A bactéria é altamente
contagiosa, sendo transmitida por via aérea, via
fezes e fluídos respiratórios (a bactéria
consegue sobreviver em partículas por um bom tempo
até ser inalada por outro animal). A transmissão é aumentada
pelo contato direto com pássaros doentes ou infectados.
Pássaros jovens e estressados (doentes, em nova
dieta ou em mudança) são os mais susceptíveis.
O tratamento,
se feito corretamente, tem altas chances de cura, e é feito à base
de antibiótico tetraciclina (oxitetraciclina,
doxiciclina, vibramycin), durando 45 dias. Durante o
tratamento, qualquer fonte de cálcio deve ser
eliminada. Também devem ser feitas desinfecções
freqüentes, e evitar ao máximo que a ave
fique em situações de estresse.
Um ponto
a destacar é que a psitacose é uma zoonose,
ou seja, pode afetar o ser humano. Apesar de ser MUITO
raro, pode atacar pessoas imunodeprimidas, como idosos,
crianças, doentes, aidéticos ou grávidas.
2) Giardíase
Causada por
um protozoário, Giardia lambia, que parasita o
duodeno. Os sintomas comuns são indigestão,
diarréia (verde, aquosa, com mau odor e muco),
má nutrição e má absorção
dos alimentos (com conseqüente perda de peso), pele
vermelha, seca e escamosa, coceira e depenação
(em razão do quadro de prurido). A transmissão
se dá por fezes ou pela ingestão de alimento
contaminado.
O tratamento é feito à base
de várias diferentes drogas: fenbendazole, paronomycin,
epronidazole, metronidazole e dimetidazole. Também é necessário
um tratamento suporte, com suplementação
vitamínica e anti-histamínicos (no caso
de auto-mutilação). No entanto, o tratamento é difícil,
e às vezes o protozoário não é eliminado.
Nas calopsitas, o sintoma mais grave e que pode ser persistente é o
arrancamento de penas.
3) Aspergilose
Doença
causada por um fungo, Aspergillus fumigatus, que produz
endotoxinas responsáveis pelo desenvolvimento
dos sintomas. Os esporos do fungo são transmitidos
por alimentos, solo ou ar. Quando os esporos do fungo
entram no sistema respiratório da ave, causam
graves infecções respiratórias.
Pássaros saudáveis, não estressados,
são muito resistentes. Mas aves jovens ou velhas,
tomando medicamentos, imunodeprimidas, em reprodução
ou submetidas a qualquer outro tipo de estresse são
muito suscetíveis, podendo ser a doença
fatal.
Essa doença
também ocorre de forma aguda (em aves jovens submetidas
a uma alta carga de esporos) ou crônica (aves já adultas,
que entram em contato com os esporos de forma constante).
Nas aves, é uma doença que afeta, basicamente,
o sistema respiratório inferior (pulmão
e sacos aéreos), mas traquéia, siringe
e brônquios também podem ser afetados, e
pode se espalhar para ossos, cavidade peritonial ou qualquer
outro órgão.
Os sintomas
na fase aguda incluem: dispnéia (esforço
para respirar), respiração acelerada, perda
de apetite, congestão pulmonar, secreção
nasal, muco, nódulos pneumônicos e morte
súbita. Nos casos crônicos, aparecem: dispnéia,
mudanças na voz, letargia, fezes anormais, regurgitação,
aumento da sede, definhamento, diarréia, anorexia,
secreção nasal, conjuntivite, sonolência,
lesões internas nos órgãos respiratórios.
O tratamento é feito à base
de anti-fúngicos (como amphotericin, flucytosine,
fluconazole, itraconazole) e tratamento suporte, com
imuno-estimulantes e antibióticos, além
de uma eventual limpeza do trato respiratório.
4) Candidíase
Doença
causada pelo fungo Candida albicans; esse fungo está presente
no ambiente e em pequenas concentrações
no trato digestivo das aves. Esse fungo é capaz
de causar infecções em aves muito jovens,
com sistema imune imaturo ou submetidas a tratamento
com antibióticos (essa é a chamada candidíase
primária). Candidíase secundária
pode se desenvolver em aves já adultas, tratadas
com antibióticos por longos períodos de
tempo ou sofrendo de desnutrição ou alguma
outra doença. Os antibióticos atacam a
flora digestiva normal, alterando o crescimento e equilíbrio
dos organismos aí presentes.
Geralmente,
o fungo afeta o trato digestivo superior: papo, proventrículo
(músculo estomacal) e nontrículo (estomago
glandular), mas também pode atacar o trato respiratório,
pele e sistema nervoso. Os sintomas freqüentes são
regurgitação, anorexia e demora no esvaziamento
do pão, além de placas brancas na boca.
O tratamento é feito à base
de anti-fúngicos, como Micostatin.
5) Gripe ou Influenza
Causada pelo
vírus Influenza. Há vários tipos
desse vírus, sendo que o tipo A é capaz
de infectar aves e outros animais, incluindo o homem.
Mas os humanos são mais freqüentemente afetados
pelos tipos B e C. Os sintomas dependem da idade, espécie,
fatores ambientais e virulência da cepa viral.
Pode ser
uma doença assintomática. Nos casos agudos,
pode causar morte súbita ou mostrar sinais de
depressão, perda de apetite, tosse, espirros,
diarréia, secreção ocular, problemas
neurológicos (como descoordenação
e torcicolos).
A transmissão
se dá de uma ave infectada a outra, pelas fezes,
secreção ocular ou respiratória.
Essa doença não tem tratamento.
6) Doença de West Nile
Causada por
um vírus da família Flavivirus, que ainda
não foi descrito no Brasil e é raro na
América. A transmissão se dá por
mosquitos (do gênero Culex) infectados.
A doença
pode aparecer de forma assintomática ou causar
morte súbita. As aves afetadas ficam doentes rapidamente,
apresentando encefalite (inflamação cerebral),
febre, estupor, desorientação, paralisia,
tremores e fraqueza. Não há tratamento
específico, apenas como suporte.
7) Tricomoníase
Causada pelo
protozoário Trichomonas gallinae, parasita que
habita boca, papo, esôfago e traquéia. Pode
causar placas brancas e inflamação na boca.
Além disso, o pássaro afetado apresenta
perda de apetite, vomito, penas eriçadas, diarréia,
disfagia (dificuldade em engolir), dispnéia, perda
de peso, aumento da sede e morte.
A transmissão
se dá pela ingestão de alimento contaminado.
O diagnostico é difícil, podendo ser confundido
com candidíase, poxvirus e deficiência de
vitamina A. Tratamento à base de medicamentos
anti-protozoários.
8) Salmonelose
Bactérias
do gênero Salmonella causam infecções
em vários animais, incluindo aves e homens. As
salmonelas causam envenenamento da comida, e tanto a
bactéria ingerida como a toxina por ela produzida
causam os sintomas da doença. A transmissão
se dá por água e comida infectada.
Os sintomas
incluem letargia, perda de apetite, fezes aquosas, diarréia
com sangue, artrite, depressão e morte. O tratamento é à base
de antibióticos (kanamicina ou gentamicina, dependendo
da espécie) e medicamentos para cortar a diarréia,
além de tratamento suporte contra desidratação.
9) Fatty liver disease (literalmente: doença de fígado adiposo)
Também
conhecida por degeneração hepática.
Ao contrário das outras, essa é uma doença
decorrente de uma disfunção metabólica,
caracterizada pela infiltração de gordura
no fígado, com conseqüente aumento do conteúdo
lipídico sangüíneo e falência
hepática. É causada por obesidade ou deficiência
nutricional (dietas ricas em gorduras e pobres em nutrientes
essenciais). Há três vitaminas cuja deficiência
está correlacionada com essa doença: colina,
metionina e biotina, todas relacionadas ao metabolismo
de gordura.
Essa doença
costuma ocorrer em aves com dietas baseadas em sementes,
especialmente girassol. O tratamento inclui mudanças
na dieta (com exclusão de alimentos com altos
níveis de gordura e redução de proteínas)
e aumento na atividade física.
10) Polyomavirus
vírus
que geralmente ataca psitacídeos jovens (entre
14 a 56 dias); quanto mais jovem, mais severa é a
infecção. Geralmente, as aves aparentam
estar saudáveis por 10-15 dias, e então
morrem sem sinais aparentes. Quando aparecem, os sintomas
clássicos incluem depressão, perda de apetite,
diarréia, perda de peso, parada do papo, regurgitação,
diarréia, desidratação, sangramento,
respiração difícil, fraqueza, paralisia,
abdômen inchado e tremores.
A transmissão
se dá por cuidado parental, fezes e poeira contaminadas
e secreções nasais. Não há tratamento,
e geralmente é uma doença muito agressiva.
11) Tuberculose
Causada por
bactérias do gênero Mycobacterium (avium,
bovis e tuberculosis). A transmissão se dá pela
ingestão ou inalação de partículas
infectadas.
Há três
tipos de síndromes: (a) forma clássica,
com formação de tubérculos ou granulomas
em diversos órgãos; (b) forma paratubercular
(com lesões no trato intestinal); (c) forma atípica,
caracterizada por alargamento no fígado.
Os sintomas
comuns são perda de peso, depressão, diarréia,
sede, dificuldade em respirar e morte.
12) Sour crop e slow gut
Essas duas
desordens se caracterizam por uma parada do movimento
gastrointestinal (no papo ou no intestino). Sour crop é um
termo de tradução meio complicada, mas
que significa algo como “papo azedo”. Slow
gut caracteriza o movimento lento do alimento no intestino.
As duas desordens
são causadas pelo acúmulo de comida estagnada
no papo ou intestino, provocando uma descida mais lenta
da comida; isso faz com que fique cada vez mais comida
no papo, e essa vai ficando cada vez mais azeda, fermentada.
As causas disso são: (a) comida muito fria (causa
redução na temperatura corporal, com conseqüente
parada do sistema digestivo); (b) comida muito grossa;
(c) superalimentação (causa um alargamento
do papo, com perda da elasticidade e tônus muscular,
com conseqüente redução do movimento
da comida); (d) temperatura ambiental baixa (o calor
corpóreo é desviado para aquecimento, e
não pra digestão); (e) infecções
por algumas bactérias ou fungos.
A primeira
coisa a ser feita é verificar se a ave está eliminando
fezes (isso é um bom sinal, pois indica que o
trato digestivo não está totalmente parado)
e se o papo esvazia ao menos uma vez no dia. Todo o processo
a seguir deve ser feito em um local quente, para que
a ave não tenha uma hipotermia, e deve ser feito
apenas por um veterinário ou alguém que
saiba o que está fazendo.
Se o papo
está apenas um pouco cheio, e já é hora
da próxima refeição, injete com
sonda 10 ml de Pedyalite e massageie com cuidado o papo.
Se funcionar, a ave irá defecar em 1 hora. Repita
até que o papo fique totalmente vazio. Só aí dê alimento
normalmente.
Se o papo,
ao contrário, não esvazia nem um pouco,
será necessário esvaziar e limpar, com
a ajuda de uma seringa e sonda próprias. Ao esvaziar
o papo, analise o conteúdo: se houver grumos brancos,
provavelmente é uma infecção por
Candida; se for viscoso e fedido, é problema de
infecção bacteriana. Para lavar o papo,
misture Nolvasan com água morna (36 a 40 °C)
e injete 10 ml, deixando por 2 min, removendo em seguida.
Repita o procedimento até que essa água
volte limpa. Coloque 5ml de Nystatin no papo (para combater
a infecção por fungos) e, após 5
minutos, mais 5 ml de Pedialite morno (contra desidratação)
ou água morna. Após 2-3 horas, dê uma
quantidade pequena de papinha, bem diluída, e
espere ver se a ave elimina fezes. Se isso não
ocorrer, a única solução é correr
para o veterinário.
13) PBFD (Psittacine beak and feather disease)
Causada por
um vírus da família Circoviridae. Aves
neonatas e mais jovens são as mais suscetíveis,
sendo afetadas pela forma aguda da doença. Nesse
caso, as primeiras penas são sempre fraturadas,
ou falhando, apresentam anorexia, diarréia, imunodepressão,
depressão e morte, mas com poucas anormalidades
nas penas. Com a queda da imunidade, desenvolvem-se infecções
secundárias (virais, bactérias, fúngicas).
Pássaros
mais velhos desenvolvem a forma crônica, com penas
cada vez mais anormais a cada muda, sendo as mais afetadas
as penas de contorno do corpo: elas ficam curvadas, retorcidas,
pequenas, deformadas ou faltantes. O bico se torna cinza
brilhante, com crescimento anormal e quebras.
A transmissão
se dá pelo contato direto de animais afetados,
inalação ou ingestão de partículas
infectadas, poeira das penas ou fezes. Não há tratamento,
mas a ave pode viver por muito tempo em um ambiente livre
de estresse e com acompanhamento veterinário.
14) Doença proventricular
Causada por
um fungo do gênero Megabacterium, que coloniza
o proventrículo (ou estomago), estando presente
na região mucosa que recobre esse órgão.
Há duas formas da doença: crônica
ou aguda.
A forma aguda
ocorre quando as aves morrem subitamente em 12-24 hs,
mostrando grande depressão e podendo regurgitar
fluido com sangue. A forma crônica é a mais
comum, com perda progressiva de peso, letargia, depressão,
dificuldade de ingestão, regurgitação
de material viscoso e com sangue.
A transmissão
ocorre pela ingestão de fezes contaminadas. O
tratamento é feito com drogas como amphoteracin
B e diflucan.
15) Doença de Pacheco (ou hepatite viral)
Causada por
um herpevirus. Essa doença foi primeiramente identificada
no Brasil. Os pássaros afetados podem morrer subitamente
ou apresentar sinais não específicos, como
letargia, anorexia, depressão, penas eriçadas,
conjuntivite, sinusite, diarréia (com uratos verdes,
indicando problemas hepáticos) e tremores.
A transmissão
se dá por secreções nasais e fezes
infectadas. O tratamento é à base de Zoirox
(aciclovir).
16) Doença de New Castle
Causada por
um vírus da família Paramyxoviruses, cuja
incubação pode durar de 2 a 17 dias. A
transmissão se dá por ingestão oral
e nasal de partículas infectadas.
Os sintomas
comuns são: tosse, espirros, inflamação
nasal e ocular, dispnéia, secreção
nasal, depressão, anorexia, letargia, diarréia
verde e volumosa, ataxia, tremores, desbalanço
da cabeça e pescoço, ataques e paralisia
dos membros e morte. O sintoma mais clássico dessa
doença são os tremores involuntários
de cabeça e pescoço, quando a ave tenta
se mover.
Não
tem tratamento, mas há uma vacina que previne
a doença.
17) Envenenamento por metal
(a) Zinco:
As principais
fontes de zinco que uma ave pode encontrar (e ingerir)
são: arames galvanizados, ferrugem e alguns materiais
em brinquedos e comedouros. O zinco é um metal
cumulativo, que se concentra nos rins, fígado,
músculos e pâncreas.
Num caso
de envenenamento agudo, há vomito, ataxia (perda
de balanço), fezes verdes e volumosas e morte.
Nos casos de exposição crônica, desenvolvem-se
problemas gastro-intestinais, lesões renais (o
que leva a um aumento no consumo de água e urina),
arrancamento de penas, letargia, ataxia e disfagia.
O diagnostico
geralmente é feito por radiografia e teste sanguíneo.
O tratamento é feito com agentes quelantes, que
removem o metal quimicamente (injeções
de cálcio-EDTA, DMSA oral, D-penicillamine), lavagem
do trato gastrointestinal (para remoção
de eventuais pedaços de zinco) e tratamento suporte
(com suplementação alimentar, medicamento
e manutenção da temperatura corporal).
(b) Chumbo:
As principais
fontes de chumbo são soldas, baterias, arames
galvanizados, alguns sinos, papel-alumínio, vitrais
e linóleo. O chumbo afeta vários órgãos,
incluindo trato gastrointestinal, fígado, células
sanguíneas, medula óssea e sistema nervoso.
Também
pode ocorrer um envenenamento agudo ou crônico.
Os sintomas são anorexia, regurgitação,
diarréia verde-escura, perda de peso, aumento
da sede e urina, letargia, asas caídas, depressão,
perda de balanço, cegueira, tremores, convulsões
e morte.
Diagnóstico
e tratamento são iguais aos casos de envenenamento
por zinco.
(c) Mercúrio
e Cádmio:
o mercúrio é um
metal difícil de ser encontrado, mas que está presente
em termômetros, alguns desinfetantes e alguns medicamentos.
O cádmio é encontrado em soldas, alumínios,
tintas e baterias. Os sintomas de envenenamento dos dois
metais são similares, e incluem aumento de salivação,
irritação na boca, pneumonia, sangramento
nasal, perda de penas, diarréia com sangue, problemas
renais, ataxia, convulsões e anemia.