Por que as aves não urinam?

Simples: porque elas não têm bexiga para armazenar a urina. Sempre que um pássaro bebe algum líquido, esse vai direto para o intestino, onde é absorvido; depois passa para o sangue e chega aos rins, para ser purificado. As impurezas que sobram desse processo – principalmente uma substância conhecida como urato – são levadas por um canal diretamente dos rins para os intestinos, onde são depositadas junto com as fezes e expelidas através da cloaca, na mesma abertura dos órgãos genitais. “É por isso que se observa nas fezes da maioria das aves uma parte esbranquiçada, formada pelo urato’, diz o ornitólogo Werner Bockerman, da Fundação Parque Zoológico de São Paulo.

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/por-que-as-aves-nao-urinam/

Pássaros voam até a Índia para cometer suicídio em massa

Jatinga é uma aldeia exuberante ao sul de Guwahati, na Ìndia. O local é uma zona de descanso para muitas espécies de aves migratórias.

Nas últimas décadas, entretanto, a região ficou famosa por um fenômeno bizarro: entre os meses de setembro e novembro, quase todas as noites, ao pôr-do-sol, centenas de pássaros se suicidam juntos.

Em uma faixa de terra de cerca de 1,5 km, uma porção de aves voa simultaneamente, como enorme nuvem escura, e se choca contra edifícios ou árvores a toda velocidade.

O mistério em torno do acontecimento é grande. “O mais intrigante é que muitas espécies diurnas aparecem no céu quando deveriam estar dormindo. Isso merece um estudo científico mais profundo”, afirmou Salim Ali, ornitólogo indiano.

Alguns pesquisadores alegam que os animais são perturbados pelas luzes noturnas e fazem vôos desgovernados. Outros acreditam que as forças eletromagnéticas de Jacinta exercem influência sobre os pássaros.

Registros históricos confirmam que, em 1905, isso já ocorria em Jacinta. Na época, os aldeões interpretaram o acontecimento como um presente dos deuses e traçaram os pássaros, com muito prazer, nas refeições.

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/blog/contando-ninguem-acredita/passaros-voam-ate-a-india-para-cometer-suicidio-em-massa/

Por que patos são bons nadadores?

CAMADA PROTETORA

Os patos possuem uma glândula na base da cauda, chamada de uropigiana, que sintetiza gordura. As aves espalham essa substância oleosa pelo corpo com o bico. Dessa forma, elas impermeabilizam as penas, que não encharcam e não ganham peso

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BOIAS NATURAIS

Assim como muitas outras espécies de pássaros, os patos possuem sacos aéreos como parte de seu sistema respiratório. Eles se enchem de ar conforme o bicho respira e, assim, ajudam a mantê-lo flutuando

AR COMPRIMIDO

As penas dos patos se entrelaçam de modo a formar pequenos bolsões de ar que ficam convenientemente presos, ajudando a flutuar. Para mergulhar, eles simplesmente apertam as penas contra o corpo, expulsando o ar

REMA, REMA

As patas possuem membranas entre os dedos que ajudam a dar impulsão dentro d¿água

SEM DUREZA

Os ossos dos patos são ocos. Isso faz com que eles não sejam muito pesados

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CONSULTORIA Ricardo Belmonte Lopes, doutorando em zoologia da Universidade Federal do Paraná

FONTES Site da Universidade de Saltford e programa MythBusters

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/por-que-patos-sao-bons-nadadores/

Como e onde surgiu a lenda de que as cegonhas trazem os bebês?

Não, não foi sua mãe que criou aquela história.

Foi na Escandinávia.

Segundo a tradição, na época em que os bebês costumavam nascer em casa, as mães diziam aos filhos que eles haviam sido trazidos pela cegonha para justificar o aparecimento repentino de um novo membro da família. Para explicar que, após o parto, a mãe precisava descansar por alguns dias, dizia-se também que, antes de partir, a cegonha havia bicado a perna materna.

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O animal foi escolhido como símbolo principalmente por dois motivos. Primeiro, é uma ave dócil e protetora. As jovens cegonhas costumam dedicar atenção especial e carinho às aves mais velhas ou doentes – tanto que os romanos antigos criaram uma lei, incentivando as crianças a cuidarem dos idosos da família, chamada Lex Ciconaria (lei da cegonha).

O outro motivo é que elas costumam fazer seus ninhos ao lado das chaminés das casas e voltam sempre ao mesmo lugar, para pôr ovos e cuidar dos filhotes. Essa mistura de generosidade e fidelidade maternais criou um símbolo perfeito.

Por muitos séculos, a lenda permaneceu conhecida apenas na Escandinávia. Mas, no século XIX, se espalhou pelo resto do mundo com os contos de um mestre da literatura infantil, o dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875).

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/como-e-onde-surgiu-a-lenda-de-que-as-cegonhas-trazem-os-bebes/

Como o pombo-correio sabe para onde levar a encomenda?

Usados há muito tempo, inclusive na Primeira Guerra Mundial, quando não havia comunicação por rádio, levavam recados entre os batalhões.

Existem algumas teorias sobre a capacidade de orientação dos pombos-correio, mas nenhuma delas é 100% comprovada. O que se sabe é que eles sempre voltam para onde nasceram. E é só para lá – e não para qualquer lugar – que levam a encomenda. As explicações mais comuns são:

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– Os pombos têm um “instinto natural” parecido com o de aves migratórias;- A visão privilegiada permite que localizem pontos de referência com facilidade;- Eles se orientam pela posição do Sol;- Eles possuem uma “bússola natural”, formada por partículas de magnetita no bico. O mineral apontaria o norte da Terra.

Os pombos-correio são uma raça diferente dos pombos comuns. Usados há muito tempo, inclusive na Primeira Guerra Mundial, quando não havia comunicação por rádio, levavam recados entre os batalhões.

CARTEIRO ALADO
Como o pombo Cher Ami salvou 194 vidas

Cher Ami – que em francês significa “Querido amigo” – nasceu e foi criado em uma base do exército americano próximo à cidade de Binarville, na França. Depois de treinado, ele foi doado ao comandante da 77ª Divisão de Infantaria Americana. Esse grupo ficou conhecido como o Batalhão Perdido por ficar preso em uma depressão na floresta de Argonne, ali perto. O Batalhão Perdido avançou rumo ao norte, enquanto o resto dos americanos ficou no sul. Assim, o grupo acabou cercado por inimigos alemães e também sob fogo amigo dos americanos, que não sabiam que havia aliados ali. O comandante do batalhão mandou uma mensagem aos compatriotas por meio de Cher Ami.

Após ter percorrido 40 quilômetros em 25 minutos, atravessando a região ocupada pelos alemães, o pombo chegou à artilharia americana gravemente ferido. Alvejado pelos alemães, acabou ficando cego de um olho, teve o peito atravessado por uma das balas e uma de suas pernas foi arrancada! Apesar dos ferimentos, ele entregou a mensagem aos destinatários: o texto indicava a localização do batalhão e pedia que cessassem o fogo. Os 194 soldados do Batalhão Perdido sobreviveram.

O voo de Cher Ami ocorreu em outubro de 1918 e foi a última missão do pombo. Depois da façanha, ele teve que se aposentar, mas ganhou a Cruz de Guerra francesa em homenagem ao seu heroísmo.

Foto Fernando Moraes

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/como-o-pombo-correio-sabe-para-onde-levar-a-encomenda/

Como são organizadas as movimentações de grandes grupos de animais?

As decisões desses bichos partem do instinto, mas também de aprendizagem e adaptação ao ambiente, refinados por milhões de anos de evolução.

ILUSTRAS Bruno Rosal

As decisões desses bichos partem do instinto, mas também de aprendizagem e adaptação ao ambiente, refinados por milhões de anos de evolução. Esse comportamento coletivo visa maximizar as chances de sobrevivência individuais: ele simplifica a busca por comida e abrigo, otimiza as funções locomotoras e facilita a fuga de predadores. Nesse último caso, por exemplo, essa “consciência coletiva” se manifesta como um efeito dominó: o primeiro indivíduo identifica o perigo e muda rapidamente de direção, inspirando outro a fazê-lo, que inspira outro… No final, todos estão fugindo, mesmo que só o primeiro tenha detectado o inimigo. É óbvio que, de vez em quando, há conflitos no grupo: uns querem comer, outros andar, outros ficar parados. Mas estudos biológicos indicam que essas deserções tendem a ser temporárias.

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V de vitória

Algumas aves migratórias,comogansos e cisnes, voam em formação de “V”, revezando-se na posição de líder. Esse indivíduo na ponta “rasga” o ar, tornando-o brevemente menos denso para quem vem atrás. Além disso, o deslocamento de ar que ele causa permite que os seguidores batam as asas menos vezes. Com menos esforço, até o batimento cardíaco pode diminuir. Voando em V, três pássaros já são o suficiente para criar um grupo em que cada um gasta 40% menos energia

+ Quais animais são recordistas em migrações?

revoada
Boa vizinhança

Nas revoadas, pássaros coordenam a velocidade e a direção só com os colegas mais próximos. Estes se comunicam com os outros ao seu redor e assim sucessivamente, alinhando o grupo todo rumo ao mesmo objetivo. Pombas, por exemplo, navegam melhor juntas, pois partilhar suas estimativas de rota imperfeitas lhes permite ajustar e escolher o trajeto mais ideal

+ Como se orientam os pombos-correio?

elefantes
Obedeça sua mãe!

As manadas de elefantes têm entre dez e 30 indivíduos e são lideradas pela fêmea mais experiente. O grupo marcha atrás da matriarca, que procura o melhor lugar para pastar ou se proteger. Todos a obedecem, exceto machos adultos. Quando completam 12 anos, eles “saem da fila” e vão montar um “Clube do Bolinha”. Nele, quem manda é o maior ou o mais forte

abelhas
Só na cabeçada

Já se perguntou por que algumas abelhas melíferas parecem se chocar umas com as outras? As “exploradoras” descobrem um novo endereço para instalar a colmeia e o ensinam para as colegas com um voo sinuoso, quase uma dança. Mas, se uma rival quiser propor outra localização, bate de cabeça nela para interrompê-la! No fim, a colônia chega a um consenso

gafanhotos
Atração e repulsão

Modelos matemáticos propõem três regras gerais para agregações animais: 1) mover-se na mesma direção que os vizinhos, 2) ficar perto deles e 3) não posicionar-se demasiado próximo dos colegas. A Universidade de Princeton, por exemplo, concluiu que gafanhotos se mordem caso fiquem muito perto. Alguns são até devorados. Ou seja, o enxame só funciona porque existe a força da união, mas também o medo do canibalismo.O estudo matemático de nuvens de insetos inspirou a criação de sistemas de inteligência artificial conhecidos como”inteligência de enxame”

+ Como se forma uma nuvem de gafanhotos?

peixes
Unidos venceremos

Para nadar em cardumes sem esbarrar uns nos outros, peixes usam a visão, a audição e a linha lateral, órgão sensorial que detecta mínimas variações de pressão na água. Assim, eles sabem onde estão os vizinhos e se devem virar, voltar ou descer. E, se os indivíduos ficam muito perto, eles se repelem, justamente para não trombarem

+ Como os peixes nadam em cardumes sem trombar uns nos outros?

lobos
Tão longe, tão perto

Cientistas da Espanha e dos EUA criaram um programa de computador que simula as estratégias de caça dos lobos para uma só presa. Há duas regras: primeiro, mover-se para o mais perto possível da vítima; segundo, afastar-se caso haja lobos ainda mais próximos dela. Trabalhando juntos, eles asseguram a janta para os filhotes – responsabilidade de toda a alcateia

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/como-sao-organizadas-as-movimentacoes-de-grandes-grupos-de-animais/

Para ficarem doidões, papagaios atacam plantações de papoulas

(divulgação/Wikimedia Commons)
Um bando de papagaios vem aterrorizando agricultores na Índia, de um jeito nada convencional. Durante os meses de março e abril, quando a colheita das papoulas é feita, as aves dão voos rasantes e pegam as sementes segundos depois que os trabalhadores cortam as vagens.

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Vídeos mostram os papagaios mordiscando as sementes nas árvores e depois dormindo ou até mesmo caindo de uma árvore.

Segundo os produtores, as aves causam uma diminuição da papoula colhida, o que gera uma repreensão por parte do governo indiano. O fenômeno, que começou em 2015, vem se intensificando ao longo dos anos.

“Normalmente, os papagaios fariam barulho quando estivessem em grupo. Mas essas aves ficaram tão espertas que elas não fazem nenhum som quando chegam aos campos”, explicou Sobharam Rathod, fazendeiro de papoula da cidade de Neemach que tem cerca de 10% de sua produção devorada pelas aves.

Fazendeiros tentaram estourar fogos de artifício, batendo tambores de metal e até atirar pedras para assustar os papagaios. “Às vezes, passamos horas no campo só para afastá-los”, disse outro agricultor.

Com Daily Record

fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/blog/contando-ninguem-acredita/para-ficarem-doidoes-papagaios-atacam-plantacoes-de-papoulas/

Pássaro Preto

O Pássaro Preto, cujo nome cientifico é Molothrus bonariensis, é um pássaro nativo do Brasil, sendo encontrado em praticamente todo o Brasil e também no Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Em algumas localidades ele é conhecido como Chopim, Japu, Xexéu e Vira-bosta. O macho distingui-se da fêmea por ter um reflexo metálico azulado. É uma ave migratória, desaparecendo na época de inverno e reaparecendo no verão.

Eles são considerados como “parasitas”, pois tem o hábito de não fazer seu próprio ninho, preferindo por seus ovos no ninho de outras aves, para que estas criem seus filhotes. É comum ver pequenos pássaros tratando de filhotes de Pássaro Preto que geralmente são maiores, isto faz com que os “pais adotivos” tenham grande trabalho para tratar e criar os filhotes. Sempre é visto aos bandos, que pousam sobre os gramados e ali vão andando procurando sementes e insetos.

As aves desta espécie apresentam plumagem preta uniforme e muito brilhante. As penas da cabeça são estreitas e pontudas, o bico, também negro, é cônico e liso, com sulcos na base. Quando adultos apresentam alturas que variam de 21 a 25 cm de comprimento. A alimentação habitual é constituída de sementes, grãos de frutos, incluindo principalmente cocos do buriti.

A fêmea realiza um postura de 2 a 4 ovos que são cinza-azulados e com desenhos negros, estes ovos são incubados pela fêmea por um período de 14 dias. Na natureza vive em média 5 anos, já em cativeiro, se bem cuidados podem chegar até a 20 anos.

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/passaro_preto.html

Sabiá

Nome: Sabiá laranjeira
Nome científico: Turdus rufiventris
Nome em inglês: Rufous-bellied Thrush
Outros nomes: sabiá peito-roxo, sabiá gongá, sabiá vermelha, e sabiá amarelo.
Ordem: Passeriformes
Família: Turdidae

Localização: Estado litorâneos, Mato Groso (ambos) e Goiás. Sua distribuição ocorre em quase todo o território brasileiro à exceção da floresta amazônica.

Tamanho: cerca de 25 cm
Longevidade: em torno de 30 anos

Filhotes

Número de ovos de cada postura é quase sempre 2, às vezes 3. Cada fêmea choca 3 vezes por ano, podendo tirar até 6 filhotes por temporada.

Tempo do choco

O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea deitar e sai do ninho também aos treze dias de idade e pode ser separado da mãe com 35 dias.

Vamos falar sobre a criação de sabiás. Embora haja inúmeras outras formas, vamos nos restringir à espécie que consideramos a mais popular e a mais cultivada pelos passarinheiros, o sabiá laranjeira. Conhecido também como sabiá peito-roxo, sabiá gongá, sabiá vermelha, e sabiá amarelo. O macho pode ser o sabiá ou a sabiá, tanto faz. Sem dúvida, são dos melhores cantores que existem em todo o mundo. Foi motivo – com muito merecimento – de inspiração para renomados poetas elaborarem seus famosos versos, como escreve Gonçalves Dias “minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá – as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá” e nosso poeta e músico maior, Chico Buarque “vou voltar para o meu lugar – e é lá – que eu hei de ouvir cantar – uma sabiá”. São belos pássaros de médio tamanho cerca de 25 cm e por isso precisam de gaiolas e viveiros adequados para poderem sobreviver com plena saúde. A grande maioria dos passarinheiros que os mantém não costumam levá-los para passear como os bicudos, coleiros e curiós.

O sabiá tem muita dificuldade em adaptar-se em ambientes estranhos, não se acostuma facilmente com objetos diferentes, a gaiola é muito grande e por isso é desaconselhável retirá-lo de locais de onde está ambientado. Além do que, uma vez assustado bate a cabeça nas hastes e nos ponteiros das gaiolas e chega a se ferir gravemente e cada vez com mais intensidade, e se matar se não for socorrido em tempo. Para evitar isso, é bom que se coloque uma proteção de pano ou papel nos lados da gaiola para que ele se acomode melhor. Não há torneio de canto para esses pássaros, na realidade ficam restritos a conviver na residência dos mantenedores. Muita pessoas – 20% dos lares brasileiros tem aves – querem tê-los perto de si e escutar o seu canto mavioso, é proibido capturar na natureza, então procriá-los em larga escala é única solução para atender a demanda. Temos que ser realistas e deixar de poesia, produzir domesticamente pássaros não é falar ou dizer é praticar efetivamente a preservação.

Nada como ter-se o prazer de criar uma vida nova e é uma obrigação que temos, a de preservar de todas as formas possíveis os nossos pássaros nativos, os nossos pássaros autenticamente brasileiros. Se forem pássaros mansos e acomodados, especialmente a fêmea, reproduzem com muita facilidade em ambientes domésticos, dessa forma poderemos conseguir preservar os dialetos de canto de mais qualidade, esse é o principal estímulo. A Portaria 118 do IBAMA, está aí para possibilitar criadouros comerciais e incrementar a reprodução doméstica, ganhar dinheiro de uma forma gratificante e fazer o que gosta, como é bom. Nos dias de hoje, para nossa sorte e surpresa a população da sabiá laranjeira – à medida da cessação/diminuição da caça predatória – tem aumentado muito, especialmente nas grandes cidades.

A degradação das densas florestas, por incrível que pareça, tem favorecido a reprodução na natureza dos sabiás laranjeiras que apreciam florestas ralas e esparsadas. Podemos vê-los, em densas populações nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Cuiabá, Porto Alegre, Rio de Janeiro, talvez pela falta de inimigos naturais ou muitas árvores frutíferas nos quintais. Nesses locais, infelizmente, os respectivos cantos são de péssima qualidade. Sua distribuição ocorre em quase todo o território brasileiro à exceção da floresta amazônica. A coloração de suas costas é cinza-escuro, peito esbranquiçado, gola raiada de tons preto e branco e abdome vermelho alaranjado que pode mudar de tom conforme a região, a do nordeste brasileiro é bem mais claro, bem mais amarelado.

Não há disformismo sexual, a fêmea é exatamente igual ao macho, não se consegue separar um do outro, facilmente. Na natureza, procria entre os meses de setembro e janeiro. Preferem as beiradas de matas, pomares, capoeiras, beiras de serras e estradas, praças e quintais, sempre por perto de água abundante. É um pássaro territorialista, e demarca uma área geográfica quando está em processo de reprodução e não aceita a presença de outras aves da espécie, a fêmea também é muito valente. Ao iniciarem-se as chuvas ao final do mês de agosto, cantam muito para estimular suas fêmeas e fixarem sua morada, notadamente ao amanhecer e ao entardecer. Quando não estão em processo do choco ou na fase do fogo e que a libido está em alta, quase não cantam e podem ser vistos agrupados, especialmente no chão a comerem frutos e insetos. Consomem quase todas as frutas de pomares com preferência para o mamão e abacate e de árvores silvestres abundantes em nosso País.

Apreciam também pimenta, amora, mariana e alguns legumes. Seu canto é longo e melodioso assemelhado ao som de uma flauta e dependendo do local pode-se escutá-lo a mais de um quilômetro de distância. Alguns repetem o canto e chegam a passar até dois minutos emitindo-o, sem parar. A frase musical de qualidade varia de 10 a 15 notas, sendo que ele costuma variar a seqüência das notas modificando-as para dar maior beleza ao canto, inserindo inclusive os curiangos “krom-krom” ou os joão-de-barro “quel-quel-quel”. Uma maravilha da natureza, uma sinfonia, o canto do sabiá laranjeira. Existe uma infinidade de dialetos, cada região possui o seu próprio. A maioria são lindíssimos, os mais importantes são: o “cai-cai-balão”, o camboriú, o “to-to-ito” e o “piedade”. Este último é o mais solicitado de todos, oriundo de Minas Gerais na região de Carmo do Paranaíba, Patrocínio e Patos de Minas.

Nesse canto, o sabiá diz claramente:

Piedade-sinhô/piedade/tendó-de-nós/piedade/sinhô….. Muitos criadores estão procurando conservar este canto e a tendência, quem sabe, é considerá-lo futuramente como padrão. Existe também o canto “trinta e oito”, de frase curta e muito repetitivo são poucos os que gostam dele, muito comum, porém, no Estado do Rio de Janeiro. Toda sabiá laranjeira emite ainda os cantos:

a) peruzinho, em volume baixo quando está com raiva, assim: siri-fririri-serere-siriri-friri-sriri…. às vezes dura mais de dois minutos, estufa-se toda, vira uma bola, pula de um lado para outro e o emite para mostrar sua valentia ao rival e se for o caso partir para vias de fato

b) a castanhola, assemelhado a um tá-tá-tá-tá, também é um canto provocativo

c) a corrida, em um volume alto, muito emitida no início do acasalamento – serve para marcar o território e desafiar pretensos rivais – seria um til-til-til-til-til-til bem forte. E o miado, o macho diz muito claro, parecendo um gato, “minhau” “minhau” várias vezes, é o sinal de sua presença para a fêmea.

Tem-se que ter muito cuidado, no entanto, para ensinar canto aos filhotes, senão ele aprende a chamar cachorro e repetirá “tui-tui-tui-tui-tui…….”- sem parar, é horrível escutar este tipo de canto. O sabiá é uma ave longeva, vive até trinta anos, dependendo de sua saúde e do trato que se lhe dispensa, há registro de um que viveu 32 anos. A alimentação básica deve ser de ração, complemente com frutas como maçã, pêra, banana prata/marmelo verdoengas e abacate pouco amadurecido. É salutar que de disponibilize, também, farinhada tipo broa com ovo e adicionando Mold-Zap® à base de 1 gr. por quilo. Três dias por semana administrar polivitamínico tipo Orosol®, Rovisol® ou Protovit®, este à base de 2 gotas para 50ml d’água.

Já sua alimentação especial para a fase de reprodução deverá ser a seguinte: quando houver filhotes no ninho, em uma vasilha separada, colocar 3 vezes ao dia, farinhada assim preparada: 5 partes de milharina, 1 parte de farelo de soja torrado,/ 1 parte de germe de trigo, / premix F1 da Nutrivet® (4 colheres de sopa para 1 quilo), / sal 2 gr. por quilo, / Mold-Zap® 1 gr. por quilo, / Mycosorb® 2 gr. por quilo. Após tudo isso estar muito bem misturado, coloque na hora de servir, para duas colheres dessa farinhada, uma gema de ovo cozido e uma colher cheia de “aminosol®”. Dar-se larvas, utilizando a chamada Tenébrio molitor, oferecer até o filhote sair do ninho, à base de 5 de manhã e 5 à tarde para cada filhote. Excelente também a utilização de minhocas, dessas da Califórnia e de fácil criação.

Muito importante, oferecer-se o Calcigenol 3 gotas junto com 5 de Aminosol em 50 ml para a fêmea enquanto os filhotes estiverem no ninho. Outra questão relevante diz respeito ao lugar adequado para que eles possam exercer a procriação. Esse local deve ser claro mas com setor bem sombreado, arejado e sem correntes de vento. A temperatura ideal deve ficar na faixa de 25 a 30 graus Celsius e umidade relativa entre 40 e 60%.

O sabiá não gosta de muito sol direto, por isso deve-se ter muito cuidado com o calor excessivo que pode ser fatal. A época para a reprodução no Centro Sul do Brasil é de setembro a fevereiro, coincidente com o período chuvoso e com a choca na natureza. Pode-se criá-los em viveiros, grandes ou pequenos, todavia, não o aconselhamos. O manejo é difícil e controle do ambiente impossível, ali os filhotes costumam cair do ninho e morrem. Nunca coloque outros pássaros juntos com eles, são super agressivos e costumam matar sem piedade, sem dó qualquer outro pássaro, ainda mais se estiverem em processo de reprodução. Para quem optar por utilizar gaiolas – que tem a relação custo/benefício menor – elas devem ser de puro arame, com medida de 1m comprimento X 40cm largura X50 cm altura, com quatro portas na frente, comedouros pelo lado de fora para dentro da gaiola, e com um passador lateral.

A do macho pode ser a metade disso. No fundo, ou bandeja da gaiola, colocar papel, tipo jornal, para ser retirado todos os dias logo que a fêmea tomar banho, momento que se deve retirar a banheira para colocá-la no outro dia bem cedo. Entretanto, da época da reprodução, coloca-se uma vasilha com terra molhada bem limpa misturada com raiz de capim de 12 cm., deixar a banheira, também, com água sempre à disposição para que ela se molhe na água e depois utilizar a terra molhada para fazer o ninho com barro e raízes que lhe estão disponibilizadas. Coloque vasos limpos e desinfetados de xaxim tamanho médio e certamente ela utilizará esse recipiente para fazer o ninho, tipo taça. Assim que ela botar os ovos, depois de dois dias que estiver deitada sobre eles, observe se o ninho não estiver bem feito – é comum que fique pontiagudo e cheio de ferpas, o que poderá ferir os filhotes -, nesse caso, arranje desses ninhos de belga dos grandes 14/15 cm de diâmetro (canários franceses ondulados) para colocar e proteger melhor os ovos, e tornar o ninho macio ela gostará e aceitará tranqüilamente. O número de ovos de cada postura é quase sempre 2, às vezes 3. Cada fêmea choca 3 vezes por ano, podendo tirar até 6 filhotes por temporada. As sabiás fêmeas podem ficar bem próximas umas das outras separadas por uma divisão de tábua ou plástico, mas não podem se ver, de forma alguma. Senão, matam os filhotes ou interrompem o processo do choco, se isto acontecer.

No manuseio do macho, o melhor, é colocá-lo para galar e imediatamente afastá-lo da fêmea. O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea deitar e sai do ninho também aos treze dias de idade e pode ser separado da mãe com 35 dias. Com 9 meses, já poderão procriar. As anilhas serão colocadas do 7O ao 10º dia, com 4,5 mm de diâmetro – bitola 7 a ser adquirida do Clube onde seja sócio. Pode-se trocar os ovos e os filhotes de mãe quando estão no ninho. Fundamental, porém, é que se tenha todo o cuidado com a higiene. Lembremos que os fungos, a coccidiose e as bactérias são os maiores inimigos da criação, e têm as suas ocorrências inversamente relacionadas com a higiene dispensada ao criadouro. Armazenar os alimentos fora da umidade e não levar aves estranhas para o criadouro antes de se fazer a quarentena, são cuidados indispensáveis.

A título de informação para reproduzir o sabiá bahiano (Turdus fumigatus) e o sabiá coleira (Turdus albicollis) os procedimentos são praticamente idênticos. Outra questão a mais importante na criação doméstica é que podemos produzir os cantos, isto é, escolher um determinado dialeto e encartá-lo nos filhotes nascidos, dando mais qualidade aos nascituros, aí é que está o segredo do sucesso. Isso é que nos anima. Muitos quererão possuir um pássaro diferenciado e que cante o seu dialeto preferido.

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/sabia.html

Concurso e seleção

Por Álvaro Blasina

Todo trabalho a ser realizado, não importa qual seja, requer antes de tudo um bom planejamento. A canaricultura, não só não foge a essa regra, como que o planejamento é elemento determinante para o sucesso.

Baseados então no principio de que antes de começar a criar, devemos nos planificar ou avaliar o andamento dos nossos objetivos, gostaríamos de analisar os propósitos que o criador deve se traçar e a forma de alcança-los.

Em primeiro lugar, consideremos que para efetuar um planejamento, antes de mais nada devemos formular o mais claramente possível os objetivos que estamos procurando. Encontramos aqui logo de inicio, uma grande disjuntiva que divide claramente a forma de administrar nossos planteis. Criar para competir ou criar para melhorar?

Criar para competir

Na América do Sul, os regulamentos dos Campeonatos Nacionais consideram o criador Campeão Brasileiro aquele que conseguir a maior somatória de pontos fruto do julgamento de todos os exemplares apresentados. Esta polemica forma de premiação, já deu lugar a muitas controvérsias, e não é meu objetivo comentar especificamente o regulamento dos concursos. O fato concreto é que ele existe, está vigente e o criador que almejar atingir o “podium” num Campeonato Brasileiro, deverá planejar o seu plantel de uma forma específica. Parece claro, que para atingir uma boa pontuação no Brasileiro, em primeiro lugar, se devem criar uma variedade muito grande de cores, pois o número pesa muito para alcançar uma boa colocação. Desprende-se desta conclusão, que para alcançar bons resultados nos concursos, deve-se criar uma quantidade expressiva de cores, e em conseqüência, poucos casais de cada cor, por uma razão obvia de espaço.

Outra observação que fazemos, é a de que existem cores menos concorridas do que outras, e de que os pontos atribuídos aos primeiros lugares, são os mesmos para canários primeiros colocados em cores muito concorridas ou pouco concorridas, pelo que se conclui que criando cores mais “raras” as chances aumentam.
Finalmente, verificamos que existem cores nas quais potencialmente machos e fêmeas podem ir aos concursos, e outras em que as fêmeas praticamente não tem chances de vencer. Podemos citar como exemplo, que todos os canários feos e mosaicos tem potencialmente as mesmas chances de vencer, considerando que se julgam separadamente machos e fêmeas. Já os canários intensos e nevados ( com a exceção dos feos) concorrem sem distinção de sexo, o que faz com que todas as fêmeas intensas e nevadas (com exceção dos feos) são eliminadas para efeitos de concurso.

Conclui-se que se o nosso desejo maior é a obtenção de bons resultados nos concursos, devemos levar em conta que estrategicamente, será melhor criar uma grande variedade de cores, de preferência menos concorridas nos concursos e onde exista maioria de indivíduos mosaicos ou feo.
Parece obvio ressaltar, que o componente qualidade é necessário pois de nada vale criar muitas cores de qualidade tão fraca que não tenha chances de premiação.

Criar para melhorar

Um dos elementos principais para o melhoramento genético de qualquer espécie ou raça é a somatória da qualidade genética com a quantidade da prole, pois quanto mais filhotes possamos obter de uma cor ou raça, mais material disponível possuiremos para continuar a seleção. Verificamos então, que as condições do atual sistema de premiação, vem de certa forma ao encontro de trabalhos importantes de seleção genética.

Verificamos visitando criadouros europeus que a imensa maioria se dedica à especialização de determinadas cores e é raríssimo que algum criador faça poucos casais de várias cores. Os regulamentos dos concursos do Hemisfério Norte são rigorosamente diferentes dos nossos. Premiam o canário de qualidade e jamais a somatória, de tal forma que o orgulho do criador não é somar pontos e sim mostrar o canário campeão individual ou ainda melhor, o quarteto vencedor.

Creio que esta linha de conduta e planejamento, tem sido um enorme aliado para o avanço genético dos planteis europeus. Para avançar em busca da excelência, devemos traçar como objetivo, o de termos um número expressivo de exemplares de alto padrão, o que permitirá multiplicar suas virtudes em grande quantidade. Uma vez obtido isto, tudo se simplifica. Já pensou possuir centenas de exemplares da mesma cor e de altíssimo padrão? Nesse caso, por serem todos da mesma cor, para efeitos de concursos nacionais, o resultado será indesejado, pois com centenas de exemplares mesmo classificando muito bem, marcará poucos pontos. De todas formas, a satisfação pessoal de estar efetivamente avançando geneticamente a grandes passos, é extremamente recompensadora.

Cabe a cada um escolher o caminho. O importante é tomar consciência das opções disponíveis e “ir à luta”. Boa sorte!!!!

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/concurso_selecao.html