O Diamante Gould

Este belo pássaro, que tanto encanta os criadores, merece uma atenção especial no que diz respeito a sua criação e desenvolvimento. Para tanto, procurei levantar dados importantes de sua criação para poder colaborar, se possível, com nossos colegas criadores, os quais passo a descrever a seguir:

1. DESCOBERTA O diamante de gould foi descoberto por uma expedição cientifica de origem francesa, em 1833, no litoral norte da Austrália. A origem de seu nome foi uma homenagem de um grande ornitólogo John Gould, a sua esposa prematuramente falecida, que muito ajudou nas expedições e no desenho dos pássaros. 2. DESCRIÇÃO O diamante de gould é um pássaro de cores bem vivas de cerca de 12 cms, corpo fino e cauda comprida (filetes). Existem três tipos de cores de cabeça: vermelha, preta e laranja, que podemos descrever da seguinte forma:

– máscara que se estende sobre a testa e as faces.
– coroa preta que limita a mascara.
– colar turquesa (verde-azulado) limita o preto e o peito; e a nuca e o dorso verde escuro.

As costas do gould são de um verde luminoso ligeiramente azulado nos lados.

O peito e violeta com alguns reflexos castanhos.

A barriga tem a cor amarelo ouro.

A cauda e formada de penas pretas sobrepostas com penas azuis.

A fêmea se distingue do macho, pois possui cores opacas: o peito lilás e a barriga amarelo claro; e os filamentos (cauda) mais curtos, que chamamos de espada.

Essa coloração, refere-se ao diamante de gould clássico, pois, hoje já podemos encontrar diversas mutações. 3. CONDIÇÕES DA

CRIAÇÃO Os pássaros devem ser criados num ambiente agradável, espaçoso, com boa ventilação e muita higiene. Um teste para saber se o criadouro tem essas características e o criador ficar algumas horas observando os pássaros, e sentir-se à vontade.

O meu criadouro é a extensão de minha casa e foi construído especialmente para esse fim. É composto de duas salas, que são exploradas ao máximo. Uma, maior (7,5m por 4,5 m), e reservada exclusivamente, para a criação no período de cria e na fase seguinte de separação e desenvolvimento dos filhotes. A outra, menor (4,5 m por 3,0) é usada para manter o plantel e seleção de pássaros, que irão participar dos campeonatos. Mas isso não e uma disposição rigorosa, esta sujeita a alterações, de acordo com as necessidades.

O pé direito mede em media 3 metros. E bem arejado, tendo em suas janelas e portas, telas de proteção contra mosquitos. Na parte de fora, no estilo de uma área de serviços, estão os tanques para a lavagem e higienização dos equipamentos, grades, gaiolas etc.
Internamente, as gaiolas são colocadas lado a lado, fixadas na parede, mantendo assim um bom espaço livre para o manejo.

O piso e feito de material rústico – cimento queimado – mas com bom escoamento de água.

O passo seguinte, na programação de um criadouro ideal, e a escolha dos equipamentos – gaiolas, ninhos, comedouros etc. É fundamental que o material seja de qualidade, resistente e durável. É uma questão de segurança para as aves e de economia para o criador.

Após a escolha dos equipamentos, escolher os casais de Diamante de Gould e as amas-secas. Os casais deverão ser selecionados de acordo com a genética e padrão de cada um. Quando da colocação do macho e fêmea juntos, os mesmos deverão, instantaneamente, começar o ritual de acasalamento. Caso isso não aconteça devem ser separados, pois levarão muito tempo para se acasalar. Isso não é uma regra.

Serão utilizados 4 comedouros, sendo um para alpiste puro, outro para mistura de sementes (70% de painço e 30% de alpiste), outro para água e o último para minerais e casca de ovo.

O ninho que utilizo para as matrizes são os quadrados (15x15x15cm). Quanto maior melhor. O diamante, geralmente, faz a copula dentro do ninho.

As gaiolas são postas na parede através de um suporte que comporta 5 gaiolas.

O ideal desse suporte e que seja móvel para facilitar a limpeza e que esteja a 5 cm distante da parede.

Não é bom colocar gaiolas com pássaros da mesma espécie uma ao lado da outra, porque pode haver brigas.
As gaiolas das amas-secas (Manons do Japão) são postas na parede através de um suporte que comporta 5 gaiolas.

Em cada gaiola, com a devida separação, serão colocados 2 casais de amas.

A alimentação será dada de duas formas: a primeira, quando os manons nao estão com filhotes, será dada a mistura de semente, a água e os minerais com casca de ovo. A Segunda, quando já tem filhotes, será acrescida de mais um recipiente para mistura de sementes e uma com água. Quando aparecerem filhotes será dada a farinhada todos os dias em quantidade suficiente para alimenta-los (duas colheres ou três das de chá). Agora, quando estão sem filhotes uma colher basta.

O ideal e que seja dado verdura diariamente. Mas as folhas devem ser bem presas na grade.

Podemos utilizar de 3 tipos de ninhos. O que tenho mais usado e o retangular, embora em alguns casos (Manon bota os ovos no local reservado para os filhotes ou não entra no ninho) utilizo os outros alternativos.

As gaiolas serão colocadas em número de cinco, sendo os ninhos colocados nas laterais, ficando assim bem arejado.

Tenho feito algumas anotações na frente do ninho, utilizando de giz comum. No alto o número do casal da ama-seca; embaixo o número do casal matriz e a data em que foram colocados os ovos e no centro, dento de um circulo, a data de nascimento do primeiro filhote.

O ninho deve ser previamente preparado com a colocação de grama do tipo japonesa/chinesa. Também deve ser colocado um pouco de grama no interior da gaiola pra que os pássaros dêem o acabamento final.

Após mais ou menos 10 dias os pássaros começarão a botar. Depois de 7 dias do último ovo botado o criador poderá notar se os ovos estão ”cheios”, ou seja, com embrião.

Entre l3 e 16 dias nascerão os primeiros filhotes.

Entre o quinto e oitavo dia, dependendo do tamanho, os filhotes serão anilhados.

No sexto dia os filhotes ganharão uma cor mais escura.

No décimo dia começam a despontar as penas.

No décimo quinto dia as penas já estão quase formadas.

Por volta do vigésimo terceiro dia o filhote já sai do ninho. Por volta do trigésimo quinto dia os filhotes já estão no tamanho natural.

Quando não aparecerem mais as marcas fosforescentes na lateral do bico, de quarenta e cinco a cinqüenta dias após nascido, os filhotes podem ser separados e colocados (6 pássaros no máximo) em gaiolas idênticas as utilizadas para os Diamantes de Gould – matriz, com a inclusão de uma vasilha com semente no interior da gaiola, para ter comida em abundancia. Serão colocados 6 comedouros, sendo 2 com água, 2 com mistura de sementes, 1 com alpiste puro e 1 com minerais e casca de ovo.

Como alternativa poderá ser utilizada no interior da gaiola um cocho de 16 cm de comprimento por 8,5 cm de largura e 4,5 cm de altura. A abundância de comida e essencial nessa fase de vida. E em vários lugares evita a briga entre os filhotes.

As gaiolas também são postas na parede através de um suporte que comporta 5 gaiolas.

Após 15 dias de estadia nas gaiolas, o criador, por opção, poderá coloca-los em voadeiras, em número não superior a 15 filhotes.

Poderá ser utilizado no interior da voadeira um cocho de tamanho: 36 cm de comprimento por 8,5 cm de largura e 4,5 cm de altura e um bebedouro maior.

Dá para ser ter uma idéia da cor que o pássaro poderá ter quando adulto, verificando a cor dos filhotes.

Na região de Sorocaba, a partir de Setembro, independentemente da época que nasceu, os filhotes começam a primeira muda de pena.

Após 30 dias do início da muda o filhote estará quase totalmente mudado, restando alguns ”cartuchos” ainda na cabeça.

Quando começar a aparecer as duas penas principais do rabo, denominado filete, o filhote deve ser separado e ir para a gaiola de exposição. A alimentação será: 1 comedouro com mistura de sementes (substituir por alpiste puro, caso o pássaro esteja obeso); 1 de água e I de minerais e casca de ovo.

4. ALIMENTAÇÃO O diamante de gould necessita de alimentação variada e abundante, tendo como básica, os grãos e a complementar constituída de verduras e farinhas. Não conheço um estudo que permita verificar a quantidade correta dos alimentos a ser fornecido, mas posso recomendar a seguir a que tenho dado por vários anos e venho obtendo razoável sucesso:
a) grãos:
Painços – 70%
Alpiste – 30%

Os grãos devem ser estocados em local fresco e ventilado, quando fornecer os mesmos aos pássaros deve-se peneira-los para que fiquem livres de poeira.
b) Verduras:
Almeirão ou chicória, três vezes por semana.
c) Farinhada:

Farinhas: Farinha de rosca 20% Neston (Floco de cereais – trigo, cevada e aveia) 60% Farinha Láctea 20%

Para cada quilo de farinhada pronta acrescentar 45 gramas de premix (aminoácidos essenciais) encontrado em lojas de animais e 45 gramas de fosfato bi-cálcico.

Para cada quatro colheres (sopa) das farinhas acrescentar um ovo cozido triturado. Pode ser substituída por farinhada pronta.
d) Outros:

– Areia média de rio, bem lavada (ajuda na digestão)
– Casca triturada de ovo de galinha

e) Água de beber

Recomenda-se que a água seja trocada diariamente e em certos casos (casal com grande quantidade de filhotes) duas vezes ao dia. A água deve ser fresca e filtrada de preferência e os bebedouros devem ser bem lavados.

Espero com este pequeno trabalho ter transmitido alguns conhecimentos básicos sobre o diamante de gould. Espero também que surjam novos criadores para melhora de qualidade de nossas aves e aparecimento de novas mutações.

Pintassilgo – Carduellis Carduellis

Habitat

Conhecido popularmente como Pintassilgo Portuguęs (Carduelis carduelis), em inglęs Goldfinch, em alemăo Stieglitz e em francęs Chardonneret, é encontrado desde o norte da África, Ilhas Canárias, da Madeira e Açores, passando por toda a Europa até uma parte da Ásia. Existem dois grupos básicos de Carduelis: os Carduelis carduelis e os Carduelis caniceps, e muitas subespécies, por isso notamos a diferença de tamanho e também da presença do preto na máscara e na nuca. Diz inclusive um criador experiente que quanto mais ao norte, maiores săo os pintassilgos.

Mutaçőes

Antes de falarmos das incríveis mutaçőes do Pintassilgo Portuguęs, năo poderíamos deixar de citar a visita que fiz ao maior especialista nesta área, o criador Paolo Gregorutti, que mora na Itália, numa cidade bem próxima da fronteira com a Eslovęnia e a Áustria que há alguns anos vem se dedicando ŕ fixaçăo das mutaçőes dos Carduelis, e com sua visăo criar combinaçőes dessas muta­çőes. Contamos aqui um pouco de cada uma delas:

Pastel- A primeira mutaçăo que surgiu foi a Pastel ou Diluído na Bélgica, em 1989, e é uma mutaçăo sexo-ligada.

Canela – A Canela surgiu através de uma fęmea capturada da natureza nos anos 90 que Paolo acasalou com um macho grande de Pintassilgo (da regiăo do norte da Europa). Na primeira rodada criou dois machos e uma fęmea. Como é uma mutaçăo sexo-ligada, com dois machos portadores de Canela, já obteve a perspectiva de no próximo ano criar a primeira fęmea Canela nascida em cativeiro. A mutaçăo estava fixada. A característica desta variedade é determinada pela transformaçăo da eumelanina negra na cor marrom acanelado.

Albino – Em 1993 surgiu na Bélgica a primeira mutaçăo recessiva (até entăo todas eram sexo-ligadas), a Albino, quase toda branca de olhos vermelhos, mantendo o amarelo em parte das voadeiras e a máscara vermelha.

Ágata – A mutaçăo Ágata tem um contraste violento de cor e acho que é a mutaçăo mais bonita dos Pintassilgos. Ela surgiu entre 1993 e 1994 na Itália, também vinda da natureza e também é uma mutaçăo sexo-ligada.

Isabel – Através do acasalamento entre a Ágata e a Canela, em 1995 surgiu a primeira Isabel, de característica sexo­ligada. A mutaçăo Isabel tem a coloraçăo um pouco mais clara que a Canela.

Satinet – Mais uma mutaçăo sexo-ligada, a Satinet surgiu simultaneamente em tręs criadouros da Europa, em 1996, porém até o início de 1999 só existiam fęmeas na cor e machos portadores.

Amarelo Intenso – Foi fixada na Alemanha, em 1997, a primeira mutaçăo dominante, a Amarelo Intenso, e é espetacular, pois o Pintassilgo perde uma de suas principais características que é o contraste com o branco. Como é uma mutaçăo dominante, Paolo Gregorutti prevę que em dois anos teremos uma família muito grande desta mutaçăo, o que é interes­sante, porque poderemos combinar com a Satinet, Isabel, Ágata, entre outras.

Opalino – No ano de 1998, vinda da natureza, surgiu a segunda mutaçăo recessiva, a Opalino. Como é recessiva, Paolo já fez vários portadores, fixando assim a mutaçăo. Segundo ele, existem inúmeras expectativas de combinaçőes de mutaçőes com a Opalino, particularmente com a Canela, Ágata e Isabel. A Opalino Ágata e Opalino Isabel deveriam mostrar-se com referęncia ŕs cores todas novas, ou seja, extrema­mente claras.

Eumo – A mais nova mutaçăo do Pintassilgo Portuguęs é a Eumo, recentemente capturada da natureza, e é também uma mutaçăo recessiva, como nos canários, podendo ser combinada com as cores já existentes.

Conclusăo

A expectativa é muito par­ticular Tendo o “Cardenalito” praticamente todas as cores básicas de mutaçőes, podemos fazer entre elas em 10 anos o que foi feito nos canários em 150 anos, mas Paolo vai mais além e diz que talvez consigamos até descobrir alguma combinaçăo e explicarmos o que ainda hoje é um mistério com relaçăo aos canários.

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/pintassilgo_carduelis_carduelis.html

Bavettes

Da ordem dos Passeriformes e família dos estrildideos, os bavettes se colocam hoje ao lado do Diamenate de Gould, como os mais populares exóticos australianos criados entre nós.

Embora não tenham a variedade de cores do citado Diamante de Gould, chamam a atenção pela plumagem sempre muito lisa e sedosa, o desenho que parece feito a lápis, a docilidade, e levam a vantagem de serem um dos poucos estrildideos que podemos dizer que realmente cantam.

Em todas as suas espécies, os Bavettes são hoje pássaros totalmente adaptados ao cativeiro, e via de regra muito bons reprodutores.

Quando utilizamos os manons como amas, é comum de um único casal conseguirmos em uma estação de cria mais de vinte filhotes, muito embora os próprios Bavettes sejam geralmente bons criadores.

Como já citamos anteriormente, são muito dóceis e temos a possibilidade de cria-los em colônias, ou aos casais separadamente, em que tenhamos notado sensível diferença de produção.

Na realidade o grupo dos Bavettes é composto de 3 espécies e 7 subespécies, sendo que em muitos casos, já existem mutações fixadas e criadas em cativeiro.

Faremos a seguir, uma descrição das espécies, seu nome científico, como são conhecidas nos demais países e suas peculiaridades.
BAVETTE CAUDA CURTA –

Poephila cinta – Em inglês Parsonfinch, em francês Diamant a bavette e em alemão Gurteramadine.
São descritas 3 subespécies: P. c. atropygialis, P. c. cinctae P. c. nigrotecta.

Habitam o continente australiano, na região mais ao leste e nordeste. As diferenças entre as subespécies são muito pequenas e não merecem destaque.

São muito bons criadores, em casais separados ou em colônias, entretanto jamais devemos deixar 2 casais juntos, caso desejamos fazer uma colônia, esta deverá no mínimo 3 casais.

Existe, em geral um dimorfismo sexual bem visível, o babador do macho é mais largo e mais comprimido que o da fêmea, existindo porém alguns exemplares que podem confundir um iniciante. Neste caso, devemos aguardar que o macho cante, o que ocorre com muita facilidade, mesmo em pássaros jovens.

O ninho predileto é a caixa de madeira, que podemos forrar com fibras ou mesmo capim seco (o ideal é a “barba de bode”).

Uma vez acasalados, a postura é breve em geral de 4 a 8 ovos (média de 5), o tempo de incubação é de 14 dias, e caso retiremos os ovos, nova postura virá em cerca de 10 dias.

Os filhotes são muito bem criados pêlos manons, e devemos fornecer ovo através da farinhada, sementes (painço, alpiste e senha) e verdura (chicória, almeirão ou couve).

É interessante ministrar os pais algum coccidiostático do dia anterior ao nascimento até o 5° dia (Eu uso ESB 3) ou Vetococ com muito bom resultado).

Geralmente os filhotes deixam o ninho com 20 a 25 dias, porém só devemos separá-los dos pais com 50 dias.

É um pássaro hoje muito comum em nosso meio, porém devemos tomar cuidado para evitar os exemplares mestiços, e por isto sem valor para concursos.

Distinguimos com facilidade os exemplares puros por apresentarem o bico totalmente negro nos exemplares clássicos.
São conhecidos atualmente 2 mutações:

Isabel – de característica ligada ao sexo recessivo, sendo que os exemplares puros têm o bico castanho escuro (sem influência de vermelho).

Branco – também ligado ao sexo recessivo, sendo entre nós muito raros os exemplares puros (apresentam o bico castanho bem claro).
BAVETTE CAUDA LONGA –

Poephila acuticauda – Em inglês Long-tailed grassfinch, em francês Diamant a longue queue e em alemão Spitzschwanzamadine.

São descritas 2 subespécies: P. a. acuticauda, que apresenta o bico amarelo e P.a. hecki, que apresenta o bico vermelho.

Se distingue da espécie anterior pela colaboração do bico, e pelo comprimento da cauda, a custa das 2 retrizes centrais que são extremamente longas.

O dimorfismo sexual é como o da espécie anterior porém um pouco menos nítido.

Jamais devemos misturar as 2 subespécies (obtendo exemplares de bico laranja), pois estes produtos não servem para concurso, e também para tal são preferidos os de bico vermelho.

A criação é semelhante a espécie anterior.

Muito embora para concurso sejam reconhecidas 2 mutações (brancos e isabeis), na prática sabemos que existem 3 (que seria o canela, que fenotipicamente seria impossível distinguir do isabel, mas com comportamento genético diferente).

Podemos provar isto, pois ao acasalarmos em certa ocasião2 exemplares. “isabeis” (recessivos), obtivemos uma prole total de exemplares normais. Portanto sabemos que na verdade existe a variedade canela (autossômico recessivo) e a variedade isabel (ligado ao sexo).

Temos visto também alguns exemplares de um marrom muito tênue que na verdade são exemplares canelas-i sabeis (as 2 mutações no mesmo pássaro).

Quanto a variedade branca, esta é ligada ao sexo. Como já foi citado anteriormente, os exemplares preferidos para concurso, são os de bico vermelho-coral (mesmo para as mutações).

BAVETTE MASCARADO –

Poeplila personata – Em Inglês Masked graasfinch, em francês Diamant a masque e em alemão Maskenamadine.

São descritas 2 subespécies: P. p. personata que apresenta a máscara negra extensa até atrás dos olhos e P. p. leucotis, com a máscara negra menos extensa, não ultrapassando a linha dos olhos, A.primeira subespécie, habita o norte do continente australiano até o cabo York, e a segunda região mais a nordeste (bem após o cabo York).

É de todos os Bavettes o mais frágil e o que apresenta maior dificuldade na criação. Embora sejam também criados aos pares o resultado é muito melhor em colônias.

O dimorfismo sexual é menos acentuado, sendo descrito que a fêmea apresenta em geral a máscara negra um pouco menor, alguns criadores europeus dizem que o alto da cabeça da fêmea é de um marrom mais claro. Entretanto em meu ponto de vista a diferença só deve ser válida ao ouvirmos o macho cantar (o que faz com muita facilidade).

Em nossa experiência pessoal tivemos muitos problemas com a importação deste pássaro, pois apresenta uma facilidade maior para doenças que os demais Bavettes.

É interessante citar que vários autores referem uma predilação da espécie pelo carvão de madeira.

Atualmente não é conhecida nenhuma mutação desta espécie, e entre nós a criação do Bavette mascarado ainda é muito restrita, com grande dificuldade de matrizes.

Finalmente para encerrar, gostaríamos de citar que os Bavettes na atual nomenclatura oficial da FOB-OBJO, se enquadram no grupo AF, que compreendem 7 classes, onde os exemplares podem concorrer com anéis de até 3 anos, e machos e fêmeas concorrem juntos.

Também, é importante salientar que qualquer mestiçagem entre estas espécies é totalmente condenável tanto para concurso, como para criação, pois os exemplares são desclassificados, e perdem as características da espécie.

Paulo Fernando Pazzini Vianna
Revista UCPP 1995
Arquivo editado em 28/04/2005

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/bavete.html

Como reproduzir o Azulão

Vai se aproximando uma nova temporada de reprodução, e muitos dos aficionados por azulões acabam decidindo tentar reproduzi-Io em ambiente doméstico. Iniciativa essa nobre, pois o azulão é um pássaro que precisa ser mais criado em domesticidade para suprir a demanda por exemplares legais.
Inicialmente, podemos dizer que existem muitos manejos distintos que podem ser utilizados na reprodução de azulões. Não se pode concluir que um é melhor do que o outro, diferentes situações, se bem trabalhadas, podem trazer bons resultados.
O que passaremos a partir desse artigo são alguns aspectos gerais, além da descrição de um sistema de criação em poligamia, onde uma macho é utilizado para várias fêmeas.

Azulões são pássaros de grande fogosidade. Os machos possu­em uma fibra muito grande assim como as fêmeas são tidas como aves que, “abaixam” (evidenciam posição de cópula) muito facilmente. Mas isso não necessariamente quer dizer que estejam aptas à reprodução.

Dependendo da região em que o cria douro está situado, o inicio da estação reprodutiva pode variar um pouco. De maneira geral, ela ocorre de outubro a março, podendo ser iniciada um pouco tardiamente e se prolongar até abril/maio, conforme observações práticas. De qualquer maneira, podemos dizer que fatores básicos que influenciam o inicio e o final da estação reprodutiva são a Temperatura, Luminosidade,

Umidade e Fatores Nutricionais.

Partindo do princípio que as aves tiveram uma fase de muda de penas, que suas necessidades nutricionais foram atingidas e de repouso foram respeitadas, estabelecemos qual será a época de reprodução. Sugerimos que, com 30 dias de antecedência a ela, todo o planteI seja devidanente vermifugado. Estar livre de parasitas é fator importantíssimo para que se obtenha bons resultados. A vermifugação deve ser feita mediante bula, sendo a operação repetida após 15 dias.
Instalações devem ser totalmente lavadas e desinfetadas. Fazer um vazio sanitário, lavar as gaiolas e desinfetá-Ias com desinfetantes comerciais é imprescindível. Um boa dica é fazer o uso de vassoura de fogo após a lavagem das gaiolas e do galpão. Jamais se esquecer de desinfetar os objetos utilizados no dia a dia.

Ainda dentro desses 30 dias que precedem a estação reprodutiva, podemos fazer uma espécie de “flushing”, isto é, um estímulo nutricional.

Observações feitas com pássaros em estado selvagem nos dá excelentes dicas para o manejo. Umas dessas observações, é que com a chegada das chuvas e do período quente, ocorre grande aumento da ocorrência de insetos, muito apreciados por muitos pássaros, inclusive azulões. Insetos são ricos em proteína. Portanto, fazer um incremento protéico na dieta dos pássaros pode ser uma boa. Isso pode ser feito de várias maneiras, entre elas com o fornecimento de uma excelente farinhada comercial, com teor protéico de no mínimo 24%.

Cumpridas essas etapas, distribuímos as fêmeas em gaiolas individuais, e para cada uma delas fornecemos um ninho em forma de taça, desses utilizados para bicudos. Os ninhos feitos de bucha vegetal têm trazido ótimos resultados. Fornecemos material para a construção do ninho, que pode ser constituído por pedacinhos de corda de sisal desfiada ou raízes finas de capim, lavadas e secas à sombra.

O macho deve receber um manejo adequado. Estar em excelente condicionamento físico, sem excesso de peso, e cantando muito são fatores importantíssimos. Ele deve ficar fora do alcance visual das fêmeas, mas nas proximidades, pois sua presença (principalmente o seu canto) é um importante estímulo para as fêmeas.

Diariamente, pode-se mostrar o macho para as fêmeas, e observar o comportamento de cada uma délas. É muito comum elas solicitarem a cópula mesmo sem estarem prontas. Nesse caso, o recomendado é que o criador use sua sensibilidade, de forma a não perder tempo fazendo as coberturas em vão. Um bom indicativo do momento exato para o acasalamento é quando a fêmea está com o ninho pronto. Em geral, a fêmea deixa de aceitar o macho 24 horas antes de colocar o primeiro ovo. Duas coberturas ao dia bastam, uma pela manhã e outra a tarde, sendo o macho retirado imediatamente após efetuá-Ia.

São postos de dois a três ovos, que são incubados durante 13 dias. A alimentação dos filhotes deve ser rica em proteínas. Sugerimos teor protéico acima dos 25% PB nos primeiros dez dias de vida. O fornecimento de ovo (bem cozido ou industrializado em pó) é muito indicado, pois é uma fonte nutricional de excelente qualidade.

Anéis são fornecidos pelo Ibama, com diâmetro interno de 2.8mm. O anelamento deve ser feito quando os filhotes estiverem com aproximadamente 5 dias de vida.

Por Rob de Wit, Zootecnista, Dire­tor de Criação de Azulão [email protected]

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/como_reproduzir_azulao.html

Concurso e seleção

Por Álvaro Blasina

Todo trabalho a ser realizado, não importa qual seja, requer antes de tudo um bom planejamento. A canaricultura, não só não foge a essa regra, como que o planejamento é elemento determinante para o sucesso.

Baseados então no principio de que antes de começar a criar, devemos nos planificar ou avaliar o andamento dos nossos objetivos, gostaríamos de analisar os propósitos que o criador deve se traçar e a forma de alcança-los.

Em primeiro lugar, consideremos que para efetuar um planejamento, antes de mais nada devemos formular o mais claramente possível os objetivos que estamos procurando. Encontramos aqui logo de inicio, uma grande disjuntiva que divide claramente a forma de administrar nossos planteis. Criar para competir ou criar para melhorar?

Criar para competir

Na América do Sul, os regulamentos dos Campeonatos Nacionais consideram o criador Campeão Brasileiro aquele que conseguir a maior somatória de pontos fruto do julgamento de todos os exemplares apresentados. Esta polemica forma de premiação, já deu lugar a muitas controvérsias, e não é meu objetivo comentar especificamente o regulamento dos concursos. O fato concreto é que ele existe, está vigente e o criador que almejar atingir o “podium” num Campeonato Brasileiro, deverá planejar o seu plantel de uma forma específica. Parece claro, que para atingir uma boa pontuação no Brasileiro, em primeiro lugar, se devem criar uma variedade muito grande de cores, pois o número pesa muito para alcançar uma boa colocação. Desprende-se desta conclusão, que para alcançar bons resultados nos concursos, deve-se criar uma quantidade expressiva de cores, e em conseqüência, poucos casais de cada cor, por uma razão obvia de espaço.

Outra observação que fazemos, é a de que existem cores menos concorridas do que outras, e de que os pontos atribuídos aos primeiros lugares, são os mesmos para canários primeiros colocados em cores muito concorridas ou pouco concorridas, pelo que se conclui que criando cores mais “raras” as chances aumentam.
Finalmente, verificamos que existem cores nas quais potencialmente machos e fêmeas podem ir aos concursos, e outras em que as fêmeas praticamente não tem chances de vencer. Podemos citar como exemplo, que todos os canários feos e mosaicos tem potencialmente as mesmas chances de vencer, considerando que se julgam separadamente machos e fêmeas. Já os canários intensos e nevados ( com a exceção dos feos) concorrem sem distinção de sexo, o que faz com que todas as fêmeas intensas e nevadas (com exceção dos feos) são eliminadas para efeitos de concurso.

Conclui-se que se o nosso desejo maior é a obtenção de bons resultados nos concursos, devemos levar em conta que estrategicamente, será melhor criar uma grande variedade de cores, de preferência menos concorridas nos concursos e onde exista maioria de indivíduos mosaicos ou feo.
Parece obvio ressaltar, que o componente qualidade é necessário pois de nada vale criar muitas cores de qualidade tão fraca que não tenha chances de premiação.

Criar para melhorar

Um dos elementos principais para o melhoramento genético de qualquer espécie ou raça é a somatória da qualidade genética com a quantidade da prole, pois quanto mais filhotes possamos obter de uma cor ou raça, mais material disponível possuiremos para continuar a seleção. Verificamos então, que as condições do atual sistema de premiação, vem de certa forma ao encontro de trabalhos importantes de seleção genética.

Verificamos visitando criadouros europeus que a imensa maioria se dedica à especialização de determinadas cores e é raríssimo que algum criador faça poucos casais de várias cores. Os regulamentos dos concursos do Hemisfério Norte são rigorosamente diferentes dos nossos. Premiam o canário de qualidade e jamais a somatória, de tal forma que o orgulho do criador não é somar pontos e sim mostrar o canário campeão individual ou ainda melhor, o quarteto vencedor.

Creio que esta linha de conduta e planejamento, tem sido um enorme aliado para o avanço genético dos planteis europeus. Para avançar em busca da excelência, devemos traçar como objetivo, o de termos um número expressivo de exemplares de alto padrão, o que permitirá multiplicar suas virtudes em grande quantidade. Uma vez obtido isto, tudo se simplifica. Já pensou possuir centenas de exemplares da mesma cor e de altíssimo padrão? Nesse caso, por serem todos da mesma cor, para efeitos de concursos nacionais, o resultado será indesejado, pois com centenas de exemplares mesmo classificando muito bem, marcará poucos pontos. De todas formas, a satisfação pessoal de estar efetivamente avançando geneticamente a grandes passos, é extremamente recompensadora.

Cabe a cada um escolher o caminho. O importante é tomar consciência das opções disponíveis e “ir à luta”. Boa sorte!!!!

fonte: http://www.omundodasaves.com.br/concurso_selecao.html