A cabeça
negra (CN) é um rasgo recessivo ligado ao sexo,
pois só os machos podem ser dupla diluição
(DD) e expressar uma cabeça negra, ou somente diluição
simples (DS) e ser portador de cabeça negra, e as
fêmeas somente podem ser diluição simples
(DS) expressam-no sempre. Nenhuma fêmea pode ser
portadora da cabeça negra.
O cabeça
laranja (CL) é um rasgo recessivo autosomico , mas
também requer pelo menos um gen principal vermelho
presente para expressar-se. Se dois genes principais cor
de laranja estão presentes num gould que não
tenha nenhum gen principal vermelho ( no lugar de outro
que tem genes principais negros ), o pássaro terá uma
cabeça negra com um bico laranja (CLPL). Isto acontece
porque o pássaro é portador de cabeça
laranja, mas não pode expressar a cor laranja porque
depende do gen principal vermelho para expressar-se, e
o gen principal vermelho não está ali. Os
machos e as fêmeas podem ser portadores de cabeça
laranja.
PONTOS
DE ACÇÃO
DA GENÉTICA
Nesta espécie
existem 3 zonas distintas todas elas afectada por diferentes
genes o que por um lado facilita as coisas, mas complica
o trabalho necessário para as combinar.
Temos a cabeça
que pode ser vermelha, preta ou laranja (erradamente denominada
amarela ,pois uma verdadeira mutação amarela
está agora a ser desenvolvida). As combinações
em que esta zona surge branca ou cinzenta (vulgar nos prateados)
são geneticamente indivíduos de cabeça
preta. O corpo (costas) é na variedade normal verde
existindo mutações amarelas e azuis, que
podemos combinar para obter prateados e argentes. Por fim
o peito pode ser roxo ou branco.
Geneticamente
todas estas acções são independentes
(ou quase...). Vejamos cada um dos factores existentes
por zonas:
Cabeça
Vermelho - Dominante sobre o preto e ligado ao sexo.
Preto - Ligado ao sexo. Recessivo para o vermelho mas dominante sobre o amarelo.
Laranja - Recessivo autossómico para o preto mas epistático sobre
o vermelho.
Peito
Roxo - Dominante
Branco - Recessivo
Corpo
Verde - Dominante
Amarelo - Codominante ligado ao sexo
Azul - Recessivo
A cabeça
merece uma análise mais profunda que será feita
mais adiante. Em relação ao corpo é fácil
perceber como funcionam as coisas. A variedade selvagem é verde,
como o amarelo é codominante ligado ao sexo apenas
os machos podem ser portadores (pastéis). Neste
caso a cor das costas é um verde claro pois o amarelo
vai diluir esta zona. As fêmeas ou são amarelas
ou normais. Todos os filhos de uma fêmea amarela
com um macho normal serão pastéis e as filhas
normais. Num casal macho pastel e fêmea normal teremos
todas as crias amarelas como fêmeas e alguns machos
pastéis. Um macho pastel com uma fêmea amarela
produzem amarelos de ambos os sexos e pastéis. Dois
amarelos só produzem amarelos.
O azul é recessivo
e portanto a ave tem de receber o gene azul de ambos os
pais. Os verdes podem ser portadores de azul e os azuis
que forem combinados com o gene amarelo vão ficar
mais claros devido ao amarelo ser co-dominante. Um macho
azul pastel é chamado de "argenté" pois
a sua coloração é um bege claro e
um macho azul amarelo é um prateado. Os brancos
são fruto da combinação complexa de
pratas com azuis de cabeça preta (fenótipo
cabeça branca) amarelos de peito branco.
Em relação
ao peito o roxo é dominante e o branco recessivo.
As variedades
mais espectaculares são os prateados e os brancos,
mas para isso temos de combinar os vários factores
no mesmo pássaro. Isso requer muitas contas e um
bom conhecimento da genética das aves com que trabalhamos.
Claro que haverá criadores que defendem os contrastes
das linhas clássicas com toda a sua razão!!
Mas a combinação dos diversos factores até à produção
de indivíduos brancos ou prateados é muito
interessante e produz aves de grande valor genético.
Existem já algumas
novas mutações, mas são raras, nomeadamente
os inos e factores de diluição e escurecimento,
pelo que sei muito pouco sobre estas para as descrever.
De qualquer modo deve demorar no mínimo uns anos
até que quem as tem de momento se "farte" e
deixa sair uns quantos até Portugal!
Acção
bioquímica na formação da cor da cabeça
A melanina é o único
pigmento presente na coloração da cabeça
em goulds de cabeça preta. A Cantanxatina (um beta-caroteno) é o único
responsável pela cor vermelha, enquanto que um alfa-caroteno é determinante
da cor laranja.
Podemos ver
que os vermelhos e amarelos são totalmente distintos
e não uma diluição da mesma cor vermelha
como por vezes se pensa. O processo bioquímico assenta
em pigmentos totalmente distintos. Também a própria
estrutura das penas é diferente em aves de cabeça
preta, vermelha e amarela, nomeadamente pela redução
das barbelas nas cabeças vermelhas e amarelas o
que pode indicar a presença de um segundo gene em
ligação absoluta com estes que também
afecta este factor. A acção genética
por detrás das diversas cores de cabeça prende-se
com a capacidade de determinados genes de desviarem a produção
de pigmentos responsáveis pela formação
de uma destas cores. Isto é particularmente evidente
no caso da cabeça laranja que é obtida por
uma transformação dos pigmentos da cabeça
vermelha, daí que o gene para vermelho também
tenha de estar presente.
MECANISMOS
GENÉTICOS DA COR DA CABEÇA DO DIAMANTE DE
GOULD
A cor da cabeça
nestas aves pode apresentar 3 tipos : vermelho, preto e
amarelo.
A explicação
completa dos mecanismo que a controlam é demasiado
extensa pelo que apenas se apresenta uma breve noção.
No capítulo referente a genética são
explicados alguns termos e mecanismos básicos de
transmissão genética. O interacção
das diferentes zonas torna o cálculo genético
mais complexo para esta espécie uma vez que temos
de considerar sempre as diversas áreas como uma
parte da combinação final.
A cor da cabeça
está dependente, assim como a do corpo, da constituição
genética da ave (conjunto dos seus genes). Quando
do acasalamento e da fertilização cada progenitor
passa metade da sua informação genética
(que têm em duplicado) à cria. Como os pais
podem ser geneticamente diferentes a cria terá um
fenótipo (manifestação da constituição
genética) que resulta do modo como as duas metades
recebidas dos pais actuam entre si. Neste caso específico
o gene que têm a ordem para cabeça vermelha
domina o da cor preta, mas o preto domina o laranja ao
mesmo tempo que o laranja "domina" (na realidade
esconde...) o vermelho. Parece confuso, mas na verdade
não é.
O genes para
vermelho e preto estão nos cromossomas sexuais,
nomeadamente no cromossoma Z. Nas aves o sexo é determinado
por um par de cromossomas Z e W, fêmeas são
ZW e machos ZZ.
Assim, nos
machos existem dois locais disponíveis para estes
genes ligados ao sexo, o que faz com que a transmissão
seja semelhante aos caracteres autossómico. Nas
fêmeas por seu lado existe apenas um local e qualquer
alelo presente, mesmo que recessivo, é o que irá ser
expresso no fenótipo.
A transmissão
da cor da cabeça nos goulds é mais simples
de perceber assumindo a cabeça preta como o fenótipo
normal e estudando o efeito da presença dos outros
genes para vermelho e amarelo.
Através
deste processo é possível descrever todas
as combinações sem acrescentar o problema
da hereditabilidade da cabeça preta.
Assim sendo,
uma fêmea de cabeça vermelha só tem
um gene vermelho pois só tem um cromossoma Z, mas
um macho pode ter um gene vermelho e um gene preto ao mesmo
tempo (um em cada cromossoma Z). Como o vermelho domina
o preto este macho tem cabeça vermelha. Uma fêmea
que tenha um gene para o preto tem de ter cabeça
preta porque só tem um cromossoma Z, enquanto que
um macho de cabeça preta tem de ter dois genes de
preto, um em cada cromossoma.
Até aqui
ainda é simples porque estes genes estão
no mesmo cromossoma. O laranja por sua vez não está nos
cromossomas sexuais, mas sim nos autossomas. Funciona como
o preto, são precisos dois genes laranjas para se
mostrar, mas, além disto, como o preto domina o
laranja é preciso que esteja também presente
pelo menos um gene vermelho nos cromossomas sexuais. Isto é,
só aves de cabeça vermelha pura (ou portadoras
de preto) poderão ter crias de cabeça laranja
(ou um cabeça preta desde que cruzado com outro
de cabeça vermelha). Neste caso o laranja vai esconder
o vermelho mas precisa que este esteja presente para dominar
o preto. Uma ave de cabeça preta pode ser portadora
de amarelo mas nunca o mostra. Isto acontece porque é preciso
que o gene vermelho desvie a produção de
pigmento de preto (eumelanina) para vermelho (beta-caroteno)
para que o laranja possa levar à produção
da cor laranja (alfa-caroteno)
Isto tudo faz
com que os resultados obtidos com as cores vermelhas e
preto afectem directamente a expressão do laranja
e estejam dependentes do sexo dos progenitores e crias.
Muita das dificuldades
em perceber correctamente este processo resulta de se esperar
e trabalhar este factor como uma transmissão normal
com hereditabilidade clara, o que não é verdade.
Neste caso o mais fácil para percebermos rapidamente
como funciona é a comparação ao jogo
do pedra, papel e tesoura. O preto domina o laranja, mas
o vermelho domina o preto, no entanto o laranja domina
o vermelho.
A cabeça
preta é o fenótipo mais abundante no estado
selvagem. Na realidade as populações selvagens
com diferentes colorações de cabeça
formam subespécies por habitarem diferentes zonas
do continente australiano o que dificulta o cruzamento
entre elas e assim permitiu fixar os respectivos genes.
Alguns autores assumem portanto a cabeça preta como
uma ausência de genes modificadores da cor da cabeça. É herdada
como um gene recessivo ligado ao sexo.
O vermelho é um
gene ligado ao sexo dominante sobre o preto. Os machos
de cabeça vermelha podem ter 1 gene vermelho (vermelhos
FS) ou 2 (vermelhos FD). Caso não tenham nenhum
são de cabeça preta. Como estes genes estão
no cromossoma Z a fêmea pode apenas ter um gene vermelho
ou preto, nunca um de cada como os machos.
Assim, uma
fêmea de cabeça vermelha tem só um
gene de cabeça vermelha e porque o seu cromossoma
Z é sempre passado aos filhos macho (que recebem
o outro cromossoma Z do pai), todos os machos filhos de
uma fêmea de cabeça vermelha terão
cabeça vermelha, excepto se herdarem também
dois genes autossómicos para cabeça laranja.
Uma das regras é que
fêmeas de cabeça vermelha produzem sempre
filhos de cabeça vermelha ou amarela. O inverso
significa que machos de cabeça preta têm de
ter mães de cabeça preta. Machos de cabeça
vermelha podem produzir filhos de qualquer umas das três
cores, dependendo da fêmea com que os acasalemos
e de serem ou não portadores de laranja.
A cabeça
laranja resulta da interacção de um conjunto
de genes com os determinantes de cabeça vermelha
ou preta. É transmitida como um gene recessivo autossómico
pelo que requer dois alelos para ser visível. Além
disso, como o preto domina o laranja também necessita
que exista pelo menos um gene vermelho nos cromossomas
sexuais do indivíduo. Daqui podemos calcular que
crias de casais de cabeça laranja podem ser de cabeça
preta, embora sejam todos fêmeas (se o macho for
vermelho FS), ou todos de cabeça laranja se o macho
for vermelho FD.
Ambos os sexos
podem ser portadores de laranja sem isso ser visível.
Apenas nos cabeças pretas se pode distinguir os
portadores de dois genes amarelos pois estes têm
a ponta do bico amarelada (no entanto está escondida
pelo preto).