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Assim os animais dizem "te amo"
Fonte: Superinteressante
Animais costumam misturar ternura e agressividade em seu
relacionamento amoroso. É a sábia natureza
que os faz assim, para garantir que as espécies se
reproduzam e sobrevivam. E os obriga a estranhos rituais,
marcados por lutas de vida e morte, fantásticos truques
de sedução, cuidados com as crias. O amor e
o ódio se tocam. O primeiro pode, inesperadamente,
transformar-se no segundo. E vice-versa. No reino animal,
esta máxima toma a força de quase uma lei.
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Quem já teve
a oportunidade de presenciar os jogos amorosos de um casal
de rinocerontes, por exemplo, percebeu isto: machos e fêmeas
dão encontrões violentos, vezes e vezes seguidas,
como se estivessem fazendo a guerra e não o amor.
Mas quando livres de sua agressividade tudo se transforma.
Tal como entre os humano, entre os bichos também
não é fácil a vida de um macho conquistador.
Dele se espera que seja corajoso, fisicamente forte e dono
de uma extraordinária imaginação.
Pois quase sempre precisará passar por provas complicadas,
sendo obrigado a cantar de forma especial ou a exibir plumagens
elegantes, perfumes sedutores, praticar gestos que em qualquer
outra situação pareceriam ridículos.
Mais comum é ele precisar enfrentar batalhas de
vida ou morte com os machos interessados na mesma namorada,
ou então com a própria eleita do seu coração.
Veja-se o que acontece com o tigre, por exemplo. Para chegar ao acasalamento,
o macho precisa de uma grande paciência para acalmar a fêmea, que
rosna, negaceia, dá-lhe patadas. Uma vez consumada a fecundação,
ele precisará fugir rapidamente, pois a companheira terá uma invencível
vontade de matá-lo. E, ainda assim, se o nosso herói for persistente,
acabará por estabelecer com essa parceira uma relação duradoura,
capaz de produzir muitos outros tigrezinhos no futuro -- e outras tantas ameaças
de assassínio. Um romance entre aranhas pode ter final parecido se o macho,
em geral menor e mais fraco, não tomasse o cuidado de se apresentar à sua
eleita com um presente galante -- um petisco qualquer para saciar seu apetite.
Rãs, ao contrário, são mais românticas e sexualmente
liberadas. Ao macho, basta manifestar seu desejo coaxando de uma maneira especial:
se a resposta vier no mesmo tom, tudo bem. Ele precisará então
arranjar um companheiro, pois os encontros amorosos da espécie são
sempre festivos, coloridos e coletivos. Mas o traço mais característico
e comum do amor entre os animais é a agressividade. Que não é gratuita
nem questão de temperamento, mas tem uma profunda significação.
Ela se destina tanto a proteger um território onde apenas um macho deve
reinar soberano, como a selecionar os mais fortes da espécie, para que
apenas eles produzam filhotes igualmente fortes; ou, finalmente, a proteger as
crias, que jamais podem se confundir com as crias de outro casal. Leões
e leoas são assim. Bravos e mal-humorados com estranhos, fazem tudo para
defender seu território e suas crias. Essa agressividade, portanto, é indispensável
para garantir a sobrevivência das espécies. Mas, se sofrem algum
tipo de controle, podem levar também ao caos e ao extermínio.
Por isso mesmo a natureza costuma dotar os animais de bloqueios, para evitar
que sua disposição para a luta não ultrapasse os limites
da conveniência. E é surpreendente verificar como as formas de vida
das diferentes espécies está relacionada com a agressividade dos
seus membros. Se machos e fêmeas são pacíficos, formarão
colônias; se só o macho é agressivo, formarão haréns;
se ambos são agressivos, formarão um par capaz de manter uma longa
união monogâmica.
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