Mas, então,
por qual razão o número de Canários
da Terra vem diminuindo nos Torneios de Fibra??? Seria
em razão de possíveis dificuldades da marcação
de seus cantos de múltiplas versões??? E
porque razão é sempre o último na
ordem das marcações dos torneios???
Avento outra hipótese: A enorme dificuldade de se criar Canários
de Fibra.
Ahh, a Fibra!!! Eita qualidade desejada, procurada, pouco encontrada e difícil
de ser descrita. Pior, vem sempre associada à Valentia.
Dou minha definição:
A Valentia é a impetuosidade o destemor que o atira
aos confrontos sem medir conseqüências e resultados. É uma
das características admiráveis dos CTs que os
transformam em aguerridos combatentes. A Fibra é capacidade
de manter e sustentar por horas, seu canto e postura mesmo
que cerceado por incontáveis contendores. É a “personalidade” firme
que não se dobra nem se rende tal qual “sandália
de padre” que mesmo desgastada continua pronta para a
próxima peregrinação. Mas em que grau é essa
Fibra ou Valentia??? Terão “mais ou menos” Fibra
os que, durante um torneio, pouco se movimentam e cantam calma
e ritimadamente acomodados em um poleiro, ou aqueles que conseguem
manter um alto número de cantadas voando de uma grade à outra,
não se atendo a um só poleiro. Como Comensurar
o Incomensurável?? Qual dos dois tipos acima descrito
seria o mais indicado à reprodução. Ou
nenhum deles??? Se isso já não bastasse acresçamos
a inquietante dificuldade da transmissão dessas qualidades à prole.
Minhas observações pessoais me levam a concluir
que ainda estamos tendo pouco sucesso em reproduzir em nossos
filhotes essas qualidades tão características
e desejadas. “Até um imbecil passa por inteligente
se ficar calado.”
Mesmo correndo o risco de julgamentos, começo a expor aos amigos algumas
teorias:
* 1 - Como
mensurar a Fibra ???
* 2 - A Fibra e Valentia são hereditárias, aprendidas ou adquiridas
???
* 3 – Será a seleção dos canários mais difícil
que a de outros pássaros???
O ponto máximo
de análise da Fibra são os torneios. Lá essa
qualidade é posta à prova em tensão
máxima. Não raras vezes, os Canários
viajam horas em plena madrugada para estarem no local do
torneio antes das 8 horas da manhã; participam do
torneio, disputando canto a canto ao lado de algumas dezenas.
A FIBRA DOS
CANÁRIOS DA TERRA de outros Canários, permanecendo
até por volta das 12 horas, cantando sem parar e
ainda conseguem sair deste dificílimo embate cantando
e evidentemente nos deixando extasiados. Mas para que se
possa medir essa Fibra serão necessários
no mínimo 2 ou 3 longos anos para a maturidade do
pássaro e preparação para tais torneios
e dificuldades. O ponto máximo de demonstração
da valentia são as “brigas de Canários”.
Não se trata de aprovar ou não. O fato é que
mesmo proibidas elas existem e é uma realidade em
todo o Brasil, desafiando a legislação e
a fiscalização. Indiscutivelmente, vemos
nesse meio, Canários de primeiríssimo time
que muito bem poderiam ser aproveitados em nossas seleções,
pois viriam enriquecer plantéis e teriam muito a
transmitir. Acredito ainda, que tanto a Fibra como a Valentia
são caracteres hereditários e assim sendo,
lembremse que a hereditariedade é um fenômeno
biológico que permite aos reprodutores passarem
para seus descendentes suas boas ou más qualidades.
Esse assunto já foi por muitas vezes comentado e
discutido, mas como “aprendemos mais quando questionamos
o que parece óbvio” (filósofo e criador
mineiro José Carlos Luz Martins), chamo a atenção
para dois depoimentos que transcrevo: “Também
não conheço trabalhos sobre seleção
genética dos nossos pássaros, na verdade
não tenho informação se características
como valentia, fibra seriam herdadas ou aprendidas; Pássaros
que vivam em uma região com fartura de comida e
locais para ninhos não precisam ter tanta fibra
e valentia como aqueles em que na região a comida
não é tão farta e os locais para ninhos
são poucos, este fato leva algumas pessoas a imaginar
que o processo que estes caracteres não são
herdados, mas aprendidos.
Se for hereditário funcionaria como qualquer mutação de
cor. O problema que é que na imensa maioria das variações
de cores estão envolvidos apenas 1 ou 2 pares de genes, então é mais
fácil de controlar e estudar e prever, características como fibra
e valentia poderiam ter mais genes envolvidos o que dificultaria um estudo.” “O
segredo desta história é sempre anotar tudo, só assim
de posse de resultados é que dará para saber se é hereditário
e como funciona”.
“Trabalhar com
mutação de cor é muito mais fácil,
por ser facilmente visível e não depender de
outros fatores: saúde do pássaro, alimentação,
etc que provavelmente teriam influência na fibra e
valentia.” Paulo Flecha, Criador de Pássaros,
Ornitólogo e Pesquisador.
De pronto esse depoimento nos remete a uma reflexão:
Nós que fazemos a reprodução dos canários em pequenas
gaiolas, estamos errando o manejo dos filhotes??? Deveríamos soltar
todos os filhotes em grandes viveiros com poucos pontos de comida e abrigo
e deixar que as dificuldades os moldassem??? Seriam revelados os bons??? E
que destino dar aos demais??? Não correríamos riscos desnecessários???
“ Talvez a genética seja o item mais importante em todos os animais.
Se você puder aliar uma boa genética a um bom manejo, você terá sempre
um grande pássaro. Eu trabalho em meu criatório com o máximo
empenho em genética e por incrível que lhe pareça estou
tendo problema com meus filhotes, os mesmos vem vindo com muita fibra e com isso
não aprendem a cantar o canto clássico. Para quem quer canto clássico
a característica “fibra” não é “boa”;
os filhotes não aceitam o disco e cantam sem parar e com isso não
aprendem as notas do canto. Erram na marcação das notas e não
respeitam os mestres. Tem filhote que estraga o mestre se você permitir
a demanda entre os dois”. Isair Alves – São Paulo-SP. Selecionador
de Curiós de Canto Praia Clássico com mais de 40 anos de experiência.
Aqui vemos
que a Fibra vem sendo herdada mesmo não estando
esta nos objetivos do criador, que com certeza teve esta
qualidade nos pássaros formadores de sua linhagem. É certo
também que as qualidades iniciais da formação
da linhagem ressurgem espontâneas e que de um espetacular
campeão cruzado com uma fêmea de iguais qualidades,
poderão formar uma geração totalmente
heterogênea e sem o menor valor, isto porque suas
qualidades podem ter sido herdadas por simples atavismo,
sem caracteres fixos das famílias e linhagens às
quais pertencem. Muitas vezes esses bons caracteres provem
de ancestrais muito distantes. De um mesmo casal de reprodutores
poderemos obter filhos expoentes ao lado de medíocres,
ou seja:
“É um erro apegar-se ao princípio de que só nos darão
bons produtos os descendentes de indivíduos excepcionais, deixando de
lado o valor das linhagens, o que é mais essencial” Georgio de Baseggio.
E não pensem os passarinheiros que são os únicos que tem
dúvidas e incertezas. Transcrevo um trecho de um depoimento colhido de
um Columbófilo de Competição (Pombos Correios) a seus pares: “Como
os criadores inteligentes sabem muito bem, em treinos iniciais não se
pode tirar nenhuma conclusão precipitada, mas como alegria de pombo meia-asa
dura pouco, alguns têm que vibrar logo porque depois... só Deus
sabe. Estou só no aguardo, já tem muito pombinho meia-asa (meia
asa é pombo cruzado com ornamental, pombo mal cruzado, ma alimentado,
mal tudo...) chegando de bico aberto e asa baixa; só chegarão na
frente se for uma cagada muito grande, que vez ou outra acontece; Vamos aguardar
o final, e como eu disse no e-mail anterior: Não esquenta não que
alegria de pombo meia-asa dura pouco. He...he...heheheheeeeee....” Para
avançarmos e passarmos a ter criações com bons resultados,
temos que colher depoimentos de resultados e experiências de inúmeros
criadores e competidores. O segredo desta história é sempre anotar
tudo, só assim de posse de resultados é que dará para saber
se tais caracteres são hereditários e como funcionam. Qual o manejo
vem obtendo o maior número de bons competidores. A orientação é clássica: “siga
em frente, faça anotações e divulgue a suas experiências
e conclusões, estamos todos precisando desse tipo de informação”.
Os desafios
de conseguir um pássaro cada vez melhor, não
terão fim. De nossa parte concluímos que
Genética e Manejo tem que estar unidas visando um
mesmo objetivo. Decidir pelo contrário poderá fazer
sua criação virar “um barco a três”:
O primeiro olha para um lado. O segundo rema na direção oposta.
E o capitão finge que não vê.