Estes procedimentos
são totalmente incorretos. Para entender mais, observe
o seguinte:
1. Ao entrar
no criadouro pela manhã respire fundo e sinta se
o ar está pesado, com um odor característico
mais acentuado. Você espira seguidamente?
2. Verifique
se existem fungos sobre as fezes dos pássaros e
alimentos.
3. Verifique
se existem fungos nos cantos do piso, nas paredes, principalmente
nas curvas, abaixo e acima da janela.
4. Verifique
se na pintura das paredes aparecem com sinais de Saponificação,
que são manifestações de manchas na
superfície pintada, ou Desagregamento, que se caracteriza
pela destruição da pintura que se esfarela
juntamente com partes do reboco.
Se um destes
quatro itens for observado, sua renovação
de ar esta inadequada.
A causa geral é a ocorrência de pressão estática,
mantendo a umidade ambiental parada, dotando, o ambiente de condições
ideais a instalação e proliferação dos mais diversos
tipos de organismos alergênicos (organismos que produzem as mais diversas
manifestações alérgicas em homens e animais). Além
disso, um ambiente mau ventilado, diminui a vida útil de bens e utensílios
existentes no local.
A solução
será adotar no ambiente uma ventilação
forçada, retirando assim o ar interior poluído,
repondo e renovando-o, através de um ou mais ventiladores,
de acordo com as necessidades apresentadas. Para tal, serão
fundamentais os seguintes itens:
1. O criadouro
deve ser fechado em sua parte superior for forro ou laje.
2. Calcular
com precisão o número de renovações
necessárias a cada hora, e definirmos qual tipo
de ventilador será utilizado. Para isso, será necessário
que tenhamos as medidas, cúbica dos ambientes e
o lay-out de sua edificação.
3. O ventilador
deverá estar acompanhado de um controlador cuja
função, será liga-lo por um período
de tempo de acordo com o número previsto de renovações/hora.
A razão
de tais procedimento é evitar, através de
sucção forçada, a concentração
de micro partículas em suspensão no ar, como
esporos e micélios de fungos, ácaros, etc.,
encontrados em abundância nos ambientes úmidos,
fechados e rico em nutrientes, como é o caso dos
criadouros, casas de campo, praia, porões, residências
construídas no fundo do terreno, sem saída
de ventilação, etc.
Os organismos
alergênicos em suspensão ou alérgicos
inalantes são os principais responsáveis
pela inflamação alérgica respiratória
dos pássaros e do tratador. É importante
dotar-se de conduta preventiva, procurando eliminar os
fatores de risco envolventes, não somente aos pássaros,
como também o tratador, familiares, visitantes dentre
outros.
E o que é a
alergia? São reações exageradas que
o organismo sofre quando entra em contato com determinadas
substâncias (alérgenos), mesmo em quantidades
pequenas. Os alérgenos estão presentes em
praticamente todos os ambientes intra-domiciliar ou extra-domiciliar
em menor ou maior quantidades, sensibilizando de imediato
portadores de síndromes alérgicas ou induzindo
nosso sistema imunológico a reações.
Fungos
e Ácaros
Os principais
alergênicos encontrados no criadouro de pássaros
são:
Fungos – Também
conhecidos pelo nome de mofo, bolor ou bolores, podendo
ser parasitas ou saprófitos, que se alimentam de
substâncias mortas. Normalmente se instalam em ambientes
com umidade estática (parda) e rico em nutrientes.
Especialistas acreditam que estes são responsáveis
por 2/3 das alergias respiratórias em decorrência
da inalação de esporos ou micélios
de fungos em suspensão no ambiente.
As toxinas
de fungos são liberadas sobre as sementes, contaminando-as.
Estas substâncias são excrementos de fungos,
e altamente tóxicas para as aves. De acordo com
o volume ingerido pela ave, a toxina poderá ser
letal, e quando não, poderá trazer sérios
problemas de saúde aos pássaros.
No tratador,
a doença causada pelo fungo é chamada Aspergilose
decorrente do fungo Aspergillus fumigatus. O tratador poderá ser
acometido de Aspergilose broncopulmonar alérgica,
resultante de uma reação inflamatória
subaguda, podendo o quadro se evoluir para Aspergilose
aguda evasiva, ou Aspergilose necrotizante crônica
(mais rara).
Ácaros – São
Ectoparasitas microscópicos que se proliferam em
ambientes úmidos (acima de 60%) e em temperaturas
entre 18 e 26o C. Sua alimentação se baseia
em fungos, fibras orgânicas, descamação
de pele humana, animal, penas dentre outros. O principal
alérgeno dos ácaros é encontrado em
suas fezes: São os esporos sua média de vida é em
torno de 90 dias. Seu tamanho varia de 100 a 300 micrômetros.
Dentre os Ácaros mais atuantes nos pássaros
podemos citar:
Ácaro
que ataca todo o corpo do pássaro (Dermanysus gallinae)
Causa sérios
danos à criação. De acordo a quantidade
de ácaros, que se infesta no pássaro, o animal
pode ser levado rapidamente a anemia e, senão à morte.
Ácaro
da sarna podal dos periquitos (Knemidokoptes pilae)
Há inflamação
e exsudato inflamatório nas patas e bico que desaparecem,
dando formação a um tecido esponjoso.
Ácaro
da sarna podal dos canários (Knemidokoptes jamaicencis)
As fêmeas
destes microorganismos escavam galerias nas patas, onde
há a formação de crostas, sendo que
estas ficam repletas de ácaros em diferentes fases
de desenvolvimento.
Ácaro
do canhão das penas das aves (Syrongophilus bipectinata)
As penas ficam
repletas de material seco e acumulado, onde se encontram
os ácaros. As penas caem e pode haver inflamação.
No periquito, ataca a base das penas, ocasionando a queda
das mesmas, deixando as áreas cheias de crostas.
Ácaro
dos sacos aéreos (Sternostoma tracheacolum)
São
os mais comuns, existindo pelo menos 38 espécies
de ácaros isolados nestas vias. Instalando-se nos
sacos aéreos, traquéia e narinas fixam-se
na parede formando nódulos de inflamação.
Produzem os seguintes sintomas: acesso asmático
repentino, respiração penosa, sibilante,
com assobio, acesso de tose com expectoração,
plumagem em desalinho, abertura do bico sincronizado com
os movimentos respiratórios, dentre outros.
Em relação às
doenças causadas por esses microorganismos, podemos
ainda citar a doença causada pela inalação
do pó das sementes, fato que acontece diariamente
por muitos tratadores, quando cuidam de seus criadouros.
O pó das sementes, são agentes broncocostritores
complexos, pois apresentam na sua constituição,
além de seus componentes, contaminantes como fungos, ácaros,
bactérias, insetos, excretas de roedores e pássaros,
5 a 15% de dióxido de sílica. Várias
afecções respiratórias são
atribuídas à poeira das sementes: asma, rinite,
conjuntivite, doença pulmonar obstrutiva crônica,
alveolite alérgica extrínseca e febre de
cereais (“grain fever”) (WARREN et al., 1983).
Conclusão – É importante
adotar uma conduta preventiva no criadouro, para que nosso
hobby se torne um eterno prazer.