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Acaro de Traquéia

Fonte: Rodrigo Silva Miguel

Nomes estranhos como Stemostoma tracheaçolum, mais comum, Cvtodites nodus ou Psittanyssua e mais uns 30 nomes esquisitos como estes, não assustam tanto o criador de canários quanto ouvir o simples apelido ácaro de traquéia. Estes são alguns dos tipos desse verdadeiro fantasma para os canaricultores do Brasil e do mundo.

O ácaro de traquéia encontra-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos e poeira, instalando-se oportunamente nas vias respiratórias das aves, podendo atacar a traquéia, sacos aéreos, pulmões e até mesmo ossos pneumáticos Esses ácaros provocam lesões inflamatórias no trato respiratório provocando irritação e perda da "voz", e em casos extremos pode ocorrer morte por asfixia devido à alta infestação.

O tratamento de eleição para controlar esses ácaros é o uso da ivermectina (Ivomec) dose de 0,01 ml/kg de peso vivo, ou Ivomec Puron uma gota de seringa de insulina no dorso da ave administrado de 15 em 15 dias até sanar o problema. Tomar cuidado com a época de aplicação e período de recesso na reprodução para sucesso no tratamento.

Esses períodos devem ser analisados e determinados pelo veterinário responsável pelo plantel de acordo com a espécie, condições nutricionais e fisiológicas da ave.

Ao se necropsiar uma ave parasitada por ácaros encontra-se um quadro de intensa irritação do trato respiratório (pontinhos pretos) desde a traquéia até os pulmões. Essa irritação provoca dificuldade respiratória, queda no sistema imunológico e uma conseqüente instalação de patologias, secundárias (Mycoplasma, bactérias, vírus, fungos) que geralmente são a causa das mortes nas aves. Muitas vezes, mesmo matando o ácaro, as cicatrizes das lesões não permitem uma total recuperação da "voz" e em outros casos não se observam seqüelas

Levando-se em conta a grande extensão do sistema respiratório das aves, a cronificação dessas infecções secundárias pode tornar-se um problema de difícil solução por atingir os sacos aéreos que estão distribuídos P01. todo corpo. É fundamental que o veterinário diagnostique e trate essas infecções para evitar a morte do animal.

Esse é o maior erro de todos os criadores, achar que o ácaro é um problema isolado enquanto ele apenas abre portas para infecções mais sérias. O Ivomec apenas mata o ácaro enquanto a infecção secundária deve receber a terapia específica.

Qualquer terapia não deixa de ser mais um stress para o animal, de onde devemos concluir que a prevenção continua sendo a melhor via de sucesso na criação Isto não significa o uso de medicamentos para a prevenção que é praticamente um crime!!, e sim cuidados de manejo como alimentação balanceada e contínua (sem mudanças bruscas), ausência de correntes de vento, evitar levantar poeira no criadouro (varrições) outras formas de stress conhecidas pelo criador.

Com uma prevenção cuidadosa e a detecção imediata das mais discretas alterações, o fantasma toma-se o que na verdade sempre foi : Nada.


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