns casais
que não poderíamos compensar no futuro. Um
bom acasalamento deve garantir que as qualidades de ambas
as aves se complementa nas crias. Em suma, só seleccionando
racionalmente as melhores aves podemos melhorar o nosso
efectivo. É essencial que se participe em exposições
onde vamos medir essa melhoria, que se trabalhe no sentido
de obter resultados estáveis e fiáveis não
casuais e, acima de tudo, que se perceba a importância
de criar e manter linhas, evitando renovações
maciças do efectivo entre épocas e se ganhe
confiança nas qualidades das nossas aves. Ao manter
e substituir reprodutores deve-se manter sempre que isso
interesse à selecção descendentes
destes para garantir a continuidade de uma base genética
estável e familiar às outras aves.
Os registos
produtivos são de extremo valor para se melhorarem
os resultados. Sem registos correctos de descendência
não podemos controlar o nosso efectivo por muito
tempo. Só mantendo estas condições
podemos melhorar as aves, a sua qualidade e a nossa competitividade
e valor como criadores.