Desta forma,
surgiram de todos os cantos do País criadores de
Periquitos, empenhados em inundar o mercado com estas aves.
Este comportamento veio trazer poucos ou nenhuns benefícios
ao Periquito, pois além de outras situações,
a dada altura, a saturação do mercado fez-se
sentir e esses “criadores” pouco a pouco, foram
abandonando a sua ave de eleição e optando
por espécies que se tornavam agora, bem mais rentáveis.
No entanto
e durante o período de “Ouro” do Periquito,
este foi criado sem qualquer controlo, o objectivo era
apenas conseguir o maior numero de aves possíveis,
sem olhar á sua qualidade e/ou ás condições
em que eram criados. As gaiolas individuais foram colocadas
de parte e iniciou-se a criação em colónia,
que no seu estado selvagem pode ser benéfica, mas
em cativeiro e dado o numero limitado de aves, criou situações
de consanguinidade excessiva que se traduziram numa redução
da qualidade do Periquito, quer em termos de porte, quer
em termos genéticos. Não é raro ver-mos
nas diversas lojas de animais, aves defeituosas, consequência
da descontrolada consanguinidade, sem um objectivo concreto,
que não fosse a produção de aves em
massa.
O período
de “Ouro” do Periquito tinha os dias contados
e esta ave começou a ser vista por aqueles que durante
alguns anos a utilizaram como fonte de receita, como sendo
uma ave de segunda categoria e que não era digna
dos mais “conceituados criadores”.
Esses “ex-criadores” de
Periquitos, dizem agora que estas aves são excelentes
para quem se inicia na Avicultura, passando a ideia de
que são aves banais, pois são de fácil
criação e manutenção, mas será isto
uma realidade ? Bem, penso que não seja assim tão
linear.
Salvo raras
excepções, criar aves é, em termos
gerais relativamente fácil, o difícil é criar
aves de qualidade, ao nível das melhores aves do
mundo, isso sim, é verdadeiramente difícil.
A manutenção
destas aves, requer muito mais do que água e mistura
de sementes e mesmo que assim fosse, no mínimo água
fresca e semente de boa qualidade. Mas infelizmente, a
semente fornecida é em muitos casos de fraca/péssima
qualidade e os bebedouros chegam a ser verdadeiros viveiros
de algas e outros microorganismos que em nada contribuem
para o bem estar das aves
Conheci criadores
que ao fim de 1, 2 ou 3 anos a criar Periquitos, desistiram,
dizendo ser uma ave sem interesse. Mas sem interesse porquê ?
por ser fácil demais ??? Sinceramente não
acredito que findos 1 ou 2 anos se possa definir uma linhagem
e conseguir uma série de reprodutores de primeira
qualidade.
A criação
de aves é, em meu entender, uma ciência e
leva alguns anos até se conseguir obter os resultados
que podemos considerar de excelentes, a menos que se inicie
com aves de excelente qualidade, mas para isso são
necessários conhecimentos e experiência para
dar continuidade a um trabalho já realizado, caso
contrário corre-se o risco de regredir e esta situação
não de coaduna com o estatuto de criador, pois o
objectivo será sempre evoluir, tendo como principal
preocupação a preservação da
espécie e a sua eventual melhoria, este sim, é o
verdadeiro conceito e objectivo do criador.
Mas infelizmente
a criação de aves de gaiola é regulada
pelas modas e as modas reguladas por questões monetárias.
Mas um grupo
de resistentes manteve-se activo, estes sim, dignos de
serem chamados criadores, são acima de tudo, amantes
e admiradores de aves e especialmente de Periquitos, por
tal facto têm sido fiéis aos seus princípios
e mantiveram as suas aves, embora remando contra a maré,
mas conseguiram superar as dificuldades, conseguindo manter
e até superar a qualidade de muitas aves que se
vêem por esse mundo fora.
Todos sabemos
que o facto de ter surgido um Periquito de exposição
( Standart Inglês ), fruto de uma selecção
cuidada, veio em parte, relegar para um plano inferior
o chamado Periquito normal, no entanto, em meu entender, é necessário
dar a volta á situação.
Seria justo
e necessário voltar a colocar o Periquito normal
nas exposições e devolver-lhe o lugar de
destaque que ele merece.
Ao longo destes
anos, continuo sem entender o porquê dos Clubes e
Associações, nunca terem lutado para que
esta situação fosse uma realidade, seria
pois a forma de se conseguir fazer com que os chamados “Periquitos
normais” não fossem vistos apenas como fontes
de receita fácil... ou será que esquecemos
que eles estão na origem do Standart actual ?
Hoje e devido
ao défice de Periquitos que se sente no mercado,
os oportunistas começam novamente a voltar-se para
o Periquito, tentando a exemplo do que aconteceu no passado,
obter lucros fáceis.
O mais absurdo é que
estes oportunistas, além de terem voltado em busca
do lucro fácil e depois de terem denegrido a imagem
do Periquito, vêm agora com novas ideias, tão
ridículas quanto eles próprios. Uma série
de “novas mutações” de Periquitos
cor-de-rosa, vermelhos, laranjas e verdes florescentes,
têm inundado o mercado, esta coloração
artificial tem, como é óbvio, efeitos negativos
na saúde das aves, mas, a par destes pseudo-criadores,
estão também os proprietários de lojas
de animais, que se permitem vender estas aves, sabendo
que as cores artificiais se perderão com o tempo,
( excepto no caso em que, devido aos produtos ministrados
na coloração, as aves acabam por morrer precocemente
), aí pode dizer-se que esta cor se mantém
até ao fim da vida.
Não
me vou referir ao comprador, pois este, em alguns casos é desconhecedor
da situação, pese embora o facto de outros,
que conhecem a situação mas acabam por adquirir
estas aves, incentivando desta forma a continuação
da sua produção.
É hora
de dizer a estes senhores, BASTA!. O Periquito merece ser
elevado ao estatuto a que tem direito, é necessário
que algo se faça para contrariar os oportunistas,
mas primeiro é necessário que haja abertura
e sobretudo, espírito de união.
Vamos começar
por orientar os novos criadores, incentivando-os a fazer
o que está certo e não o que é fácil.
Ainda se sente
muita falta de vontade em ajudar os mais novos, por vezes
o receio de sermos ultrapassados, leva-nos a esconder conhecimento,
mas esquecemos algo muito importante, já todos fomos
ultrapassados, mas não foi por aqueles que tinham
muitos conhecimentos, mas por aqueles que só procuraram
a compensação financeira e conseguiram relegar
o Periquito para um lugar de segundo plano, no qual ele
não merece estar.
Já chega
da velha teoria de que, “sozinho não posso
mudar o mundo”, pois enquanto pensarmos dessa forma,
fechamo-nos numa concha e um dia olhamos para trás
e sentimos que a vida passou por nós, mas nós
quase que não demos por ela, nem deixámos
sequer o nosso cunho pessoal.
Como sempre
ouvi dizer: “DOS FRACOS NÃO REZA A HISTÓRIA”,
eu não quero fazer parte desse grupo que nunca será relembrado,
quero sim, um dia ser lembrado, nem que seja por um ou
dois, como alguém que trabalhou em prol de uma causa
justa.
Em minha opinião
o Periquito está vivo, talvez um pouco “dormente
ou adormecido” devido ao tratamento a que tem sido
sujeito por pseudo-criadores, mas acreditem, ele está VIVO,
precisa apenas da nossa ajuda para se mostrar em todo o
seu esplendor.