De alguma forma
todos os criadores de Curiós um dia enfrentarão
problemas relacionados à postura de ovos por parte
de suas matrizes. Em última estância, enfrentarão
situações de dúvida em relação à cronologia
que envolve o período que vai desde a cópula
até a postura. Via de regra este período
varia provocando incertezas quanto ao momento da postura,
quando devemos interferir e como fazer esta interferência.
O criador de Curiós precisa a princípio adquirir
conhecimentos mínimos do que está acontecendo
no interior do sistema reprodutor enquanto observa externamente
o comportamento e sintomas apresentados pela fêmea.
O relacionamento entre o observado externamente (sintomas)
com o interno oculto é fundamental para uma tomada
de posição frente a uma retenção
de ovo por parte da fêmea.
Antes de descrever
o método pelo qual o criador fará a intervenção,
julgo indispensável à obtenção
de um diagnóstico do problema com extrema precisão,
para tanto, o criador em espacial os principiantes, precisam
adquirir os conhecimentos necessários à produção
do “Diagnóstico Diferencial” e comparativo
com situações de normalidade.
INDUÇÃO
DA POSTURA
MÉTODO
DA IMPULSÃO EXTERNA
Decorridas
24 horas da cópula ou 72 horas como limite máximo,
cabe-nos observar se a fêmea apresenta tristeza acentuada,
geralmente acompanhada de respiração ofegante,
plumagem grossa (embolada), e se estiver sobre o fundo
da gaiola não reagindo a ser colhida com a mão,
em caso afirmativo, trata-se de caso clássico de
Retenção de Ovo. Este diagnóstico
não falha. Os sintomas poderão ocorrer na
postura do primeiro ovo, no entanto temos verificado o
problema também na postura do segundo, (Caso da
casca mole é mais freqüente no segundo ovo).
Ocorre ainda na postura de um só ovo que pode ser
mole, ou, duro avantajado.
Constatado
o quadro descrito a cima colocamos imediatamente em prática
o método da Impulsão Externa que consiste
no seguinte.
1º Passo
Colhemos a
Curiôa cuidadosamente com a mão direita (devemo-nos
acercar de todos os cuidados para que a enferma não
se debata nem alce vôo de nossas mãos) colocamos
de costas sobre a palma da nossa mão esquerda de
forma que o dedo médio faça o apoio nas costas
e com o dedo indicador e anular da mesma mão prendam
suas azas garantindo-nos uma boa contenção.
(se não dispor desta habilidade manual solicite
ajuda a terceiros). Ver fotografia Contenção-01.
2º Passo
Com a mão
direita livre, utilize as extremidades dos dedos indicador
e anular para localizar o osso externo do peito “Quilha” e,
deslocando-o em direção ao anus encontramos
a cavidade abdominal logo abaixo das costelas, esta parte
da ave é desprovida de ossos e suavemente deslocamos
os dedos ligeiramente abertos sobre os intestinos buscando
manter sempre a simetria do abdômen em relação
a linha definida pelo osso externo, ai aplicamos nesta área
leve pressão em direção ao orifício
anal, podemos mediante a sensibilidade das extremidades
do dedo localizar o ovo por apalpação e determinar
quantos são e a condição de casca
se mole ou dura.
Efetuamos mediante
a constatação por apalpação
com as extremidades dos dedos movimentos lineares dotados
de leve pressão que vão do osso externo até o
local aonde se encontra alojado o ovo. Ao sentir o ovo
sob os dedos saberemos o grau de dificuldade para expulsa-los,
pois, se a casca for mole a dificuldade esta na constrição
dos músculos do oviduto que deformando-o impedem-no
de sair. Se a casca for dura a dificuldade será pela
pressão bi polar exercida pelos músculos
constritores, logo que tenhamos conhecimento da situação
quanto ao tipo de casca procederemos de maneira diferenciada.
3° Passo
Se o ovo possui
casca mole (caso documentado com fotografias e anexadas)
podemos efetuar uma pressão maior com as pontas
dos dedos indicador e anular até encontrarmos a
extremidade vértice do ovo, (procedendo desta forma
não corremos o risco de exercermos pressão
sobre o ovo o que fatalmente o romperia) neste ponto efetuamos
movimentos delicados de pressão que irão
estimular, ou mesmo substituir as contrações
e ajudar a impelir o ovo através do oviduto até o
orifício anal. Como podemos verificar o processo é demorado,
então precisamos intercalo-lo com instantes de descanso
o que provoca muitas das vezes uma retomada das contrações
por parte da Curiôa e geralmente a postura ocorre
durante o período de descanso. Caso contrário,
retomaremos as pressões anteriormente descritas,
intercalando-as com períodos de descanso até que
se verifique o surgimento de um ponto branco (Fotografias
Contração-01-02-03) que crescerá à medida
que o método se desenvolve até o surgimento
de boa parte da coroa do ovo, neste momento mediante o
uso de uma seringa dotada de agulha grossa e sem ponta
(agulha de uso bovino) efetuamos uma punção
de todo o conteúdo do ovo e em seguida puxamos a
sua casca membranosa e vazia com a ajuda de uma pinça
finalizando desta forma todo o processo, a fêmea
em dois dias estará totalmente recuperada, no entanto é recomendável
coloca-la por algumas horas em local aquecido para recuperar-se.
Se o ovo possui casca dura o processo é o mesmo, devemos apenas tomar
o cuidado de não efetuar pressão sobre o ovo e sim sobre a sua
extremidade vértice em direção a sua saída, é necessário
tranqüilidade e concentração durante todo o processo que
deve ser intercalado por descanso até atingirmos o objetivo. A segurança
do executor do método é fundamental, deve repousar no fato de
ter adquirido todos os conhecimentos necessários à prática
do mesmo, pois não há lugar para insegurança ou vacilo,
iniciado o processo devemos ir até o fim. Em alguns casos a postura
pode ocorrer logo após a massagem, para tanto o ovo deve deslocar-se
até a cloaca.
Acreditamos
que a divulgação do método descrito
não se constitui novidade entre os criadores de
pássaros que já os praticam há décadas,
no entanto o criador iniciante encontrará ao seu
dispor as informações necessárias
e capazes de salvar a vida de várias fêmeas
em reprodução. Observar conjunto de fotografias
anexadas."