O não
cumprimento dessa exigência fisiológica, seja
por falta de um ou mais nutrientes ou por excesso, influenciará em
vários segmentos da criação, com conseqüências
severas que afetarão a reprodução
(queda na postura, aumento de ovos brancos), a incidência
e gravidade de doenças respiratórias (peito
seco), parasitárias (verminoses, ácaro nasal,),
digestivas (salmoneloses, colibaciloses, verminoses, coccidioses)
, virais ( bouba).
Esse equilíbrio nutricional torna - se bastante grave quando se associa
excesso de um nutriente e carência de outro, como se observa na encefalomalacia
(ataques nervosos) ou na distrofia muscular (doença do músculo
branco) ou ainda na diátese exudativa (edema subcutâneo de cor vermelho
escuro a esverdeado) por excesso de gordura polinsaturada na dieta e falta de
consumo de anti oxidante metabólico ( vitamina E).
Outro desafio
para o criador: qual (is) matérias primas utilizar
na mistura de grãos e na farinhada? Essa preocupação
se propaga em duas direções:
Qualidade bromatológica do ingrediente (conteúdo de energia,
cálcio, fósforo, proteína, extrativos não nitrogenados,
umidade, fibras), enfim dados que nos possibilitem combinar esses ingredientes
para se alcançar os níveis adequados de uma dieta balanceada.
Qualidade sanitária
dos ingredientes (salmonela, índices de putrefação,
toxinas de fungos ou micotoxinas, agrotóxicos).
A não observância de cuidados sanitários
com os ingredientes é em muitos casos a principal
causa de insucesso nas criações de aves ornamentais,
tal a sensibilidade desses animais a toxinas e a contaminações
bacterianas e fúngicas. Seus níveis tóxicos
são medidos em ppm (partes por milhão) ou
até ppb (partes por bilhão), o que exemplificando
com números seria algo como a presença de
1 grama de agente tóxico por 1 milhão de
gramas de alimento a 1 bilhão de gramas de alimento!
O conhecimento
da criação e a procura constante de novos
métodos para controle da dieta de pássaros
de gaiola devem sempre ser perseguidos pelos criadores,
principalmente aqueles com um elevado número de
pássaros. Para tanto, o criador atento deverá instituir
planilhas de controle que contenham o maior número
possível de informações sobre alimentos
fornecidos, origem, quantidades, consumo, manejo alimentar,
peso durante a criação, prolificidade, mortalidade,
doenças e outras alterações notadas
na criação.
Cuidados na
compra e armazenagem dos alimentos se fazem necessários
e muitas vezes a utilização de substâncias
atóxicas que diminuam a carga de contaminantes dos
alimentos ( p. ex.: carcravol Grascon) poderá ser
medida preventiva de valia para controle sanitário
de grãos e farinhadas.
Outra precaução
importante na prevenção de possíveis
intoxicações motivadas pela dieta está no
cuidado com o uso de produtos destinados à alimentação
de aves de produção (frangos de corte, aves
de postura).Tais produtos contém, por exemplo, quantidades
muito elevadas de selênio. Esse mineral é extremamente
importante para ativação do sistema glutatione
peroxidase, que combate os peróxidos formados pela
oxidação das gorduras, porém seu uso
em quantidades elevadas leva a inativação
do sistema com conseqüências muito danosas para
aves de gaiola, elevando, em muito a mortalidade.
O controle
de umidade dos ingredientes armazenados também deverá ser
observado para todos os ingredientes de uso na dieta dos
pássaros, pois em umidade crescem fungos, que podem
produzir toxinas. Lavagem de grãos não retira
essas toxinas e muitas vezes nem retira agrotóxicos
oleosos, porém aumenta umidade dos grãos,
exigindo secagem posterior. Os grãos devem ser armazenados
com umidade final ao redor de 10 a 12%.
Clubes de criadores,
criatórios grandes, universidades, veterinários
especializados em nutrição e clínica
aviar deveriam se aliar para um melhor estudo da alimentação
de aves de gaiola, combatendo assim o empirismo ao qual
a atividade está submetida e incentivando uma criação
com alto rendimento. Bons criadores e técnicos da área
nós temos no Brasil, basta iniciar. Boas exposições
a todos!!!