Vamos lá.
Diariamente, em todo o mundo, uma quantidade enorme de
manteiga era e é retirada do leite e deixa como
produto residual o líquido chamado leitelho. Após
a fermentação, com bacilos acidófilos,
e a retirada da manteiga resta o leitelho. O leitelho
difere do leite de vaca in natura por ter menos gordura,
um pouco menos de lactose, por estar a caseína
finamente coagulada e por conter ácido lático.
Era jogado fora pois o consideravam muito
pobre para ser usado na alimentação. Da Holanda, de grande desenvolvimento
da indústria de produtos lácteos, partiu a idéia do uso
do leitelho na alimentação do lactente tendo Ballot (1865) entre
os seus líderes. Em 1793, o médico sueco Nils Rosen von Rosenstein,
mostrou o valor do leitelho no tratamento da diarréia, mas, somente em
1902, os trabalhos do holandês Teixeira de Mattos (isso mesmo, amigos)
conseguiram notabilizar o leitelho nos centros científicos.
Na acidificação do leite buscava-se algumas vantagens: precipitação
da caseína em flocos muito finos e redução do poder tampão
do leite de vaca (por conter muitas substâncias neutralizantes, os tampões,
o leite de vaca consome grande quantidade de ácidos exigindo esforço
metabólico muito maior). E assim a acidificação do leite
foi caminhando pela história da medicina. W. McKim Marriot, um dos pilares
da moderna pediatria norte-americana, um dos escritores do clássico In
Infant Nutrition, usava o ácido láctico para a acidificação
do leite integral conseguindo produto muito mais nutritivo do que o desnatado
leitelho. E outros pesquisadores foram dando as suas colaborações
para a acidificação: Weisenberg usava o ácido cítrico,
Dunham, o ácido acético, Scheer e Faber o ácido clorídrico
e Hess e Matzner, parecendo zaga da seleção alemã, foram
mais imaginativos usando o suco de limão, e outros o suco de laranja e
o vinagre.
Além da adição dos ácidos orgânicos, a acidificação
do leite pode ser feita pela fermentação bacteriana, a arte milenar
de se conseguir coalhada, receita das nossas avós agora adotada pelas
indústrias com o pomposo nome de iogurte. Embora essa longa história
do leite fermentado, cientificamente foi o genial Metchnikoff, no começo
do século passado, o primeiro a falar em probióticos. Início
do século XX, Elie Metchnikoff, russo de nascimento e domiciliado em Paris,
onde trabalhou no Instituto Pasteur, um dos papas da biologia celular
moderna, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 1908, oito anos antes
de ter falecido, no seu livro, que deve ser conhecido por todos os estudiosos
da área biológica, The Prolongation of Life. Optimistic Studies,
postulava a importância, para a saúde, da ingestão contínua
de lactobacilos. Chegou a identificar o Lactobacillus bulgaricus, cujo fermento
passou a fazer parte importante dos produtos lácteos. Claro que ele conhecia
os estudos do século anterior que mostravam as diferenças entre
a flora intestinal de indivíduos doentes e a de indivíduos sãos.
Foi mais adiante e, de maneira corajosa para a época, afirmou que o consumo
de organismos vivos nos produtos lácteos fermentados, visando manter o
equilíbrio ente bactérias patogênicas e não patogênicas
na flora, poderia determinar o porquê de alguns grupos étnicos viverem
mais tempo. Mais modernamente ganharam importância, entre muitos outros,
os estudos de R. Fuller (Probiotics. Applications and practical aspects, 1997,
e Probiotics in human medicine, 1991), G. W. Elmar e colaboradores (Biotherapeutic
agents. A neglected modality for the treatment and prevention of selected intestinal
and vaginal infections, publicado em 1996 no tradicional e conceituado JAMA)
, A. S. Naidu e colaboradores (Probiotic Spectra of Lactic Acid Bacteria, 1999)
e L. V. Mc Farland (Biotherapeutic Agents for Clostridium difficile-Associated
Disease, 1999, A randomized placebocontrolled trial of Sacchamomyces boulardii
in combination with standard antibiotics for Clostridium difficile disease, também
no JAMA, 1994 e Prevention of B-lactam-associated diarrhea by Saccharomyces boulardii
compared to placebo). Em relação às aves, foram os filandeses
Nurmi e Rantala, num bem elaborado trabalho publicad na Nature, em 1973, mostraram
que o conteúdo intestinal de aves adultas normais administrados pela via
oral a filhotes de aves da mesma espécie com um dia de idade era capaz
de evitar o estabelecimento de espécies de salmonelas no intestino dos
mesmos. Essa exclusão competitiva entre as bactérias probióticas
e as salmonelas ficou conhecida como efeito ou conceito Nurmi. Durante a década
de 70, o clamor da opinião pública mundial levou as autoridades
a se preocuparem com o uso rotineiro de antibióticos nas rações
animais com a finalidade econômica de promover o crescimento. Além
de provocar o surgimento de bactérias resistentes, o uso de antibióticos
em doses subclínicas para promover o crescimento dos animais pode provocar
o fenômeno do carry over, isso é, a possibilidade de carnes e ovos
provocarem fenômenos de hipersensibilidade nos seus consumidores. Isso
levou ao apressamento dos estudos para o uso dos probióticos, no início
o Lactobacillus acidophilus, em substituição aos antibióticos.
Já em 1997/1998, a União Européia partiu na frente e proibiu
o uso da espiramicina, da virginiamicina, da bacitracina, da avoparcina e da
tilosina na alimentação animal.
Na Europa, hoje, são aceitos somente quatro promotores do crescimento:
avilamicina, flavomicina, salinomicina e monensima. A monensima e a salinomicina
são usados como agentes anticoccidianos para aves e a flavomicina e a
avilamicina são realmente usados como promotores de crescimento em criações
de frangos de corte e outras aves.
No Brasil, desde 1992 está proibido o uso de antimicrobianos (como as
penicilinas, as tetraciclinas, os sulfamídicos e o cloranfenicol) como
aditivos sistêmicos, conservantes ou promotores do crescimento; em 1998
foram incluídos na lista a avoparcina e os furazolidônicos. Atualmente
somente são permitidos como promotores de crescimento de frangos de corte
a bacitracina, a virginiamicina, a tilosina, o olaquindox, a avilamicina, o nitrovim
e o ácido arsanílico e a enramicina. Dessa história toda
ficou a sensação dos prejuízos econômicos que seriam
provocados pela proibição do uso de vários antibióticos
e ganhou relevância a possibilidade do uso dos probióticos/prebióticos
nas rações animais em substituição a eles.
Embora os resultados ainda sejam conflitantes é esperado que, principalmente
nas provas de campo, isso é, na prática, as perspectivas sejam
boas.
A flora
intestinal
Todas as áreas
do corpo do animal em contato com o meio exterior possui
uma microflora bastante específica. Os exemplos
são a pele, o tubo digestivo e o aparelho respiratório.
O tubo digestivo, desde a boca até o ânus, mantém estreito
contato com o meio externo. E, desde a boca, possui microfloras específicas
a cada região. Como exemplo atualíssimo, até o selvagem
meio da acidez estomacal é capaz de albergar elementos vivos, como é o
caso do Helicobacter pylori, bactéria com papel crucial no desenvolvimento
da gastrite e da úlcera gástrica. A microflora intestinal vai
ganhando terreno na importância para a manutenção da saúde.
Se no estômago e duodeno o número de bactérias varia entre
100 a 10 000 u.f.c. por ml (unidades formadoras de colônias por mililitro),
predominando os estreptococos, estafilococos, raramente bactérias anaeróbias
(vivem em ambiente isento de oxigênio) e os lactobacilos. No jejuno e
no íleo há aumento quantitativo e qualitativo da flora, entre
100 000 e 1 000 000 000 ufc/ml, predominando bacteróides, lactobacilos,
fusobactérias, enterobacteriáceas, bifidobactérias e estreptococos,
notando-se já a presença dos coliformes e de várias espécies
de anaeróbios. No intestino grosso, mais especificamente nos cólons,
a flora intestinal atinge os impressionantes 100 000 000 000 a 10 000 000 000
000 ufc/ml, contendo bacteróides, clostrídeos, pseudomonas, bifidobactérias,
lactobacilos, estreptococos fusobactérias, enterobactérias e
estafilococos, sendo importante lembrar que, no intestino grosso, as bactérias
anaeróbias superam as demais (facultativas e aeróbias) por uma
boa margem no mínimo de fator 10², com predomínio dos bacteróides,
bifidobactérias e fusobactérias, sendo também freqüentes
os estreptococos, clostrídeos, lactobacilos e enterobactérias.
A flora compreende ainda fungos e vírus. Autores determinam que a flora
intestinal contenha entre 450 a 500 espécies de bactérias, distribuídas
em torno de 200 gêneros, mas somente 30 a 40 espécies são
responsáveis por 99% do total. As bactérias da flora intestinal
podem ser: a- Simplesmente nocivas ao organismo, como os clostrídeos,
os Proteus, os estafilococos, as veillonelas; b- Podem ser benéficas
ou nocivas, como as enterobactérias e os enterococos, as quais, ao mesmo
tempo que podem ocasionar infecções fora do intestino ajudam
na defesa do organismo e c- Simplesmente benéficas, como acontece como
os lactobacilos, com as bifidobactérias e com os estreptococos lácticos.
Nos humanos, a colonização do trato gastrintestinal por bactérias
começa durante o parto por via vaginal, sendo um processo lento e progressivo
e regulada pelo próprio meio intestinal, o qual, também vai se
alterando conforme o estabelecimento de novos grupos bacterianos. O alto poder
oxirredutivo positivo do intestino do recém-nascido, criando meio rico
em oxigênio, favorece as bactérias aeróbias ou os anaeróbios
facultativos, como o grupo das enterobactérias. Assim, logo após
o parto já são encontradas E. coli, Enterococcus, Lactobacillus
e Staphylococcus nas fezes de quase todos os bebês. Como essas bactérias
consomem grande quantidade de oxigênio para a sobrevivência, o
meio vai-se tornando mais pobre nesse elemento com maior adequação
para a sobrevida das bactérias anaeróbias obrigatórias
como as bifidobactérias (99% da flora intestinal e surgem logo no terceiro
dia após o nascimento), os bacteroides e clostridio. Por questão
até de espaço físico e metabólico, como a diminuição
de micronutrientes num meio fortemente pobre de oxigênio, conforme as
bactérias anaeróbias aumentam as facultativas diminuem. A fonte
natural das bactérias colonizadoras do intestino do recém-nascido é a
microflora intestinal materna. Nas cesáreas essa transferência
não se faz, havendo atraso no estabelecimento das bactérias no
intestino do bebê, principalmente as anaeróbias, e as bactérias
são adquiridas principalmente do meio ambiente.Nos países em
desenvolvimento é quase certo que os lactentes sejam expostos desde
cedo a numerosas
bactérias, principalmente anaeróbios facultativos e aeróbios.
Esse tipo de flora é instável contém grande variedade
de parasitas potencialmente patogênicos que podem ocasionar infecções
extra-intestinais; isso pode levar à necessidade de uso de antibióticos
que tornam o lactente mais suscetível a novos quadro infecciosos criando
um ciclo vicioso. Nos países desenvolvidos o problema pode ser oposto,
pois a rigorosa higiene existente no cuidado neonatal poderá retardar
o estabelecimento de microflora ativa e com capacidade protetora. É,
se correr o bicho pega... Nesses contextos torna-se importantíssima
a alimentação no seio, a qual, favorece o estabelecimento de
uma flora intestinal protetora. Hoje, na criação de pássaros
bem estabelecida, vivemos uma situação parecida com as dos países
desenvolvidos quanto à qualidade do controle das infecções.
Os cuidados necessários quanto a higienização do ambiente
onde são mantidos os pássaros, os cuidados com a água
que eles tomam e usam para os banhos e a higiene na manutenção
dos alimento dificultam ou mesmo impedem o estabelecimento inicial da microbiota
intestinal dos filhotes. Para alguns autores isso seria compensado pelo contato
logo ao nascer dos filhotes com as fezes das mães, as quais, contêm
elementos para a imunoproteção dos filhotes, inclusive bactérias
probióticas. Não tenho elementos para ser conclusivo, mas seria
lógico concordar com isso levadose em conta que a cloaca, da mesma maneira
que a vagina da mulher, deve ter a sua própri microbiota, inclusive
com muitas bactérias probióticas que podem chegar aos filhotes
pelas fezes das mães. Quando os ovos são retirados da mãe
e eclodidos em chocadeiras, como ocorre nas criações comerciais
de aves e já em alguns criadouros de pássaros, os filhotes adquirem
parcialmente as suas microfloras através do ambiente do criadouro. Concluo
que os filhotes das aves formam suas floras intestinais a partir do materia
existente nos bicos, nos papos ou nas fezes das mães. A microbiota intestinal
das aves, como os pássaros, começa a ser estabelecida logo depois
da eclosão dos ovos; ela aumenta nas primeira semanas de vida e depois
se torna dominada pelas bactérias anaeróbias. No ceco das aves
foram identificados muitos gêneros de bactérias: Bifidobactérias,
Bacillus, Bacteroides, Clostridium, Enterobacter, Citrobacter, Escherichia,
Enterococcus, Lactobacillus, Eubacterium, Fusobaterium, Lactococcus, Pediococcus,
Propionibacterium, Ruminococcus, Peptostreptococcus, Veillonella, Serratia
e Streptococcus. É de se admitir que, numa mãe saudável,
os filhotes de pássaros comecem a formar a flora intestinal de defesa
ainda no ninho contaminado por fezes e material regurgitado pela mãe.
E, aí, mais um provável efeito deletério do uso indiscriminado
dos antibióticos na criação de pássaros; uma fêmea
sob efeito contínuo de antibióticos terá na sua flora
um grande número de bactérias patogênicas e, pior ainda,
resistentes aos próprios antibióticos. Daí, já viu,
né, como diria a netona Filósofa, coitados dos filhotes.
Na velhice o número de bactérias benéficas na flora intestinal
cai para 30% em relação às
bactérias patogênicas, chegando esse índice a apenas 5%
em alguns idosos. A conseqüência é a maior predisposição às
doenças determinadas pela baixa imunidade orgânica. Isso ocorre
com outros animais, inclusive com os pássaros.
Probióticos,
prebióticos e simbióticos
No seu já clássico
trabalho Probiotics in man and animals, publicado, em
1989 no Appl. Bacteriol,
R.Fuller definiu os probióticos como um “suplemento alimentar
composto por microorganismos vivos que atuam de maneira benéfica no
animal hospedeiro, melhorando o equilíbrio microbiano do seu ambiente
intestinal”, deixando claro as principais características do probiótico:
suplemento alimentar e não medicamento, composto por elementos vivos,
atuação no equilíbrio da microflora intestinal e, principalmente,
a finalidade principal de manter a saúde do hospedeiro. Existem em diversas
formulações no comércio, sendo a mais conhecida a do leite
fermentado. Há autores eu usam o termo DFM (Direct Fed Mecrorganisms)
para designar os probióticos quando usados em animais deixando o termo
probiótico somente quando se fala em humanos; acho preciosismo que somente
serve para complicar. Para as aves, os probióticos podem ser adicionados às
papas e farinhadas, às rações, adicionados à água
de beber, pela inoculação via cloaca, em cápsulas gelatinosas,
inoculação em ovos embrionados de aves e até pela pulverização
nos ninhos.
Hoje existe uma série de produtos contendo probióticos no comércio
para aves, bovinos, suínos, eqüinos, ovinos, cães e gatos.
Procurando tirar do produto a máxima ação probiótica
através da ação hospedeiro-específica, várias
bactérias são usadas, sendo a grande maioria Lactobacillus (bulgaricus,
casei, lactis, acidophlus, plantarium, salivarius,reuteri, johnsii), Enterococcus
(faecalis, faecium), Streptococcus thermophilus, Bifidobacterium spp e Bacillus
(subtilis, toyoi); o fungo Saccharomyces boulardii também é usado
como probiótico.
Os prebióticos são componentes alimentares, não digeríveis
pelas enzimas digestivas, não absorvíveis pela mucosa intestinal
e com a capacidade de selecionar as espécies bacterianas benéficas
para os animais. O termo prebiótico foi empregado por Gibson & Roberfroid
em 1995 (J. Nut.) para designar “Ingredientes nutricionais não
digeríveis que afetam beneficamente o hospedeiro estimulando seletivamente
o crescimento e atividade de uma ou mais bactérias benéficas
do cólon, melhorando a saúde do seu hospedeiro”. O sucesso
dos prebióticos depende da sua não hidrolização
pelas enzimas digestivas, o que, permite que cheguem intactos ao intestino
grosso onde são digeridos (fermentados) pela flora intestinal promotora
da saúde, como os lactobacilos e as bifidobactérias. Os prebióticos
oligossacarídeos são derivados da maltose (oriunda do amido),
da galactose (encontrada nos vegetais e no leite), da xilose (adoçante
extraído da madeira) e da frutose (açúcar das frutas).
A arabinose, açúcar das gomas vegetais, e a manose, aldohexose
originada da oxidação do manitol, um álcool constituinte
principal do maná, também têm efeito prebiótico.
O polissacarídeo frutooligossacarídeo tem excelente efeito prebiótico.
Os prebióticos mais usados na alimentação dos animais
são os oligossacarídeos, com destaque para os mananoligossacarídeos
(MOS) e os frutoligossacarídeos (FOS). O FOS é formado por moléculas
de sacarose nas quais de uma a três unidades de frutose são adicionadas
por ligações glicosídicas b-(2-1) à molécula
de frutose da sacarose; o grau de polimerização varia entre 2
a 10 unidades, abreviadas, por exemplo por GF2 (a 1-kestose), GF3(nistose)
e GF4 (1F-b-frutofuranosilnistose). Os FOS podem ser sintetizados enzimaticamente,
por ação da b-frutofuranosidase fúngica, a partir da sacarose; é a
forma mais comumente encontrada no Japão. A inulina (frutano), polissacarídeo
encontrado no rizoma de algumas plantas, principalmente a chicória,
facilmente encontrada no mercado europeu, gera FOS se for hidrolisada enzimaticamente
pela inulase. Ganha corpo e espaço atualmente como prebiótico
a polidextrose, carbohidrato de alto peso molecular solúvel em água
e infensa às enzimas digestivas. Os prebióticos já são
usados largamente nos mercados japonês e europeu em bebidas lácteas,
chocolates, doces, balas, biscoitos, geléias, pudins e goma de mascar.
Nas rações dos pássaros o prebiótico mais usado é o
mananoligossacarídeo. Os prebióticos podem ser obtidos, na forma
natural, de sementes e raízes de alguns vegetais como a chicória,
cebola, alho, dente de leão, alho-poró, yacón, tomate,
almeirão dália (flor preferida da saudosa
minha mãe), alcachofra, aspargo, trigo, cevada, centeio, grãos
de soja, grão-de-bico, banana e tremoço. O leite materno humano
e o mel também possuem FOS (ponto para a minha avó que não
deixava a colher protetora do mel todos os dias).
A principal ação dos prebióticos é estimular o
crescimento e/ou ativar o metabolismo de algum grupo de bactérias benéficas
do trato intestinal. Assim, os prebióticos agem intimamente relacionados
aos probióticos; constituem o “alimento” das bactérias
probióticas.
Agem também bloqueando os sítios de aderência (principalmente
a D-Manose), imobilizando e reduzindo a capacidade de fixação
de algumas bactérias patogênicas na mucosa intestinal. Especula-se
que os oligossacarídeos possam estimular o sistema imunológico,
através da redução indireta da translocação
intestinal por patógenos que determinariam infecções após
atingir a corrente sangüínea. Alimento simbiótico é aquele
que possui na sua formulação prebióticos e probióticos.
Um adendozinho antes de continuar. Os pássaros nativos, antes de serem
essencialmente frugívoros (ou frutívoros) ou granívoros,
são onívoros, consomem bastante hortaliças e frutas e,
assim, certamente, vão consumindo, na natureza, os seus prebióticos.
Santa Natureza. Lembrar que o Gilson Barbosa, da Bahia, dá importância à alimentação
rica em carbohidratos (fontes dos prebióticos) dos curiós na
natureza.
Ações
e efeitos dos probióticos, prebióticos
e simbióticos
São
citados muitos benefícios determinados pela flora
intestinal, assim como pelos pró, pré e
simbióticos. Muitos ainda carecem de estudos mais conclusivos, mas já há alguns
com uma comprovação científica mais consistente.
Sem dúvida os estudos, tanto clínicos como experimentais, são
mais determinantes quanto à prevenção das infecções
intestinais, como nos casos do Helicobacer pylori, bactéria importante
no desenvolvimento da gastrite ou da úlcera péptica, das infecções
bacterianas agudas causadoras da chamada diarréia dos viajantes e das
infecções pelo rotavírus, uma das principais causas de
mortalidade infantil em todo o mundo. Para simplificar pode-se classificar
os benefícios trazidos pelos probióticos e prebióticos:
1- Ação
sobre o sistema imune.
Não
posso deixar de dar uma pincelada no sistema imune, um
dos principais responsáveis pela defesa da integridade
do organismo contra agressões externas e internas.
A defesa do organismo contra agentes infecciosos e outros agressores é assegurada
pelo conjunto de barreiras físicas, como a pele, a membrana mucosa,
a camada de muco e as células epiteliais, e os vários componentes
do sistema imune. Esse sistema é formado basicamente pelos linfócitos
B e T, pelas células chamadas natural killers (NK, capazes de matarem
muitas células tumorais e as alteradas pelos vírus. Geralmente
são macrófagos e linfocitos granulares grandes), pelos fagócitos
e as proteínas do complexo do complemento.
As células hematopoiéticas pluripotenciais, agora muito conhecidas
como células-tronco, surgem no embrião, propriamente no saco
vitelino, entre 2.5 a 3 semanas de gestação; posteriormente migram
para o fígado do feto na quinta semana de gestação e logo
chegam na medula óssea onde permanece durante toda a vida. As células-tronco
do tecido linfóide desenvolvem-se a partir dessas células precursoras
e diferenciam-se em linfócitos T, B ou células natural killers
(NK). O sistema imune possui quatro propriedades: especificidade, diversidade,
memória e o reconhecimento do que é próprio (self) e não
próprio do organismo (non self); com essas qualidades o sistema é capaz
de reconhecer o que deve ou não ser combatido e reagir sempre que for
colocado à frente do mesmo agressor. Os linfocitos T e B são
os responsáveis por essas quatro propriedades. Os três tipos de
células que constituem os elementos funcionais do sistema imune (linfocitos
T e B e as células apresentadoras dos antígenos) são todos
gerados na medula óssea. Os linfocitos B tornam-se imunocompetentes
na própria medula óssea, enquanto os linfocitos T migram para
o timo para tornarem-se imunocompetentes. Por isso a medula óssea e
o timo são chamados órgãos linfóides primários
ou centrais. Após tornarem-se imunocompetentes, os linfocitos B e T
migram para os órgãos linfóides secundários ou
periféricos (baço, nódulos linfáticos, tonsilas
ou amígdalas, placa de Peyer e lâmina própria), nos quais
entram em contato com os antígenos.
Ao contrário de todas as outras espécies animais, as aves não
possuem linfonodos. Possuem placas de Peyer, tonsilas cecais e a bolsa de Fabricius,
invaginação da parte final do tubo digestivo. Um pouquinho de
cultura inútil não faz mal a ninguém. Olhem que interessante.
Os linfocitos T são assim chamados por quê, no início da
vida, tornam-se imunocompetentes no timo. Tudo bem Mas, por que o nome linfocito
B se eles se tornam imunocompetentes na medula óssea? Do nome inglês
bone marrow? Nadica de nada. Foi nas aves, como os nossos passarinhos, que
os linfocitos B foram primeiro identificados e nas quais tornam-se imunocompetentes
num divertículo da cloaca conhecido como bursa de Fabricius, de onde
linfocitos B. OK?
Há vários subtipos dos linfocitos T: célula T helper (secreta
várias citoquinas que modulam a atividade de outros linfocitos), células
T citotóxicas (destroem células reconhecidas como estranhas ao
organismo, como aquelas transformadas pelos vírus), células T
supressoras (inibem as atividades dos linfocitos T e B represando a resposta
imune) e células T de memória (têm a capacidade de ter
memória imunológica para determinados epítopos, locais
dos antígenos onde se fixam os anticorpos). Além dos receptores
de membrana, os linfocitos T expressam no seu plasmalema os chamados clusters
of differentiation proteins (as famosas proteínas CD) que têm
uma série de atividades no processo imunológico, como a ativação
dos linfocitos T helper e correceptores para a ligação do epítopo
com o receptor de membrana.
As células apresentadoras de antígenos (antigen-presenting cells,
ou APC) fagocitam, catabolizam e processam os antígenos ligando os seus
epítopos a um complexo chamado de histocompatibilidade maior e apresentam
esse conjunto aos linfocitos T. São exemplos de APC as células
dendríticas, as células de Langerhans da epiderme e da mucosa
oral e os macrófagos.
As células M, do epitélio intestinal, favorecem a passagem de
macromoléculas e até de células bacterianas inteiras,
ação essencial para a apresentação de antígenos
do lúmen às células do sistema imune da mucosa. São
células fagocíticas que atuam no transportes de antígenos
até a placa de Peyer e os transferem às células MHC (major
histocompatibility complex). Além disso, as células M estimulam
a produção de células produtoras de IgM que liberam o
TGF (Transforming growth factor), o qual, estimula as células produtoras
de IgA. Um fato interessante sobre a IgA secretora é que a presença
dela no leite materno e na saliva refletem resposta imune da mucosa intestinal.
As células dendríticas fazem parte dos macrófagos localizados
em certas regiões do corpo recebendo nomes específicos: células
de Kupffer no fígado, células de poeira no pulmão, monócitos
no sangue, macrófagos no tecido conjuntivo, baço, nodos linfáticos,
timo e medula óssea e células de Langerhans na pele; todas elas
são membros dos sistema fagocítico mononuclear e possuem forma
e função similares. As células dendríticas são
as mesmas células de Langerhans encontradas na derme, epitélio
da cavidade oral, esôfago e da vagina e, principalmente, na epiderme.
Os linfocitos, juntamente com as células apresentadoras de antígenos,
também originárias da medula óssea, iniciam e participam
da resposta imune, comunicando-se umas com as outras através de moléculas
sinalizadoras chamadas citoquinas, as quais, são liberadas em resposta
ao encontro, no organismo, de substâncias chamadas antígenos.
O local do antígeno que reage com o anticorpo ligado à membrana
(linfocito B) ou com o receptor apropriado encontrado no linfocito T é chamado
epítopo, como já foi dito, sendo que invasores maiores como as
bactérias possuem vários epítopos capazes de se ligarem
a diferentes anticorpos.
Os linfocitos B e T antes da exposição aos antígenos são
conhecidos por células virgens (naive cells); quando ativadas, elas
tornam-se células efetoras e células de memória. As células
efetoras chamadas células plasmáticas (plasmócitos), derivadas
do linfocito B, produzem e liberam anticorpos. Já as células
efetoras originadas dos linfocitos T secretam citoquinas ou destroem células
estranhas ou células do próprio organismo alteradas (como as
células tumorais). As células de memória expressam anticorpos
ligados à membrana e os receptores das células T, os quais, interagem
com os antígenos específicos; essas células não
estão diretamente envolvidas na resposta imune, mas, vivendo durante
meses ou anos, e tendo grande afinidade pelos antígenos, provocam, numa
subseqüente exposição aos mesmos antígenos, uma reação
secundária muito rápida, mais potente e de longa duração
do que a primeira resposta.
O encontro de uma substância reconhecida como estranha desencadeia uma
séria de reações:
1-Produção das imunoglobulinas, ou anticorpos, que ligam-se ao
antígeno procurando destruí-lo, a chamada resposta imune humoral
e 2- Indução de um grupo de células especializadas em
matar as células estranhas ou mesmo células do próprio
organismo modificadas (como exemplo as células tumorais), a chamada
resposta imune mediada por células. Seria como um exército com
as suas baterias fixas (imunidade celular) e os elementos móveis (anticorpos)
caçando os inimigos por todo o organismo. Em torno de 80% dos anticorpos
são formados no sistema linfóide presente no intestino, os quais
agem na defesa tanto no próprio intestino como no restante do organismo.
E 35% dos linfócitos do organismo econtram-se no trato gastrintestinal.
Portanto, o intestino é de vital importância na linha de defesa
do organismo. Isso aumenta consideravelmente a importância da microbiota
intestinal. Vários estudos vêm demonstrando a ação
dos probióticos e prebióticos em várias etapas do sistema
imune. Embora, em alguns casos ainda careçam de dados mais conclusivos,
as expectativas são muito boas. As bactérias probióticas
da flora intestinal aumentam as diferentes defesas intestinais: a eliminação
de caráter imunológico, a regulação imune e a exclusão
imunológica. Os russos descobriram a ação imunomoduladora
e anticancerígena dos lactobacilos, talvez pelo aumento induzido das
citoquinas; essa imunomodulação também pode ser estimulada
pelo ácido lático produzido pelos lactobacilos com efeitos positivos
sobre células de defesa como os linfócitos T e B, macrófagos,
monócitos, natural killer cells e linfocitos citotóxicos. Além
de modularem as citoquinas, que atuam na regulação do sistema
imunológico, e aumentarem a produção da benéfica
interleucina-10, os lactobacilos diminuem a ação de substâncias
deletérias para o organismo, como a interleucina-1, os fatores de necroses
celulares (NF-kappa B) e a interleucina-8, todas elas com capacidades inflamatórias.
As células dendríticas da parede intestinal e da lâmina
própria formam uma extensa rede e têm ação importante
na apresentação e no reconhecimento do antígeno (bactéria,
vírus, fungos, etc) pelo sistema imune do hospedeiro. Essa atuação
independe daquela semelhante exercida pelas células M dependentes das
placas de Peyer. Todos os estudos concluem o estreito relacionamento entre
a microbiota intestinal e as células dendríticas, as quais, são
atualmente um dos xodós dos pesquisadores. 2- Ação sobre
as defesas da mucosa. O segredo da luta travada pelo organismo contra os parasitas
invasores é a manutenção da integridade física,
química e funcional da mucosa. O lúmen do trato alimentar é revestido
pela mucosa, formada por epitélio, lâmina própria e muscularis
mucosae. Além do citado sistema imune, outros mecanismos tomam parte
no processo de defesa, como o chamado efeito barreira ou colonização
competitiva: a- Competição, pelo mesmo receptor da mucosa, entre
as bactérias defensivas da flora intestinal e os parasitas patogênicos.
Embora se aguarde demonstrações claras da competição
entre probióticos e parasitas por um determinado receptor, trabalhos
mostram ser isso viável, como Conway mostrou estudando competição
(pelo receptor galactosilceramida) entre Lctobacilos e Escherichia coli patogênica.
Trabalhos muito bem elaborados, levando em conta estudos in vitro mostrando
a grande diversidade de parasitas que podem ser excluídos de camadas únicas
de células humanas pelos Bifidobacterium ou pelos Lactobacilli, mostraram
que esse bloqueio competitivo pode ser não específico e determinado
por probióticos que avidamente aderem à membrana epitelial, como
a do intestino, impedindo a chegada dos parasitas aos seus receptores específicos.
As cinco Escherichia coli causadoras de diarréia (ver boletim sobre
essas bactérias que fazem parte do grupo das Enterobacteriáceas)
necessitam de uma fase de adesão ao enterócito (célula
base da mucosa intestinal) para iniciar a infecção; portanto,
a barreira competitiva aos receptores é muito importante na luta do
organismo contra elas. E E. coli, amigão passarinheiro, é um
dos terrores de qualquer criação. Mesmo bactérias, como
as Salmonellas, as Yersinias, A Shiguella flexneri e a Listeria monocitogenes
(ver boletins sobre elas) e alguns vírus, como o poliovírus e
o reovírus, que infectam o hospedeiro através da célula
selecionadora de antígenos M, também podem ser combatidas por
esse processo de defesa. Poucas dúvidas restam sobre o papel das bifidobactérias
e outras bactérias como o Streptococcus thermophilus na proteção
contra as diarréias provocadas pelo rotavírus, o maior causador
mundial de diarréias em crianças menores; essa defesa poderia
ser pelo bloqueio dos receptores específicos dos rotas ou mesmo pelo
bloqueio geral dos receptores.
Estudo que julgo dos mais interessantes é o envolvendo as células
chamadas Caco-2, resultantes de culturas de células epiteliais. Observou-se
muito claramente que, expondo essas células ao Lactobacillus acidophilus
e ao Bifidobacterium breve, em concentrações acima dos 1 000
000 000 ufc/ml, e depois expondo as células a Escherichia coli e às
Salmonellas, bactérias patogênicas como vimos, essas não
tinham acesso aos receptores celulares. Notem, esse bloqueio somente acontece
se as bactérias defensoras tiverem acesso aos receptores das células
Caco-2 antes das patogênicas; se as bactérias patogênicas
chegarem aos receptores antes, tchau e bênção, como diria
a netona Filósofa. Daí o valor do uso de probióticos ou
de prebióticos nos alimentos dos pássaros de maneira profilática
e não curativa. Depois dos males ocasionados pelos patógenos
eles somente terão importância na recuperação mais
rápida da flora intestinal e no bloqueio dos poucos receptores ainda
vagos. Outras ações importantes dos probióticos durante
as diarréias são a competição pelos nutrientes,
a criação de um meio impróprio e a geração
de substâncias bactericidas e bacteriostáticas, todas armas importantes
contra os patógenos. b- Competição entre bactérias
da flora e os organismos invasores pelos substratos metabólicos essenciais
para o crescimento bacteriano. Claro, aumentando o número de comensais
para um mesmo bolo muitos morrerão de inanição. A competição
entre as bactérias da flora normal e as patogênicas mais feroz
em relação aos açúcares, fontes primárias
da energia necessária para a sobrevivência. A competição
também é intensa em relação à vitamina B12,
essencial para o crescimento e funcionamento das bactérias e outros
parasitas;e c- Produção, pelas bactérias da flora intestinal
de produtos metabólicos, como ácidos graxos de cadeia curta, ácidos
orgânicos e produtos bacteriostáticos (impedem o crescimento)
e bactericidas (bacteriocinas, matam o invasor) que inibem colonização
e o crescimento dos agentes patogênicos. Esse conceito ganhou corpo após
a publicação de trabalhos baseados em estudos in vitro e in vivo,
como o The human Lactobacillus acidophilus La1 secretes a nonbacteriocin antibacterial
substance(s) active in vitro and in vivo. É incontestável, por
exemplo, o valor do leite humano na proteção do bebê contra
inúmeras infecções; um dos fatores dessa proteção é o
pH ácido das fezes do bebê mantido, em boa parte, pela produção
de ácido acético pelas Bifidobactérias em razão
da enzima frutose-6-fosfato fosfocetolose. E o ácido acético,
um ácido orgânico, inibe de modo importante bactérias patogênicas,
como entoerobacteriáceas gram negativas e espécies de Clostridium.
Bifidobactérias também produzem ácido lático a
partir da lactose. Os ácidos propiônico e o butírico são
outros ácidos graxos de cadeia curta, metabólitos primários
da microbiota intestinal, essenciais no combate aos patógenos. A ação
dos ácidos orgânicos de cadeia curta contra os patógenos
se dá pelo bloqueio de importantes atividades metabólicas, como
a fosforilação oxidativa com diminuição do pH interno
celular; há autores dizendo que os ácidos graxos de cadeia curta,
além de gerarem energia, estimulam a renovação constante
das células da mucosa intestinal, dão origem a antibióticos
naturais, melhoram os níveis de colesterol e triglicerídeos e
têm ação anticancerígena. O Clostridium difficile,
junto com outro anaeróbio, o Bacteroides fragilis, têm papel marcante
na diarréia (inclusive a terrível enterocolite necrotisante);
essas bactérias são oportunistas e aproveitam o desequilíbrio
da flora ocasionado pelo uso imoderado de antibióticos para agir. Como
se diz, quando o gato é afastado os ratos fazem a festa. Amigões,
cada ano o mundo assiste a mais de um bilhão, disse um bilhão,
de casos de diarréia aguda em crianças menores de 5 anos e cinco
milhões dessas crianças chegam ao óbito, principalmente
nos países em desenvolvimento. As causas principais? Shigella, Escherichia
coli, Campylobacter, Vibrio cholerae e o rotavírus. Mesmo nos países
ditos civilizados são mais de 100 milhões de pessoas contraindo
anualmente doenças determinadas por alimentos contaminados.
Essa devastação de vidas também deve ocorrer nos interiores
dos criadouros menos cuidadosos. Que isso sirva de alerta para aqueles que
teimam em usar antibióticos “pare prevenir” N infecções
nos seus criadouros. Não previnem nada. São simples selecionadores
de bactérias resistentes. Desde o momento em que mantemos e/ou criamos
os pássaros em gaiolas ou viveiros, jamais poderemos adotar atitude
que vai contra todos os preceitos de uma boa medicina. Embora constituam o
exemplo mais marcante e importante, não só os antibióticos
provocam desequilíbrios na flora intestinal não podendo serem
deixados de lado os hormônios, os antinflamatórios não
hormonais e os antiácidos. As bactérias ácido láticas
produzem várias bacteriocinas como a nisina, a lactocidina, a diplococcina,
a bulgaricina e a reuterina que possuem intensa atividade de inibição
tanto sobre as bactérias gram positivas como as gram negativas. Os lactobacilos
e as bifidobactérias também atuam contra os patógenos
produzindo, além dos ácidos orgânicos de cadeias curtas,
o peróxido de hidrogênio (age contra os patógenos provocando
a desnaturação de várias proteínas, incluindo enzimas
metabólicas importantes. Tanto os Lactobacilos como as Bifidobactérias
bloqueiam a enzima catalase que age na decomposição do peróxido
de hidrogênio), bacteriocinas (como a nisina, produzida pelos lactobacilos,
de largo espectro de ação) substâncias assemelhadas aos
antibióticos.
Enzimas com grande ação inibitória sobre bactérias
patogênicas, como a beta-glucoronidase e hidrolases de sais biliares,
são secretadas por algumas bactérias probióticas.
3- Ações gerais A microbiota também exerce ação
positiva sobre a produção dos fluidos gastrintestinais, como
o suco gástrico, dos ácidos biliares, dos movimentos peristálticos
intestinais, sobre a produção de nutrientes endógenos
providos de mucina e no rápido turnover das células do epitélio
intestinal. Se me permitem uma divagaçãozinha. O intestino é responsável
pela produção de 90% da serotonina do organismo. A serotonina,
um neurotransmissor importante derivado do aminoácido triptofano, age
em muitos comportamentos dos animais, inclusive na reprodução
e na agressividade. Lógico supor que um intestino são é necessário
para o animal, inclusive os pássaros, estarem bem com a vida e se reproduzirem
normalmente. Animal, seja ele qual for, inclusive nós ditos humanos,
não terão comportamentos adequados
se as suas mucosas intestinais forem consumidas por agravos como as infecções.
Adeus campeões de torneios. Há alguns benefícios provocados
pelos probióticos que carecem de mais estudos. Como as bactérias
não patogênicas da flora intestinal produzem lactase, enzima que
metaboliza a lactose transfomando-a em glicose e galactose, pressupõe-se
que agiriam favoravelmente nos casos de intolerância à lactose.
Estudos comparativos entre crianças alérgicas da Suécia
e da Estônia mostram o efeito protetor dos probióticos contra
alguns quadros alérgicos. Seria essa uma das explicações
para o fato de crianças amamentadas ao seio terem menos alergias do
que aquelas alimentadas com leite de vaca. Já clássico e certo é a
capacidade da flora intestinal de produzir vitaminas do complexo B. Simplificando
para os passarinheiros, podemos resumir os mecanismos de ação
dos probióticos e dos prebióticos contra os organismos patogênicos:
1- Competição por nutrientes;
2- Produção de substâncias com efeitos antimicrobianos;
3- Modificação de toxinas microbianas ou dos receptores para
essas toxinas;
4- Inibição da adesão dos organismos patogênicos às
células do epitélio intestinal;
5- Efeitos tróficos (relativos à nutrição dos tecidos)
sobre a mucosa intestinal;
6- Estimulação sobre a imunidade local, tanto a específica
como a natural.
Afinal, os probiótico provocam reações indesejáveis?
Embora possível, o uso secular desses
produtos não confirmam. Poderiam os probióticos, sendo bactérias,
provocar infeções sistêmicas? Riscos muito reduzidos mesmo
em portadores de imunidade diminuída. Teriam eles efeitos metabólicos
e enzimáticos como a desconjugação e a desidroxilação
de sais biliares no intestino delgado? Ainda merece alguma vigilância,
principalmente quando o consumo for muito grande. Poderiam provocar efeitos
imunoestimulantes excessivos? Deve-se ter atenção para essa possibilidade,
embora não se tenha descrito quadros clínicos a eles atribuídos.
Lá pelos anos 80 surgiu, no Japão, o termo alimento funcional
para designar os alimentos benéficos para a saúde. Entre as substâncias
que definem a ação dos alimentos como funcionas estão
os polissacarídeos (fibras solúveis e insolúveis), os
flavonóides, os oligossacarídeos (prebióticos), os carotenóides
(licopeno, luteína, beta caroteno), os probióticos, os fitoesteróis,
os ácidos graxo linoleico (ômega 6) e linolênico (ômega
3).
O mundo assiste ao constante aumento da sobrevida da população,
trazendo com ela o aumento de doenças como os canceres, a hipertensão,
cardiovasculares, osteoporose e o diabetes mellitus, gerando altíssimos
gastos para a saúde pública e para os convênios de assistência
médica. Meteu a mão no bolso, para muitos o principal movimentador
do comportamento humano, pronto, a máquina de pesquisas se movimenta
para procurar meios de diminuir o impacto econômico. Aqui não
foi diferente. Partiuse freneticamente para buscar os chamados alimentos funcionais
capazes de promover a saúde. Nada demais, pois, Hipócrates já sabia
disso tudo, como atesta a frase que iniciou esse boletim: “Deixe que
a alimentação seja o seu remédio e o remédio a
sua alimentação”. Nada como ser um gênio. O conceito
de alimento funcional surgiu no Japão na década dos oitenta e,
em 2005, a indústria desses produtos abiscoitou 60 bilhões de
dólares na Europa, EEUU e Japão; até nós movimentamos,
nesse mesmo ano com funcionais, diet e light, uns míseros 600 milhões
de verdinhas. É, amigos, hoje já existe a ciência dos alimentos
funcionais perfeitamente definida pelo International Life Sciences Institute,
o vetusto e competente ILSI.
E o que os meus canários-da-terra têm a ver com isso, deve estar
matutando o amigão Taddei l nos altos imperiais de Jacareí. Muito,
pois, acompanhando os humanos, os pássaros criados domesticamente estão
cada vez vivendo mais e, logicamente, também se beneficiarão
dos alimentos funcionais. Os bons produtos industrializados para pássaros
trazem probióticos e, principalmente, prebióticos nas suas formulações.
Confira nas embalagens. Os criadores que usam misturas de sementes e/ou farinhadas
caseiras podem acrescentar a elas pro e/ou prebióticos, bastando consultar
os fabricantes dos mesmos ou veterinários para saber a quantidade a
ser adicionada. Amigos, às vezes sou questionado sobre os tamanhos dos
boletins. Eles são frutos dos meus estudos profissionais como médico,
da experiência pessoal na criação de cães e de pássaros
e, não menos importante, do que ouço nos contatos com os amigões
passarinheiros. Fico entre produzir boletim enxuto e pequeno, mas, superficial,
e escrever algo mais longo, com muitos termos técnicos, mas consistente
e melhor embasado. Fico com a segunda hipótese. Embora sejam mais difíceis
de leitura, dão ao criador uma noção mais real dos assuntos
tratados, evitando achismos e procurando levar aos criadores proposições
mais técnicas.