Em ambiente
doméstico, ocupando gaiolas típicas, não
deve levar mais de 8 semanas na troca da plumagem. Há espécimes
que completam a muda em 40 dias, mas estes são as
exceções e não a regra.
A época
da muda varia um pouco de uma região para outra,
sendo influenciada pela temperatura, umidade relativa do
ar, etc.
Aspectos psicológicos podem influenciar a entrada do pássaro
em muda. Um pássaro em meio às fêmeas ou ouvindo e disputando
canto com outros machos poderá retardar sua entrada na muda. O pássaro
necessita tranqüilidade para uma muda natural.
Devemos evitar
prolongar o período de reprodução
para não comprometer a muda do plantel. Os filhotes
tirados a mais nessa temporada, serão cobrados na
produção futura.
Fatores de
estresse como mudança de ambiente, viagens, variações
bruscas de temperatura, mudanças e desequilíbrios
na dieta poderão precipitar a entrada do pássaro
na muda.
Forçar
a muda não é prática recomendável.
A muda é um
processo natural na vida das aves, relacionado a fatores
biológicos, ligados aos hormônios produzidos
pela tireóide. A fase da muda é mais complexa
que a simples substituição das penas, envolvendo
processos que não são percebidos como, por
exemplo, a reorganização do aparelho reprodutivo.
Durante a muda, as fêmeas não produzem óvulos
e os machos perdem temporariamente a fertilidade. Daí ser
comum ocorrer de um pássaro, próximo de entrar
na muda ou terminando-a, galar uma fêmea e não
fertilizar os ovos.
Durante a muda
os machos esfriam, param de cantar e na maioria das vezes
diminuem muito a sua movimentação na gaiola.
Na natureza param as disputas territoriais e se juntam
aos bandos, machos e fêmeas.
As penas devem
cair devagar, naturalmente, de forma a que quase não
se perceba sua entrada em muda. Se de um dia para outro
a gaiola aparecer forrada de penas ou se partes da pele
estiverem expostas, há algo errado.
Os filhotes
nascem quase pelados, cobertos com uma finíssima
plumagem. Aos poucos vão aparecendo as penas e quando
saem do ninho já estão empenados por inteiro.
No terceiro ou quarto mês de vida efetuarão
uma muda que chamamos muda de ninho.
O filhote fará uma
muda rápida de penas que chamamos MUDA DE PARDO.
As mudas de penas anuais ocorrerão então
mais ou menos 12 meses à partir desta muda de pardo.
Após a muda de pardo, o Curió deverá ser
colocado na VOADEIRA por 20 dias, para que possa voltar
ao seu estado atlético, já que na muda o
curió passa por um processo de letargia e após
este período levá-lo para passear. Se não
for possível levá-lo passear, deixá-lo
dentro do carro por algum tempo ajudará no seu desenvolvimento
(não esqueça de deixá-lo à sombra
e com boa ventilação). Quanto mais se “mexer” com
o Curió, mudando-o constantemente de um ambiente
para outro, melhor.
Essa muda de pardo não é completa. As penas das asas e da cauda
não são substituídas (rémiges e rectrizes). Mudam
somente as penas do peito e da cabeça.
Nos adultos
a muda das penas das asas e do rabo é iniciada do
centro para as extremidades. Em ambas as asas as quedas
são simultâneas. As penas do corpo são
renovadas quase simultaneamente e as últimas a serem
substituídas são as da cabeça.
Dizemos que
enxugou a muda quando não vemos mais nenhum cartucho
de penas novas em sua cabeça.
Podem ocorrer
características particulares na muda de alguns pássaros,
sem que, necessariamente, esteja ocorrendo um problema.
No final da primeira muda completa os machos curiós
apresentam penas pretas mescladas com penas marrons, sendo
chamados pintões ou maracajás. Essa plumagem
marca o que seria o período de adolescência.
Na próxima muda ficará com a definitiva plumagem
negra e será considerado adulto.
A muda de penas é um
evento natural na vida dos pássaros, não
pode ser tratada como uma enfermidade. No entanto, os pássaros
ficam mais debilitados e suscetíveis às doenças
nesse período, inspirando mais atenção,
especialmente com variações bruscas de temperatura
e com correntes de ar.
Temperaturas
mais elevadas favorecem uma muda mais rápida. Muitos
criadores encapam a gaiola durante a muda, com a intenção
de manter o pássaro mais tranqüilo e protegido
de variações bruscas de temperatura. Com
a menor circulação de ar pela gaiola encapada,
podem surgir problemas sanitários causados pelos
vapores emanados dos excrementos do pássaro, notadamente
a amônia. Podem ocorrer desde irritações
dos olhos e das vias respiratórias até uma
intoxicação mais séria. Para contornar
o problema, é colocado na bandeja da gaiola, carvão
vegetal triturado. O carvão vegetal é conhecido
pela sua capacidade de absorção e retenção
de substâncias químicas. Tanto é que
sua presença é comum em muitos filtros. Isso
deu início à lenda de que carvão no
fundo da gaiola ajuda na muda. Já vimos vários
criadores com gaiolas desencapadas e forradas de carvão,
para “desencruar a muda”.
Os banhos são
permitidos e recomendados, com a precaução
de evitar dias e horas mais frios. Duas gotinhas de vinagre
de maçã na água do banho ajudam na
prevenção de ácaros e conferem um
aspecto de limpeza à plumagem. Banhos de sol são
excelentes.
Uma dieta equilibrada é garantia
de muda bem feita.
Quando um pássaro
muda de forma mais lenta, é comum ouvirmos que está com
muda francesa. No entanto, não há propriedade
nessa afirmação, se o pássaro não
estiver acometido por um vírus natural dos mamíferos
que se adaptou às aves, mais precisamente um polyomavirus,
da família dos papovaviridae, neste caso designado
por um avipolyomavirus. Na realidade, a muda francesa se
trata de uma variante menos fatal do verdadeiro vírus,
designado por Budgerigar Fledgling Disease Virus (BFDV),
característico por afetar o crescimento das penas.
Pássaros adultos poderão ser portadores assintomáticos
dessa virose. É comum que apresentem plumagem irregular
e sem brilho, com algumas penas mais curtas ou eriçadas.
Quando a muda
não transcorre como o previsto, devemos buscar as
causas do problema.
As causas clínicas mais comuns são parasitas de pele, parasitas
internos (vermes, protozoários), infecções bacterianas
ou fúngicas na pele ou nos folículos das penas, alergias, distúrbios
hormonais, desnutrição, aspergilose (infecção respiratória
fúngica), doenças internas (doenças hepáticas)
e carências nutricionais.
As causas psicológicas
ou comportamentais são o estresse, medo, susto,
luz no criatório reduzindo as horas de sono, mudança
brusca na rotina do pássaro, presença de
outros pássaros cantando no recinto ou mistura de
machos e fêmeas, principalmente, em diferentes estágios
da muda.
Outra prática
tradicional de muitos criadores é colocar o pássaro
para exercitar-se em gaiolões no final da muda.
E exercícios são benéficos não apenas para os pássaros.
No entanto, colocar um pássaro em um gaiolão e depois de um mês
devolve-lo à gaiola convencional é uma prática de pouca
valia. Equivale a praticarmos esporte durante um mês por ano.
Os pássaros que são condicionados a permanecer em gaiolões,
passando para gaiolas convencionais apenas por ocasião de passeios,
treinamentos e torneios, apresentam condição física superior
em suas apresentações. É impressionante como se mostram
alegres com a aproximação da gaiola. Sabem que vão passear.
Concluída
a muda é hora de vermifugar o plantel, cortar as
unhas que estiverem fora de medida e iniciar os preparativos
para a temporada de reprodução e torneios.